PREFÁCIO
Esta publicação tem
como principal escopo orientar profissionais, que embora não sejam diretamente
ligados à área de assistência à saúde, são servidores da Fundação Oswaldo Cruz
(FIOCRUZ), que desejem se capacitar para atuar na primeira abordagem de um
acidentado, prestando-lhe os primeiros e fundamentais cuidados. O que se pode
afirmar com embasamentos teóricos e práticos é que dessa primeira abordagem
está frequentemente a depender o êxito de todas as demais fases de tratamento e
reabilitação, portanto, também vale a pena ressaltar que é de tal maneira importante
este momento inicial de abordagem do acidentado (clínico ou traumático) que se
pode afirmar ainda que o futuro da vítima, quanto a sua integridade como indivíduo,
com seqüelas ou sem elas, possibilidades de reabilitação, qualidade de vida
pós-acidente e mesmo vida e morte, dependem deste primeiro momento, realizado
por profissional de outras áreas, porém treinados em práticas de primeiros
socorros. Este Manual de Primeiros Socorros visa também possibilitar a
caracterização entre acidentes, ambientes de trabalho e ocupações, o que é
indispensável para que haja a segurança e a qualidade de saúde dos
trabalhadores.
Faz parte, assim, ao
se tentar influir no processo de melhoria do atendimento das emergências
clínicas e cirúrgicas do Sistema Único de Saúde (SUS) em permanente crise em
nosso Estado, ao definir previamente (antes do encaminhamento a serviços
especializados) as condições vitais do acidente.
Este Manual contem
informações capazes de bem orientar aquele profissional da FIOCRUZ disposto a
ser também um primeiro socorrista em situações de emergência, claro está que
não é pretensão de seus organizadores que ele seja sozinho um instrumento capaz
de resolver todos os problemas dos muitos e variados acidentes possíveis em
nossos locais de trabalho, mas ainda que ele seja uma única fonte de
informações pronta e acabada, é certamente incompleta e necessita de frequentes
atualizações e revisões. Há também a necessidade de identificação dos
profissionais e de um treinamento das técnicas aqui recomendados.
Ao editar este Manual
a FIOCRUZ reafirma o seu secular compromisso com as ações de saúde pública e de
resguardo e promoção da saúde de todos os trabalhadores desta instituição.
INTRODUÇÃO
Com o aumento da
complexidade das tarefas executadas pelas diversas Unidades da FIOCRUZ, os
riscos tornam-se cada vez mais presentes e eminentes, requisitando medidas no
sentido de evitar a ocorrência de fatos catastróficos. O Núcleo de
Biossegurança, da Vice Presidência de Serviços de Referência e Ambiente,
preocupado em atender com informações a comunidade da Fundação Oswaldo Cruz,
elaborou o Manual de Primeiros Socorros, concentrando esforços
multidisciplinares no sentido de subsidiar ações preventivas nos agravamentos
de acidentes ou de males súbitos.
Podemos definir
primeiros socorros como sendo os cuidados imediatos que devem ser prestados
rapidamente a uma pessoa, vítima de acidentes ou de mal súbito, cujo estado
físico põe em perigo a sua vida, com o fim de manter as funções vitais e evitar
o agravamento de suas condições, aplicando medidas e procedimentos até a
chegada de assistência qualificada.
Qualquer pessoa
treinada poderá prestar os Primeiros Socorros, conduzindo-se com serenidade,
compreensão e confiança. Manter a calma e o próprio controle, porém, o controle
de outras pessoas é igualmente importante. Ações valem mais que as palavras,
portanto, muitas vezes o ato de informar ao acidentado sobre seu estado, sua
evolução ou mesmo sobre a situação em que se encontra deve ser avaliado com
ponderação para não causar ansiedade ou medo desnecessários. O tom de voz tranquilo
e confortante dará à vítima sensação de confiança na pessoa que o está socorrendo.
O desenvolvimento das
atividades nas instituições de saúde pública oferece riscos específicos de
acidentes de trabalho, sendo assim, os funcionários destas instituições devem
ter conhecimentos de princípios básicos em primeiros socorros.
Considerações Gerais
Neste Manual
fornecemos orientações em situações de acidentes a fim de subsidiar o
atendimento a um acidentado.
Lembramos que a
função de quem está fazendo o socorro é:
1.Contatar o serviço
de atendimento do SAMU ou CORPO DE BOMBEIROS).
2. Fazer o que deve
ser feito no momento certo, afim de:
a.Salvar uma vida
b.Prevenir danos
maiores
3.Manter o acidentado
vivo até a chegada deste atendimento.
4.Manter a calma e a
serenidade frente a situação inspirando confiança.
5.Aplicar calmamente
os procedimentos de primeiros socorros ao acidentado.
6.Impedir que
testemunhas removam ou manuseiem o acidentado, afastando-as do local do
acidente, evitando assim causar o chamado "segundo trauma", isto é,
não ocasionar outras lesões ou agravar as já existentes.
7.Ser o elo das
informações para o serviço de atendimento emergencial.
8.Agir somente até o
ponto de seu conhecimento e técnica de atendimento. Saber avaliar seus limites
físicos e de conhecimento. Não tentar transportar um acidentado ou medicá-lo. O
profissional não médico deverá ter como princípio fundamental de sua ação a
importância da primeira e correta abordagem ao acidentado, lembrando que o
objetivo é atendê-lo e mantê-lo com vida até a chegada de socorro
especializado, ou até a sua remoção para atendimento.
Etapas Básicas
de Primeiros Socorros
O atendimento de
primeiros socorros pode ser dividido em etapas básicas que permitem a maior
organização no atendimento e, portanto, resultados mais eficazes.
1. Avaliação do Local do Acidente
Esta é a primeira
etapa básica na prestação de primeiros socorros. Ao chegar no local de um
acidente, ou onde se encontra um acidentado, deve-se assumir o controle da
situação e proceder a uma rápida e segura avaliação da ocorrência. Deve-se
tentar obter o máximo de informações possíveis sobre o ocorrido. Dependendo das
circunstâncias de cada acidente, é importante também:
a) evitar o pânico e
procurar a colaboração de outras pessoas, dando ordens breves, claras,
objetivas e concisas;
b) manter afastados
os curiosos, para evitar confusão e para ter espaço em que se possa trabalhar
da melhor maneira possível.
“Ser ágil e decidido observando rapidamente se existe
perigos para o acidentado e para quem estiver prestando o socorro”
A proteção do
acidentado deve ser feita com o mesmo rigor da avaliação da ocorrência e do
afastamento de pessoas curiosas ou que visivelmente tenham perdido o
autocontrole e possam prejudicar a prestação dos primeiros socorros É
importante observar rapidamente se existem perigos para o acidentado e para quem
estiver prestando o socorro nas proximidades da
ocorrência. Por
exemplo: fios elétricos soltos e desencapados; tráfego de veículos; andaimes;
vazamento de gás; máquinas funcionando. Devem-se identificar pessoas que possam
ajudar. Deve-se desligar a corrente elétrica; evitar chamas, faíscas e
fagulhas; afastar pessoas desprotegidas da presença de gás; retirar vítima de
afogamento da água, desde que o faça
com segurança para
quem está socorrendo; evacuar área em risco iminente de explosão ou
desmoronamento.
Avaliar o acidentado
na posição em que ele se encontra, só mobilizá-lo com segurança (sem aumentar o
trauma e os riscos), sempre que possível deve-se manter o acidentado deitado de
costas até que seja examinada, e até que se saiba quais os danos sofridos. Não
se deve alterar a posição em que se acha o acidentado, sem antes refletir
cuidadosamente sobre o que aconteceu e qual a
conduta mais adequada a ser tomada.
Se o acidentado
estiver inconsciente, por sua cabeça em posição lateral antes de proceder à avaliação
do seu estado geral. É preciso tranquilizar o acidentado e transmitir-lhe
segurança e conforto. A calma do
acidentado desempenha um papel muito importante na prestação dos primeiros
socorros. O estado geral do acidentado pode se agravar se ela estiver com medo,
ansiosa e sem confiança em quem está cuidando.
2. Proteção do Acidentado
Avaliação e Exame do
Estado Geral do acidentado.
A avaliação e exame
do estado geral de um acidentado de emergência clínica ou traumática é a
segunda etapa básica na prestação dos primeiros socorros. Ela deve ser
realizada simultaneamente ou imediatamente à "avaliação do acidente e
proteção do acidentado".
O exame deve ser
rápido e sistemático, observando as seguintes prioridades:
·Estado de
consciência: avaliação de respostas lógicas (nome, idade, etc).
·Respiração:
movimentos torácicos e abdominais com entrada e saída de ar normalmente pelas
narinas ou boca.
·Hemorragia: avaliar
a quantidade, o volume e a qualidade do sangue que se perde. Se é arterial ou
venoso.
·Pupilas: verificar o
estado de dilatação e simetria (igualdade entre as pupilas).
·Temperatura do
corpo: observação e sensação de tato na face e extremidades.
Deve-se ter sempre
uma idéia bem clara do que se vai fazer, para não expor desnecessariamente o acidentado,
verificando se há ferimento com o cuidado de não movimentá-lo excessivamente.
Em seguida proceder a um exame rápido das diversas partes do corpo. Se o
acidentado está consciente, perguntar por áreas dolorosas no corpo e
incapacidade funcionais de mobilização. Pedir para apontar onde é a dor, pedir
para movimentar as mãos, braços, etc.
Cabeça e Pescoço
Sempre verificando o
estado de consciência e a respiração do acidentado, apalpar, com cuidado, o
crânio a procura de fratura, hemorragia ou depressão óssea. Proceder da mesma
forma para o pescoço, procurando verificar o pulso na artéria carótida,
observando frequência, ritmo e amplitude, correr os dedos pela coluna cervical,
desde a base do crânio até os ombros,procurando alguma irregularidade.
Solicitar que o acidentado movimente lentamente o pescoço, verificar se há dor
nessa região. Movimentar lenta e suavemente o pescoço, movendo-o de um lado
para o outro. Em caso de dor pare qualquer mobilização desnecessária.
Perguntar a natureza
do acidente, sobre a sensibilidade e a capacidade de movimentação dos membros
visando confirmar suspeita de fratura na coluna cervical.
Coluna Dorsal
Perguntar ao
acidentado se sente dor. Na coluna dorsal correr a mão pela espinha do acidentado
desde a nuca até o sacro. A presença de dor pode indicar lesão da coluna
dorsal.
Tórax e Membros
Verificar se há lesão
no tórax, se há dor quando respira ou se há dor quando o tórax é levemente
comprimido. Solicitar ao acidentado que movimente de leve os braços e verificar
a existência de dor ou incapacidade funcional. Localizar o local da dor e procurar
deformação, edema e marcas de injeções. Verificar se há dor no abdome e
procurar todo tipo de ferimento, mesmo pequeno. Muitas vezes um ferimento de
bala é pequeno, não sangra e é profundo, com consequências graves. Apertar
cuidadosamente ambos os lados da bacia para verificar se há lesões. Solicitar à
vítima que tente mover as pernas e verificar se há dor ou incapacidade
funcional. Não permitir que o acidentado de choque elétrico ou traumatismo violento
tente levantar-se prontamente, achando que nada sofreu. Ele deve ser mantido
imóvel, pelo menos para um rápido exame nas áreas que sofreram alguma lesão. O
acidentado deve ficar deitado de costas ou na posição que mais conforto lhe
ofereça.
Exame do acidentado
Inconsciente
O acidentado
inconsciente é uma preocupação, pois além de se ter poucas informações sobre o
seu estado podem surgir, complicações devido à inconsciência. O primeiro
cuidado é manter as vias respiratórias superiores desimpedidas fazendo a
extensão da cabeça, ou mantê-la em posição lateral para evitar aspiração de
vômito. Limpar a cavidade bucal. O exame do acidentado inconsciente deve ser
igual ao do acidentado consciente, só que com cuidados redobrados, pois os parâmetros
de força e capacidade funcional não poderão ser verificados. O mesmo ocorrendo com
respostas a estímulos dolorosos.
É importante ter
ciência que nos primeiros cuidados ao acidentado inconsciente a deverá ser
mínima.
A observação das
seguintes alterações deve ter prioridade acima de qualquer outra iniciativa.
Ela pode salvar uma vida:
· Falta de
respiração;
· Falta de circulação
(pulso ausente);
· Hemorragia
abundante;
· Perda dos sentidos
(ausência de consciência);
· Envenenamento.
Observações:
1.Para que haja vida
é necessário um fluxo contínuo de oxigênio para os pulmões. O oxigênio é
distribuído para todas as células do corpo através do sangue impulsionado pelo
coração. Alguns órgãos sobrevivem algum tempo sem oxigênio, outros são
severamente afetados. As células nervosas do cérebro podem morrer após 3
minutos sem oxigênio.
2.Por isso mesmo é
muito importante que algumas alterações ou alguns quadros clínicos, que podem
levar a essas alterações, devem ter prioridade quando se aborda um acidentado
de vítima de mal súbito. São elas:
obstrução das vias
aéreas superiores;
parada
cárdio-respiratória;
hemorragia de
grandes volumes;
estado de choque
(pressão arterial, etc);
comas (perda da
consciência);
convulsões (agitações
psicomotoras);
envenenamento
(intoxicações exógenas);
diabetes mellitus
(comas hiper e hipoglicêmicos);
infarto do
miocárdio; e
queimaduras em
grandes áreas do corpo.
3.Toda lesão ou
emergência clínica ocorrida dentro do âmbito da Instituição deve ser comunicada
ao NUST - Núcleo de Saúde do trabalhador / DIREH, através de uma ficha de
registro específica e anotada no "livro de registro de acidentes".
4.É importante ter
sempre disponível os números dos telefones e os endereços de hospitais e de centros
de atendimento de emergência;; socorro especializado para emergências
cardíacas; plantão da Comissão Nacional de Energia Nuclear; locais de aplicação
de soros antiveneno de cobra e de outros animais peçonhentos e centro de
informações tóxico farmacológicas.
Resumo
Para o bom
atendimento é imprescindível:
1.Manter a calma.
Evitar pânico e assumir a situação.
2.Antes de qualquer
procedimento, avaliar a cena do acidente e observar se ela pode oferecer
riscos, para o acidentado e para você. EM HIPÓTESE NENHUMA PONHA SUA PRÓPRIA
VIDA EM RISCO.
3.Os circunstantes
devem ser afastados do acidentado, com calma e educação. O acidentado deve ser
mantido afastado dos olhares de curiosos, preservando a sua integridade física
e moral.
4.Saiba que qualquer
ferimento ou doença súbita dará origem a uma grande mudança no ritmo da vida do
acidentado, pois o coloca repentinamente em uma situação para a qual não está
preparado e que foge a seu controle. Suas reações e comportamentos são
diferentes do normal, não permitindo que ele possa avaliar as próprias
condições de saúde e as consequências do acidente. Necessita de alguém que o
ajude.
Atue de maneira
tranquila e hábil, o acidentado sentirá que está sendo bem cuidado e não
entrará em pânico. Isto é muito importante, pois a intranquilidade pode piorar
muito o seu estado.
5.Em caso de óbito
serão necessárias testemunhas do ocorrido. Obter a colaboração de outras
pessoas dando ordens claras e concisas. Identificar pessoas que se encarreguem
de desviar o trânsito ou construir uma proteção provisória. Uma ótima dica é
dar tarefas como, por exemplo: contatar o atendimento de emergência, buscar
material para auxiliar no atendimento, como talas e gaze, avisar a polícia se
necessário, etc.
6.JAMAIS SE EXPONHA A
RISCOS. Utilizar luvas descartáveis e evitar o contato direto com sangue,
secreções, excreções ou outros líquidos. Existem várias doenças que são
transmitidas através deste contato 7.Tranqüilizar o acidentado. Em todo
atendimento ao acidentado consciente, comunicar o que será feito antes de
executar para transmitir-lhe confiança, evitando o medo e a ansiedade.
8.Quando a causa de
lesão for um choque violento, deve-se pressupor a existência de lesão interna.
As vítimas de trauma requerem técnicas específicas de manipulação, pois
qualquer movimento errado pode piorar o seu estado. Recomendamos que as vítimas
de traumas não sejam manuseadas até a chegada do atendimento emergencial.
Acidentados presos em ferragens só devem ser retirados pela equipe de
atendimento emergencial.
9.No caso do
acidentado ter sede, não ofereça líquidos para beber, apenas molhe sua boca com
gaze ou algodão umedecido.
10.Cobrir o
acidentado para conservar o corpo quente e protegê-lo do frio, chuva, etc.
11.Em locais onde não
haja ambulância, o acidentado só poderá ser transportado após ser avaliado,
estabilizado e imobilizado adequadamente. Evite movimentos desnecessários.
12.Só retire o
acidentado do local do acidente se esse local causar risco de vida para ele ou
para o socorrista. Ex: risco de explosão, estrada perigosa onde não haja como
sinalizar, etc.
“A pessoa que está prestando os primeiros socorros deve
seguir um plano de ação baseando-se no P.A.S. que são as três letras iniciais a
partir das quais se desenvolvem todas as medidas técnicas e práticas de primeiros
socorros.
Prevenir - afastar o perigo do acidentado ou o acidentado
do perigo Alertar - contatar o atendimento emergencial informando o tipo de acidente,
o local, o número de vítimas e o seu estado. Socorrer - após as avaliações”
Funções,
Sinais Vitais e de Apoio:
Introdução
A atividade de
primeiros socorros pressupõe o conhecimento dos sinais que o corpo emite e
servem como informação para a determinação do seu estado físico.
Alguns detalhes
importantes sobre as funções vitais, os sinais vitais e sinais de apoio do
corpo humano precisam ser compreendidos.
Funções Vitais
Algumas funções são
vitais para que o ser humano permaneça vivo. São vitais as funções exercidas
pelo cérebro e pelo coração. Mas para exercerem suas funções, estes órgãos
executam trabalhos físicos e químicos, transformando a própria vida em uma
macro-representação das atividades da menor unidade funcional do corpo: a
célula.
Cada tecido é
constituído por células, e é da vida delas que depende a vida dos seres vivos.
As células tiram nutrientes para sua vida diretamente do meio onde se
encontram, devolvendo para este mesmo ambiente os produtos finais de sua
atividade metabólica. A captação e liberação destas substâncias são reguladas
pela membrana plasmática, cuja permeabilidade
seletiva e mecanismo
de transporte ativo permitem à célula trocar com o meio somente o que deve ser
trocado. Muitos processos dependem de um adequado diferencial de concentração
entre o interior e exterior da célula.
Para permitir igualdade
nas concentrações dos componentes do líquido intersticial, os tecidos do
organismo são percorridos por uma densa rede de vasos microscópicos, que são
chamados de capilares.
O sangue que chega
aos capilares traz nutrientes e oxigênio que são passados continuamente para os
tecidos. O sangue arterial é rico em nutrientes. O sangue venoso é mais pobre e
transporta gás carbônico e catabólitos.
O sangue não se
deteriora graças à atividade de órgãos vitais como os pulmões, rins e aparelho
digestivo, que permanentemente recondicionam o sangue arterial. Os rins
participam do mecanismo de regulação do equilíbrio hidroeletrolítico e
ácido-básico e na eliminação de
substâncias tóxicas.
O aparelho digestivo
incrementa o teor sanguíneo de substratos orgânicos, íons e outros agentes
metabólicos, como as vitaminas, por exemplo. O fígado age como órgão
sintetizador e como modificador da composição do sangue, participando nos
mecanismos da excreção de
substâncias tóxicas.
Os pulmões e a porção
condutora do aparelho respiratório têm como função principal fornecer oxigênio
e remover dióxido de carbono resultante da reação de combustão nas células. O
pulmão não é apenas um órgão respiratório. Ele desempenha uma função importante
no equilíbrio térmico e no equilíbrio ácido-básico. Os movimentos ventilatórios
são controlados
pelo Sistema Nervoso
Central e estão parcialmente sob nossa vontade. A respiração, no entanto, é um
mecanismo involuntário e automático.
As funções vitais do
corpo humano são controladas pelo Sistema Nervoso Central, que é estruturado
por células muito especializadas, organizadas em alto grau de complexidade
estrutural e funcional. Estas células são muito sensíveis à falta de oxigênio,
cuja ausência provoca alterações funcionais. Conforme será advertido outras
vezes neste manual, chamamos a atenção para que se perceba que:
O prolongamento da hipóxia (falta de ar)
cerebral determina a morte do Sistema Nervoso Central e com isto a falência
generalizada de todos os mecanismos da vida, em um tempo de aproximadamente
três minutos.
Para poder determinar
em nível de primeiro socorro, como leigo, o funcionamento satisfatório dos
controles centrais dos mecanismos da vida, é necessário compreender os sinais
indicadores chamados de sinais vitais.
Sinais
Vitais
Sinais vitais são aqueles que indicam
a existência de vida. São reflexos ou indícios que permitem concluir sobre o
estado geral de uma pessoa. Os sinais sobre o funcionamento do corpo humano que
devem ser compreendidos e conhecidos são:
· Temperatura,
· Pulso,
· Respiração,
· Pressão arterial.
Os sinais vitais são sinais que podem
ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que na ausência deles, existem
alterações nas funções vitais do corpo.
A medição e avaliação da pressão arterial são
excelentes fontes de indicação de vitalidade do organismo humano. Este assunto
não será tratado neste manual, pois sua verificação exigirá conhecimento e
instrumental especializado, o que dificulta a sua utilização ao nível de primeiros
socorros.
Temperatura
Corporal
A temperatura resulta
do equilíbrio térmico mantido entre o ganho e a perda de calor pelo organismo.
A temperatura é um importante indicador da atividade metabólica, já que o calor
obtido nas reações metabólicas se propaga pelos tecidos e pelo sangue circulante.
A temperatura do
corpo humano está sujeita a variações individuais e a flutuações devido a
fatores fisiológicos como: exercícios, digestão, temperatura ambiente e estado
emocional (Quadro I). A avaliação diária da temperatura de uma pessoa em perfeito
estado de saúde nunca é maior que um grau Celsius, sendo mais baixa pela manhã
e um pouco elevada no
final da tarde.
Existe pequena elevação de temperatura nas mulheres após a ovulação, no período
menstrual e no primeiro trimestre da gravidez.
Nosso corpo tem uma
temperatura média normal que varia de 35,9 a 37,2ºC. A avaliação da temperatura
é uma das maneiras de identificar o estado de uma pessoa, pois em algumas
emergências a temperatura muda muito.
O sistema
termorregulador trabalha estimulando a perda de calor em ambientes de calor
excessivo e acelerando os fenômenos metabólicos no frio para compensar a perda
de calor. Graças a isto, o homem é um ser homeotérmico que, ao contrário de
outros animais, mantêm a temperatura do corpo constante a despeito de fatores
externos.
Variação de
Temperatura do Corpo
|
|
Estado Térmico
|
Temperatura (°C)
|
Sub-normal
|
34-36
|
Normal
|
36-37
|
Estado febril
|
37-38
|
Febre
|
38-39
|
Febre alta (pirexia)
|
39-40
|
Febre muito alta
(hiperpirexia)
|
40-41
|
Quadro I - Variação
de temperatura do corpo
Perda de Calor
O corpo humano perde
calor através de vários processos que podem ser classificados da seguinte
maneira:
Eliminação - fezes,
urina, saliva, respiração.
Evaporação - a
evaporação pela pele (perda passiva) associada à eliminação permitirá a perda
de calor em elevadas temperaturas.
Condução - é a troca
de calor entre o sangue e o ambiente. Quanto maior é a quantidade de sangue que
circula sob a pele maior é a troca de calor com o meio. O aumento da circulação
explica o avermelhamento da pele (hipermia) quando estamos com febre.
Verificação
da Temperatura
Oral ou bucal -
Temperatura média varia de 36,2 a 37ºC. O termômetro deve ficar por cerca de
três minutos, sob a língua, com o paciente sentado, semi-sentado (reclinado) ou
deitado.
Não se verifica a
temperatura de vítimas inconscientes, crianças depois de ingerirem líquidos
(frios ou quentes) após a extração dentária ou inflamação na cavidade oral.
Axilar - Temperatura
média varia de 36 a 36,8ºC. A via axilar é a mais sujeita a fatores externos. O
termômetro deve ser mantido sob a axila seca, por 3 a 5 minutos, com o acidentado
sentada, semi-sentada (reclinada) ou deitada.
Não se verifica
temperatura em vítimas de queimaduras no tórax, processos inflamatórios na
axila ou fratura dos membros superiores.
Retal - Temperatura
média varia de 36,4 a 37,ºC. O termômetro deverá ser lavado, seco e lubrificado
com vaselina e mantido dentro do reto por 3 minutos com o acidentado em
decúbito lateral, com a flexão de um membro inferior sobre o outro.
Não se verifica a
temperatura retal em vítimas que tenham tido intervenção cirúrgica no reto, com
abscesso retal ou perineorrafia.
A verificação da
temperatura retal é a mais precisa, pois é a que menos sofre influência de
fatores externos.
O acidentado com febre, muito alta e
prolongada, pode ter
lesão cerebral irreversível. A temperatura
corporal abaixo
do normal pode acontecer após depressão de
função
circulatória ou choque.
Febre
A febre é a elevação da temperatura do
corpo acima da média normal. Ela ocorre quando a produção de calor do corpo
excede a perda.
Tumores, infecções, acidentes
vasculares ou traumatismos podem afetar diretamente o hipotálamo e com isso
perturbar o mecanismo de regulagem de calor do corpo. Portanto, a febre deve
ser vista também como um sinal que o organismo emite. Um sinal de defesa.
Devemos lembrar que pessoas
imunodeprimidas podem ter infecções graves e não apresentarem febre.
A vítima de febre apresenta a seguinte
sintomatologia:
· Inapetência (perda de apetite)
· Mal estar
· Pulso rápido
· Sudorese
· Temperatura acima de 40 graus
Celsius
· Respiração rápida
· Hiperemia da pele
· Calafrios
· Cefaléia (dor de
cabeça)
Primeiros Socorros para Febre
Aplicar compressas
úmidas na testa, cabeça, pescoço, axilas e virilhas (que são as áreas por onde
passam os grandes vasos sanguíneos).
Quando o acidentado
for um adulto, submetê-la a um banho frio ou cobri-la com coberta fria. Podem
ser usadas compressas frias aplicadas sobre grandes estruturas vasculares
superficiais quando a temperatura corporal está muito elevada.
O tratamento básico
da febre deve ser dirigido para as suas causas, mas em primeiros socorros isto
não é possível, pois o leigo deverá preocupar-se em atender os sintomas de
febre e suas complicações. Drogas antipiréticas como aspirina, dipirona e
acetaminofen são muito eficientes na redução da febre que ocorre devido a
afecções no centro termorregulador do hipotálamo, porém só devem ser usadas
após o diagnóstico.
Devemos salientar que
os primeiros socorros em casos febris só devem ser feitos em temperaturas muito
altas (acima de 400C), por dois motivos já vistos:
a febre é defesa
orgânica (é o organismo se defendendo de alguma causa) e
o tratamento da
febre deve ser de suas causas.
Pulso
O pulso é a onda de
distensão de uma artéria transmitida pela pressão que o coração exerce sobre o
sangue. Esta onda é perceptível pela palpação de uma artéria e se repete com
regularidade, segundo as batidas do coração.
Existe uma relação
direta entre a temperatura do corpo e a frequência do pulso. Em geral, exceto
em algumas febres, para cada grau de aumento de temperatura existe um aumento
no número de pulsações por minuto (cerca de 10 pulsações).
O pulso pode ser
apresentado variando de acordo com sua freqüência, regularidade, tensão e
volume.
a) Regularidade (alteração
de ritmo)
Pulso rítmico: normal
Pulso arrítmico:
anormal
b) Tensão
c) Frequência - Existe uma variação
média de acordo com a idade como pode ser visto no Quadro II abaixo.
Pulso normal
|
Faixa etária
|
60-70 bpm
|
Homens adultos
|
70-80 bpm
|
Mulheres adultas
|
80-90 bpm
|
Crianças acima de 7 anos
|
80-120 bpm
|
Crianças de 1 a 7 anos
|
110-130 bpm
|
Crianças abaixo de um ano
|
130-160 bpm
|
Recém-nascidos
|
Quadro II - Variação
da frequência
d) Volume - Pulso
cheio: normal Pulso filiforme (fraco): anormal
A alteração na
frequência do pulso denuncia alteração na quantidade de fluxo sanguíneo.
As causas
fisiológicas que aumentam os batimentos do pulso são: digestão, exercícios
físicos, banho frio, estado de excitação emocional e qualquer estado de
reatividade do organismo.
No desmaio / síncope
as pulsações diminuem.
Através do pulso ou
das pulsações do sangue dentro do corpo, é possível avaliar se a circulação e o
funcionamento do coração estão normais ou não. Pode-se sentir o pulso com
facilidade:
· Procurar acomodar o
braço do acidentado em posição relaxada.
· Usar o dedo
indicador, médio e anular sobre a artéria escolhida
para sentir o pulso,
fazendo uma leve pressão sobre qualquer um dos pontos onde se pode verificar
mais facilmente o pulso de uma pessoa.
· Não usar o polegar
para não correr o risco de sentir suas próprias pulsações.
· Contar no relógio
as pulsações num período de 60 segundos. Neste
período deve-se
procurar observar a regularidade, a tensão, o volume e a frequência do pulso.
Existem no corpo
vários locais onde se podem sentir os pulsos da corrente sanguínea.
Recomenda-se não fazer pressão forte sobre a
artéria,
pois isto pode impedir que se percebam os
batimentos.
O pulso radial pode
ser sentido na parte da frente do punho. Usar as pontas de 2 a 3 dedos
levemente sobre o pulso da pessoa do lado correspondente ao polegar, conforme a
figura abaixo.
Figura 1- Pulso
radial e carotídeo
O pulso carotídeo é o
pulso sentido na artéria carótida que se localiza de cada lado do pescoço.
Posicionam-se os dedos sem pressionar muito para não comprimir a artéria e
impedir a percepção do pulso (Figura 1).
Do ponto de vista
prático, a artéria radial e carótida são mais fáceis para a localização do
pulso, mas há outros pontos que não devem ser descartados. Conforme a Figura 2.
Figura
2 - Local de localização de pulso
Respiração
A respiração é uma
das funções essenciais à vida. É através dela que o corpo promove
permanentemente o suprimento de oxigênio necessário ao organismo, vital para a
manutenção da vida.
A respiração é
comandada pelo Sistema Nervoso Central. Seu funcionamento processa-se de
maneira involuntária e automática. É a respiração que permite a ventilação e a
oxigenação do organismo e isto só ocorre através das vias aéreas desimpedidas.
A observação e
identificação do estado da respiração de um acidentado de qualquer tipo de
afecção é conduta básica no atendimento de primeiros socorros. Muitas doenças,
problemas clínicos e acidentes de maior ou menor proporção alteram parcialmente
ou completamente o
processo
respiratório. Fatores diversos como secreções, vômito, corpo estranho, edema e
até mesmo a própria língua podem ocasionar a obstrução das vias aéreas. A
obstrução produz asfixia que, se prolongada, resulta em parada
cardío-respiratória.
O processo
respiratório manifesta-se fisicamente através dos movimentos ritmados de
inspiração e expiração. Na inspiração existe a contração dos músculos que
participam do processo respiratório, e na expiração estes músculos relaxam-se
espontaneamente. Quimicamente existe uma troca de gazes entre os meios externos
e internos do corpo. O
organismo recebe
oxigênio atmosférico e elimina dióxido de carbono. Esta troca é a hematose, que
é a transformação, no pulmão, do sangue venoso em sangue arterial.
Deve-se saber
identificar se a pessoa está respirando e como está respirando. A respiração
pode ser basicamente classificada por tipo e frequência. O Quadro III apresenta
a classificação da respiração quanto ao tipo.
A frequência da respiração
é contada pela quantidade de vezes que uma pessoa realiza os movimentos
combinados de inspiração e expiração em um minuto. Para se verificar a
frequência da respiração, conta-se o número de vezes que uma pessoa realiza os
movimentos respiratórios: 01
inspiração + 01
expiração = 01 movimento respiratório.
A contagem pode ser
feita observando-se a elevação do tórax se o acidentado for mulher ou do abdome
se for homem ou criança. Pode ser feita ainda contando-se as saídas de ar
quente pelas narinas.
A freqüência média
por minuto dos movimentos respiratórios varia com a idade se levarmos em
consideração uma pessoa em estado normal de saúde. Por exemplo: um adulto
possui um valor médio respiratório de 14 - 20 respirações por minuto (no
homem), 16 - 22 respirações por
minuto (na mulher),
enquanto uma criança nos primeiros meses de vida 40 - 50 respirações por
minuto.
Tipos de Respiração
|
|
Eupneia
|
Respiração
que se processa por movimentos
regulares, sem dificuldades, na frequência média
|
Apneia
|
É
a ausência dos movimentos respiratórios. Equivale a parada respiratória.
|
Dispneia
|
Dificuldade
na execução dos movimentos respiratórios
|
Bradipneia
|
Diminuição
na frequência média dos movimentos
Respiratórios
|
Taquipneia
|
Aceleração dos movimentos respiratórios.
|
Ortopneia
|
O acidentado só respira sentado
|
Hiperpneia ou Hiperventilação
|
É
quando ocorre o aumento da frequência e da
profundidade dos movimentos respiratórios.
|
Quadro
III - Tipos de respiração
Fatores
fisiopatológicos podem alterar a necessidade de oxigênio ou a concentração de
gás carbônico no sangue. Isto contribui para a diminuição ou o aumento da frequência
dos movimentos respiratórios. A nível fisiológico os exercícios físicos, as
emoções fortes e banhos frios tendem a aumentar a frequência respiratória. Em
contra partida o banho quente e o sono a diminuem.
Algumas doenças
cardíacas e nervosas e o coma diabético aumentam a frequência espiratória. Como
exemplo de fatores patológicos que diminuem a frequência respiratória podemos
citar o uso de drogas depressoras.
Os procedimentos a
serem observados e os primeiros socorros em casos de parada respiratória serão
estudados a frente.
Pressão
Arterial
A pressão arterial é
a pressão do sangue, que depende da força de contração do coração, do grau de
distensibilidade do sistema arterial, da quantidade de sangue e sua
viscosidade.
Embora não seja
recomendável a instrução a leigos da medição da pressão arterial com o
aparelho, para não induzir a diagnósticos não autorizados após a leitura,
julgamos necessário descrever de maneira sucinta as características da pressão
arterial e a sua verificação.
No adulto normal a
pressão arterial varia da seguinte forma:
· Pressão arterial
máxima ou sistólica - de 100 a 140 mm Hg (milímetros de mercúrio).
· Pressão arterial
mínima ou diastólica - de 60 a 90 mm Hg.
A pressão varia com a
idade, por exemplo: uma pessoa com a idade
entre 17 a 40 anos
apresenta a pressão de 140 x 90, já entre 41 a 60 anos
apresenta pressão, de
150 x 90 mm de Hg.
A pessoa com pressão
arterial alta sofre de hipertensão e apresenta,
dentro de certos
critérios de medição, pressão arterial mínima acima de
95 mm Hg e pressão
arterial máxima acima de 160 mm Hg. A pressão
muito baixa
(hipotensão) é aquela em que a pressão máxima chega a baixar
até a 80 mm Hg.
No Quadro IV
apresentamos exemplos de condições que alteram a pressão arterial:
Diminui a pressão
|
Aumenta a pressão
|
Menstruação
|
Digestão
|
Gestação
|
Excitação emocional
|
Sono / Repouso
|
Convulsões
|
Hipotireoidismo
|
Hipertireoidismo
|
Hemorragia grave
|
Arteriosclerose
|
Anemia grave
|
Quadro
IV - Condições que levam à alteração na pressão arterial
É importante perguntar à vítima sua pressão
arterial e passar essa informação ao profissional que for prestar o socorro
especializado.
Uma
pessoa com hipertensão deverá ser mantida com a cabeça elevada; deve ser
acalmada; reduzir a ingestão de líquidos e sal e ficar sobobservação permanente
até a chegada do médico. No caso do hipotenso, deve-se promover a ingestão de
líquidos com pitadas de sal, deitá-lo e chamar um médico.
Medição
da pressão arterial
Posição
da pessoa: Sentada, semi-sentada (reclinada) ou deitada (esta é a melhor
posição):
Material:
Esfigmomanômetro e estetoscópio Técnica:
a)
Tranquilizar a pessoa informando-a sobre a medição de pressão.
b)
Braço apoiado ao mesmo nível do coração para facilitar a localização da artéria
braquial.
c)
Colocar o manguito ao redor do braço, a cerca de 4 dedos da dobra do cotovelo.
Prender o manguito.
d)
Fechar a saída de ar e insuflar até que o ponteiro atinja a marca de 200 mm Hg.
Pode ser necessário ir mais alto.
e)
Posicionar o na artéria umeral, abaixo do manguito e ouvir se há batimentos.
f)
Abrir a saída de ar lentamente e ouvir os batimentos regulares
g)
Anotar a pressão indicada pelo ponteiro que será a Pressão Arterial Máxima.
h)
A pressão do manguito vai baixando e o som dos batimentos muda de nítido
desaparecendo. Neste ponto deve-se anotar a Pressão Arterial Mínima. Às vezes o
ponto de Pressão Mínima coincide com o desaparecimento do som dos batimentos.
Sinais de Apoio
Além
dos sinais vitais do funcionamento do corpo humano, existem outros que devem
ser observados para obtenção de mais informações sobre o estado de saúde de uma
pessoa. São os sinais de apoio; sinais que o corpo emite em função do estado de
funcionamento dos órgãos vitais.
Os
sinais de apoio podem ser alterados em casos de hemorragia, parada cardíaca ou
uma forte batida na cabeça, por exemplo. Os sinais de apoio tornam-se cada vez
mais evidentes com o agravamento do estado do acidentado. Os principais sinais
de apoio são:
·
Dilatação e reatividade das pupilas
·
Cor e umidade da pele
·
Estado de consciência
·
Motilidade e sensibilidade do corpo
Dilatação e Reatividade das Pupilas
A
pupila é uma abertura no centro da íris - a parte colorida do olho
-
e sua função principal é controlar a entrada de luz no olho para a formação das
imagens que vemos. A pupila exposta à luz se contrai. Quando há
pouca
ou quase nenhuma luz a pupila se dilata, fica aberta. Quando a pupila está
totalmente dilatada, é sinal de que o cérebro não está recebendo oxigênio,
exceto no uso de colírios midriáticos ou certos envenenamentos.
A
dilatação e reatividade das pupilas são um sinal de apoio importante.
Muitas
alterações do organismo provocam reações nas pupilas (Quadro V). Certas
condições de "stress", tensão, medo e estados de pré-choque também
provocam consideráveis alterações nas pupilas.
Devemos
observar as pupilas de uma pessoa contra a luz de uma fonte lateral, de
preferência com o ambiente escurecido. Se não for possível deve-se olhar as
pupilas contra a luz ambiente.
Alterações que
provocam dilatação ou concentração das pupilas
|
|
Stress
|
Iminência de estado de choque
|
Parada cardíaca
|
Intoxicação
|
Abuso de drogas
|
Colírios midriáticos ou mióticos
|
Traumatismo crâneo-encefálico
|
|
Quadro
V - Alterações orgânicas que provocam reações nas pupilas
Cor e Umidade da Pele
A cor e a umidade da
pele são também sinais de apoio muito útil no reconhecimento do estado geral de
um acidentado. Uma pessoa pode apresentar a pele pálida, cianosada ou
hiperemiada (avermelhada e quente).
A cor e a umidade da
pele devem ser observadas na face e nas extremidades dos membros, onde as
alterações se manifestam primeiro (Quadro VI). A pele pode também ficar úmida e
pegajosa. Pode-se observar estas alterações melhor no antebraço e na barriga.
Cor e umidade da
pele
|
|
Alteração
|
Ocorrência
|
Cianose
(pele azulada)
|
Exposição
ao frio, parada cardio-respiratória, estado de choque, morte.
|
Palidez
|
Hemorragia, parada
cardio-respiratória, exposição ao frio, extrema tensão
emocional,
estado de choque.
|
Hiperemia (pele
vermelha
e quente)
|
Febre, exposição a
ambientes quentes, ingestão de bebidas alcoólicas,
queimaduras
de primeiro grau, traumatismo.
|
Pele fria e viscosa
ou
úmida
e pegajosa
|
Estado
de choque.
|
Pele
amarela
|
Icterícia,
hipercarotenemia.
|
Estado de Consciência
Este é outro sinal de
apoio importante. A consciência plena é o estado em que uma pessoa mantém o
nível de lucidez que lhe permite perceber normalmente o ambiente que a cerca,
com todos os sentidos saudáveis respondendo aos estímulos sensoriais.
Quando se encontra um
acidentado capaz de informar com clareza sobre o seu estado físico, pode-se
dizer que esta pessoa está perfeitamente consciente. Há, no entanto, situações
em que uma pessoa pode apresentar sinais de apreensão excessiva, olhar
assustado, face contraída e medo.
Esta pessoa
certamente não estará em seu pleno estado de consciência. Uma pessoa pode estar
inconsciente por desmaio, estado de choque, estado de coma, convulsão, parada
cardíaca, parada respiratória, alcoolismo, intoxicação por drogas e uma série
de outras circunstâncias de saúde e lesão.
Na síncope e no
desmaio há uma súbita e breve perda de consciência e diminuição do tônus
muscular. Já o estado de coma é caracterizado por uma perda de consciência mais
prolongada e profunda, podendo o acidentado deixar de apresentar gradativamente
reação aos estímulos
dolorosos e perda dos
reflexos.
Motilidade e Sensibilidade do Corpo
Qualquer pessoa
consciente que apresente dificuldade ou incapacidade de sentir ou movimentar
determinadas partes do corpo, está obviamente fora de seu estado normal de
saúde. A capacidade de mover e sentir partes do corpo são um sinal que pode nos
dar muitas informações.
Quando há
incapacidade de uma pessoa consciente realizar certos movimentos, pode-se
suspeitar de uma paralisia da área que deveria ser movimentada. A incapacidade
de mover o membro superior depois de um acidente pode indicar lesão do nervo do
membro. A incapacidade de movimento nos membros inferiores pode indicar uma
lesão da medula espinhal.
O desvio da comissura
labial (canto da boca) pode estar a indicar lesão cerebral ou de nervo
periférico (facial). Pede-se à vítima que sorria. Sua boca sorrirá torta, só de
um lado.
“Pedir à vítima de
acidente traumático que movimente os dedos de cada mão, a mão e os membros
superiores, os dedos de cada pé, o pé e os membros inferiores.”
Quando um acidentado
perde o movimento voluntário de alguma parte do corpo, geralmente ela também
perde a sensibilidade no local. Muitas vezes, porém, o movimento existe, mas o
acidentado reclama de dormência e formigamento nas extremidades. É muito
importante o
reconhecimento destas
duas situações, como um indício de que há lesão na medula espinhal. É
importante, também, nestes casos tomar muito cuidado com o manuseio e
transporte do acidentado para evitar o agravamento da lesão. Convém ainda
lembrar que o acidentado de histeria, alcoolismo agudo ou intoxicação por
drogas, mesmo que sofra acidente traumático, pode não sentir dor por várias
horas.
A verificação rápida e precisa dos sinais
vitais e dos sinais de apoio é uma chave importante para o desempenho de
primeiros socorros. O reconhecimento destes sinais dá suporte, rapidez e
agilidade no atendimento e salvamento de vidas.
Asfixia pode ser
definida como sendo parada respiratória, com o coração ainda funcionando.
É causado por certos
tipos de traumatismos como aqueles que atingem a cabeça, a boca, o pescoço, o
tórax; por fumaça no decurso de um incêndio; por afogamento; em soterramentos,
dentre outros acidentes, ocasionando dificuldade respiratória, levando à parada
respiratória.
Nesse caso, a
identificação da dificuldade respiratória pela respiração arquejante nas
vitimas inconscientes, pela falta de ar de que se queixam os conscientes, ou
ainda, pela cianose acentuada do rosto, dos lábios e das extremidades (dedos),
servirá de guia para o socorro à vítima.
A. Bloqueio da
passagem de ar.
Pode acontecer nos
casos de afogamento, secreções e espasmos da laringe, estrangulamento,
soterramento e bloqueio do ar causado por ossos, alimentos ou qualquer corpo
estranho na garganta.
B. Insuficiência de
oxigênio no ar.
Pode ocorrer em
altitudes onde o oxigênio é insuficiente, em compartimentos não ventilados, nos
incêndios em compartimentos fechados e por contaminação do ar por gases tóxicos
(principalmente emanações de motores, fumaça densa).
C. Impossibilidade do
sangue em transportar oxigênio.
D. Paralisia do
centro respiratório no cérebro.
Pode ser causada por
choque elétrico, venenos, doenças, (AVC), ferimentos na cabeça ou no aparelho
respiratório, por ingestão de grande quantidade de álcool, ou de substâncias
anestésicas, psicotrópicos e tranquilizantes.
E. Compressão do
corpo.
Pode ser causado por
forte pressão externa (por exemplo, traumatismo torácico), nos músculos
respiratórios.
“O sinal mais importante dessa situação é a dilatação das
pupilas.”
Primeiros Socorros
· A primeira conduta
é favorecer a passagem do ar através da boca e das narinas
· Afastar a causa.
· Verificar se o
acidentado está consciente
· Desapertar as
roupas do acidentado, principalmente em volta do pescoço, peito e cintura.
· Retirar qualquer
objeto da boca ou da garganta do acidentado,
para abrir e manter
desobstruída a passagem de ar.
· Para assegurar que
o acidentado inconsciente continue respirando,
coloque-a na posição
lateral de segurança.
· Iniciar a
respiração de socorro (conforme relatado a frente), tão
logo tenha sido o
acidentado colocado na posição correta. Lembrar que cada segundo é importante
para a vida do acidentado.
· Repetir a
respiração de socorro tantas vezes quanto necessário, até que o acidentado de
entrada em local onde possa receber assistência adequada.
· Manter o acidentado
aquecido, para prevenir o choque.
· Não dar líquidos
enquanto o acidentado estiver inconsciente.
· Não deixar o
acidentado sentar ou levantar. O acidentado deve permanecer deitado, mesmo
depois de ter recuperado a respiração.
· Não dar bebidas
alcoólicas ao acidentado. Dar chá ou café para beber, logo que volte a si.
· Continuar
observando cuidadosamente o acidentado, para evitar que a respiração cesse
novamente.
· Não deslocar o
acidentado até que sua respiração volte ao normal.
· Remover o
acidentado, somente deitado, mas só em caso de extrema necessidade.
· Solicitar socorro
especializado mesmo que o acidentado esteja recuperado.
Ressuscitação cardío-respiratória
Introdução
A ressuscitação
cardío-respiratória (RCR) é um conjunto de medidas utilizadas no atendimento à
vítima de parada cardío-respiratória (PCR). O atendimento correto exige desde o
início, na grande maioria dos casos, o emprego de técnicas adequadas para o
suporte das funções respiratórias e circulatórias.
A RCR é uma técnica
de grande emergência e muita utilidade. Qualquer interferência ou suspensão da
respiração espontânea constitui uma ameaça à vida. A aplicação imediata das
medidas de RCR é uma das atividades que exige conhecimento e sua execução deve
ser feita com calma e disposição. A probabilidade de execução da atividade de
RCR é bem pequena, porém se a ocasião aparecer, ela pode representar a
diferença entre a vida e a morte para o acidentado.
Podemos definir
parada cardíaca como sendo a interrupção repentina da função de bombeamento
cardíaco, que pode ser constatada pela falta de batimentos do acidentado (ao
encostar o ouvido na região anterior do tórax do acidentado), pulso ausente
(não se consegue palpar o pulso) e ainda quando houver dilatação das pupilas
(menina dos olhos),
e que, pode ser
revertida com intervenção rápida, mas que causa morte se não for tratada.
Chamamos de parada respiratória o
cessamento total da respiração, devido à falta de oxigênio e excesso de gás
carbônico no sangue.
Principais
Causas
A parada cardíaca e a
parada respiratória podem ocorrer por diversos fatores, atuando de modo isolado
ou associado. Em determinadas circunstâncias, não é possível estabelecer com
segurança qual ou quais os agentes que as produziram. Podem ser divididas em
dois grupos, e a importância desta classificação é que a conduta de quem está
socorrendo varia de acordo com a causa.
· Primárias
A parada cardíaca se
deve a um problema do próprio coração, causando uma arritmia cardíaca,
geralmente a fibrilação ventricular. A causa principal é a isquemia cardíaca (chegada
de quantidade insuficiente de sangue oxigenado ao coração).
São as principais
causas de paradas cardíacas em adultos que não foram vítimas de traumatismos.
· Secundárias
A disfunção do
coração é causada por problema respiratório ou por uma causa externa. São as
principais causas de parada cardío-respiratória em vítimas de traumatismos.
a)Oxigenação
deficiente: obstrução de vias aéreas e doenças pulmonares.
b)Transporte
inadequado de oxigênio: hemorragia grave, estado de choque, intoxicação por monóxido
de carbono.
c)Ação de fatores
externos sobre o coração: drogas e descargas elétricas.
No ambiente de
trabalho deve-se dedicar especial atenção a trabalhos com substâncias químicas,
tais como o monóxido de carbono, defensivos agrícolas, especialmente os
organofosforados, e trabalhos em eletricidade, embora o infarto do miocárdio ou
um acidente grave possa ocorrer nas mais variadas situações, inclusive no
trajeto residência-trabalho-residência, ou mesmo dormindo.
A rápida
identificação da parada cardíaca e da parada respiratória é essencial para o
salvamento de uma vida potencialmente em perigo. Uma parada respiratória não
resolvida leva o acidentado à parada cardíaca devido a hipóxia (falta de ar)
cerebral e do miocárdio.
Se o coração para
primeiro, as complicações serão maiores, pois a chegada de oxigênio ao cérebro
estará instantaneamente comprometida: os músculos respiratórios perdem
rapidamente a eficiência funcional; ocorre imediata parada respiratória podendo
ocorrer lesão cerebral irreversível e morte.
A Figura 3 dá uma
noção da relação entre o lapso de tempo decorrido entre a identificação de
parada cardío-respiratória e a possibilidade de sobrevivência, com a
instituição dos métodos de suporte básico de vida.
1 min: 98 % 3,5 min: 25% 5 min: 5%
Figura 3 - Probabilidade de Recuperação
Identificação de PCR
A parada
cardío-respiratória é o exemplo mais expressivo de uma emergência médica.
Somente uma grande hemorragia externa e o edema agudo de pulmão devem merecer a
primeira atenção antes da parada cardíaca. A identificação e os primeiros
atendimentos devem ser iniciados dentro de um período de no máximo 4 minutos a
partir da ocorrência, pois os centros vitais do sistema nervoso ainda continuam
em atividade. A partir deste tempo, como já vimos, as possibilidades de
recuperação tornam-se escassas. A eficácia da reanimação em caso de parada
cardíaca está na dependência do tempo em que for iniciado o processo de
reanimação, pois embora grande parte do organismo permaneça biologicamente
vivo, durante algum tempo, em tais condições, modificações irreversíveis podem
ocorrer no cérebro, em nível celular. Se a PCR for precedida de déficit de
oxigenação, este tempo é ainda menor.
A ausência de
circulação do sangue interrompe a oxigenação dos órgãos. Após alguns minutos as
células mais sensíveis começam a morrer.
Os órgãos mais
sensíveis à falta de oxigênio são o cérebro e o coração. A lesão cerebral
irreversível ocorre geralmente após quatro a seis minutos (morte cerebral). Os
acidentados submetidos a baixas temperaturas (hipotermia) podem suportar
períodos mais longos sem oxigênio, pois o consumo de oxigênio pelo cérebro
diminui.
No atendimento de
primeiros socorros, durante a aproximação, devemos observar elementos como
imobilidade, palidez e os seguintes sinais
que identificarão efetivamente uma parada cardío-respiratória, a fim de
iniciarmos o processo de ressuscitação, do qual dependerá a reabilitação ou não
do acidentado. Ao iniciar o atendimento devemos verificar o nível de
consciência, tentando observar as respostas do acidentado aos estímulos
verbais: "Você está bem?". Se o acidentado não responder, comunicar
imediatamente ao atendimento especializado. Posicionar o acidentado em decúbito
dorsal, sobre superfície plana e rígida.
Os
seguintes elementos deverão ser observados para a determinação de PCR:
·Ausência
de pulso numa grande artéria (por exemplo: carótida).
Esta
ausência representa o sinal mais importante de PCR e determinará o início
imediato das manobras de ressuscitação cardío-respiratória.
·Apnéia
ou respiração arquejante. Na maioria dos casos a apneia ocorre cerca de 30
segundos após a parada cardíaca; é, portanto, um sinal relativamente precoce,
embora, em algumas situações, fracas respirações espontâneas, durante um minuto
ou mais, continuem a ser observada após o início da PC. Nestes casos, é claro,
o sinal não tem valor.
·Espasmo
(contração súbita e violenta) da laringe.
·Cianose
(coloração arroxeada da pele e lábios).
·Inconsciência.
Toda vítima em PCR está inconsciente, mas várias outras emergências podem se
associar à inconsciência. É um achado inespecífico, porém sensível, pois toda
vítima em PCR está inconsciente.
·Dilatação
das pupilas, que começam a se dilatar após 45 segundos de interrupção de fluxo
de sangue para o cérebro. A midríase geralmente se completa depois de 1 minuto
e 45 segundos de PC, mas se apresentar em outras situações. Deste modo, não
utilizar a midríase para diagnóstico da PCR ou para definir que a vítima está
com lesão cerebral irreversível. A persistência da midríase com a RCR é sinal
de mau prognóstico. É um sinal bastante tardio
e
não se deve esperar por ele para início das manobras de RCR.
Ressuscitação
cardío-respiratória
A - Abertura das vias
aéreas
B - Ventilação
artificial
C - Suporte
circulatório
Apresentamos
no Quadro VII e na Figura 4, a seguir, a seqüência de suporte básico de vida em
um adulto, para orientação do pessoal que fará os primeiros atendimentos
emergenciais em casos de acidentes.
Quadro
VII - Seqüência de suporte básico de vida em adulto
Figura 4 - Instruções gerais
Limitações
da Ressuscitação cardío-respiratória
A
ressuscitação cardío-respiratória não é capaz de evitar a lesão cerebral por
períodos prolongados. Com o tempo (minutos) a circulação cerebral obtida com as
compressões torácicas vai diminuindo progressivamente até se tornar ineficaz.
Durante a ressuscitação cardíorespirat ória a pressão sistólica atinge de 60 a
80 mmHg, mas a pressão diastólica é muito baixa, diminuindo a perfusão de
vários órgãos entre os quais o coração. As paradas por fibrilação ventricular
só podem ser revertidas pela desfibrilação.
O
suporte básico da vida sem desfibrilação não é capaz de manter a vida por
períodos prolongados. A reversão da parada cardío-respiratória na maioria dos
casos também não é obtida, deste modo é necessário se solicitar apoio ao
atendimento especializado com desfibrilação e recursos de suporte avançado.
Posicionamento
para a Ressuscitação cardío-respiratória
a)Do
acidentado:
·
Posicionar o acidentado em superfície plana e firme.
·
Mantê-lo em decúbito dorsal, pois as manobras para permitir a abertura da via
aérea e as manobras da respiração artificial são mais bem executadas nesta
posição.
·
A cabeça não deve ficar mais alta que os pés, para não prejudicar o fluxo
sanguíneo cerebral.
·
Caso o acidentado esteja sobre uma cama ou outra superfície macia ele deve ser
colocado no chão ou então deve ser colocada uma tábua sob seu tronco.
·
A técnica correta de posicionamento do acidentado deve ser obedecida
utilizando-se as manobras de rolamento.
b)Da
pessoa que esta socorrendo:
·
Este deve ajoelhar-se ao lado do acidentado, de modo que seus ombros fiquem
diretamente sobre o esterno do acidentado.
Primeiros
Socorros
A
conduta de quem socorre é vital para o salvamento do acidentado.
Uma
rápida avaliação do estado geral do acidentado é que vai determinar quais
etapas a serem executadas, por ordem de prioridades. A primeira providência a
ser tomada é estabelecer o suporte básico da vida, para tal o acidentado deverá
estar posicionado adequadamente de modo a permitir a realização de manobras
para suporte básico da vida.
Adotar medidas de
autoproteção colocando luvas e máscaras.
O suporte básico da
vida consiste na administração de ventilação das vias aéreas e de compressão
torácica externa. Estas manobras de apoio vital básico constituem-se de três
etapas principais que devem ser seguidas:
· desobstrução das
vias aéreas;
· suporte
respiratório e
· suporte
circulatório.
O reconhecimento da
existência de obstrução das vias aéreas pode ser feito pela incapacidade de
ouvir ou perceber qualquer fluxo de ar pela boca ou nariz da vítima e
observando a retração respiratória das áreas supraclaviculares, supra-esternal
e intercostal, quando existem ovimentos espontâneos. A obstrução poderá ser
reconhecida pela incapacidade de insuflar os pulmões quando se tenta ventilar a
vítima. A ventilação e a circulação artificiais constituem o atendimento
imediato para as vítimas de PCR. A ventilação artificial é a primeira medida a
ser tomada na RCR. Para que essa ventilação seja executada com
sucesso é necessária à manutenção das vias aéreas permeáveis, tomando-se as
medidas necessárias para a desobstrução.
Nas vítimas
inconscientes a principal causa de obstrução é a queda da língua sobre a parede
posterior da faringe.
Como causa ou como
conseqüência da PR, pode ocorrer oclusão da hipofaringe pela base da língua ou
regurgitação do conteúdo gástrico para dentro das vias aéreas. Observar
prováveis lesões na coluna cervical ou dorsal, antes de proceder às
recomendações seguintes.
Para manter as vias
aéreas permeáveis e promover sua desobstrução, para tanto colocar o acidentado
em decúbito dorsal e fazer a hiper-extensão da cabeça, colocando a mão sob a
região posterior do pescoço do acidentado e a outra na região frontal. Com essa
manobra a mandíbula se desloca para frente e promove o estiramento dos tecidos
que ligam a faringe, desobstruindo-se a hipofaringe.
Em algumas pessoas a
hiper-extensão da cabeça não é suficiente para manter a via aérea superior
completamente permeável. Nestes casos é preciso fazer o deslocamento da
mandíbula para frente. Para fazer isso é necessário tracionar os ramos da
mandíbula com as duas mãos. Por uma das mãos na testa e a outra sob o queixo do
acidentado. Empurrar a mandíbula para cima e inclinar a cabeça do acidentado
para trás ate que o queixo esteja em um nível mais elevado que o nariz. Desta
maneira restabelece-se uma livre passagem de ar quando a língua é separada da
parte posterior da garganta. Mantendo a cabeça nesta posição, escuta-se e
observa-se para verificar se o acidentado recuperou a respiração. Em caso
afirmativo, coloque o acidentado na posição lateral de segurança.
Em outras pessoas, o
palato mole se comporta como uma válvula, provocando a obstrução nasal
expiratória, o que exige a abertura da boca.
Assim, o deslocamento
da mandíbula, a extensão da cabeça e a abertura da boca são manobras que
permitem a obtenção de uma via supraglótica, sem a necessidade de qualquer
equipamento. Além disso, pode ser preciso a limpeza manual imediata da via
aérea para remover material estranho ou secreções presentes na orofaringe. Usar
os próprios dedos protegidos com lenço ou compressa.
Duas manobras
principais são recomendadas para a desobstrução manual das vias aéreas:
Figura
5 - Varredura digital
b)
Manobra de Levantamento da Língua / Mandíbula Deve ser feita com o acidentado
relaxado. Introduzir o polegar dentro da boca e garganta do acidentado. Com a
ponta do polegar, evantar a base da língua. Com os dedos segurar a mandíbula ao
nível do queixo e trazê-la para frente.
Outra
forma prática de desobstruir as vias aéreas é o uso de pancadas e golpes que
são dados no dorso do acidentado em sucessão rápida. As pancadas são fortes e
devem ser aplicadas com a mão em concha entre as escápulas da vítima. A técnica
deve ser feita com o paciente sentado, deitado ou em pé.
Algumas
vezes a simples execução de certas manobras é suficiente para tornar permeáveis
as vias aéreas, prevenir ou mesmo tratar uma parada respiratória, especialmente
se a PR, é devida a asfixia por obstrução e esta é removida de imediato. Em
muitos casos, porém, torna-se necessário a ventilação artificial.
Suporte Respiratório
A ventilação
artificial é indicada nos casos de as vias aéreas estarem permeáveis e na
ausência de movimento respiratório.
Os músculos de uma
pessoa inconsciente estão completamente relaxados. A língua retrocederá e
obstruirá a garganta. Para eliminar esta obstrução, fazer o que foi descrito
anteriormente.
Constatada a
permeabilidade das vias aéreas e a ausência de movimento respiratório, passar
imediatamente à aplicação da respiração boca a boca.
Lembrar de que quando
encontrarmos um acidentado inconsciente, não tentar reanimá-lo sacudindo-o e
gritando.
1. Respiração Boca a
Boca
Universalmente a
ventilação artificial sem auxílio de equipamentos provou que a respiração boca
a boca é a técnica mais eficaz na ressuscitação de vítimas de parada
cardío-respiratória. Esta manobra é melhor que as técnicas de pressão nas costas
ou no tórax, ou o levantamento dos braços; na maioria dos casos, essas manobras
não conseguem ventilar adequadamente os pulmões.
O ar exalado de quem
está socorrendo contém cerca de 18% de oxigênio e é considerado um gás adequado
para a ressuscitação desde que os pulmões da vítima estejam normais e que se
use cerca de duas vezes os volumes correntes normais.
Para iniciar a
respiração boca a boca e promover a ressuscitação cardiorrespiratória, deve-se
obedecer a seguinte sequencia:
·Deitar o acidentado
de costas.
·Desobstruir as vias
aéreas. Remover prótese dentária (caso haja), limpar sangue ou vômito.
·Pôr uma das mãos sob
a nuca do acidentado e a outra mão na testa.
· Inclinar a cabeça
do acidentado para trás ate que o queixo fique
em um nível superior
ao do nariz, de forma que a língua não impeça a passagem de ar, mantendo-a
nesta posição.
·Fechar bem as
narinas do acidentado, usando os dedos polegar e
indicador, utilizando
a mão que foi colocada anteriormente na testa do acidentado.
·Inspirar profundamente.
·Colocar a boca com
firmeza sobre a boca do acidentado, vedandoa totalmente (Figura 6).
·Soprar vigorosamente
para dentro da boca do acidentado, até notar que seu peito está levantando.
Figura 6 - Ventilação
boca a boca
·Fazer leve
compressão na região do estômago do acidentado, para que o ar seja expelido.
·Inspirar
profundamente outra vez e continuar o procedimento na forma descrita, repetindo
o movimento tantas vezes quanto necessário (cerca de 15 vezes por minuto) até
que o acidentado possa receber assistência médica.
Se a respiração do
acidentado não tiver sido restabelecida após as tentativas dessa manobra, ela
poderá vir a ter parada cardíaca, tornando necessária a aplicação de massagem
cardíaca externa.
2. Método Holger -
Nielsen
·Deitar o acidentado
de bruços com uma das mãos sobre a outra, embaixo da cabeça.
·Virar a cabeça do
acidentado de lado, deixando livres a boca e o nariz.
·Ajoelhar em frente à
cabeça do acidentado e segurar cada um dos braços do mesmo, logo acima dos
cotovelos.
·Levantar os braços
do acidentado até sentir resistência.
·Baixar os braços do
acidentado.
·Colocar
imediatamente, as palmas das mãos abertas sobre as costas do acidentado (um
pouco acima das axilas).
·Inclinar para frente
o seu próprio corpo sem dobrar os cotovelos e fazer pressão sobre as costas do
acidentado, mantendo seus braços sobre elas, mais ou menos na vertical.
·Prosseguir
ritmadamente, repetindo os movimentos descritos no item anterior, cerca de 10
vezes por minuto.
Observação:
a)Para calcular a
duração de cada tempo, contar baixo e sem pressa.
b) Assim que começar
a respiração artificial, pedir a outra pessoa para desapertar a roupa do
acidentado, principalmente no peito e pescoço.
3. Método Sylvester
Também aplicado
quando não puder ser feito o método boca a boca.
·Colocar o acidentado
deitado com o rosto para cima e pôr algo por baixo dos seus ombros, para que
ele fique com a cabeça inclinada para trás.
·Ajoelhar de frente
para o acidentado e pôr a cabeça dele entre seus joelhos.
·Segurar os braços do
acidentado pelos pulsos, cruzando-os e comprimindo-os contra o peito dela.
·Segurar os braços do
acidentado primeiro para cima, depois para os lados e a seguir para trás, em
movimentos sucessivos.
Massagem
Cardíaca Externa ou Compressão Torácica
É
o método efetivo de ressuscitação cardíaca que consiste em aplicações rítmicas
de pressão sobre o terço inferior do esterno.
O
aumento generalizado da pressão no interior do tórax e a compressão do coração
fazem com que o sangue circule. Mesmo com a aplicação perfeita das técnicas a
quantidade de sangue que circula está entre 10% a 30% do normal.
Para
realizar a massagem cardíaca externa deve-se posicionar a vítima em decúbito
dorsal como já citado anteriormente.
Posicionar
ajoelhado, ao lado do acidentado e num plano superior, de modo que possa
executar a manobra com os braços em extensão.
Em
seguida apoiar as mãos uma sobre a outra, na metade inferior do esterno,
evitando fazê-lo sobre o apêndice xifóide, pois isso tornaria a manobra
inoperante e machucaria as vísceras. Não se deve permitir que o resto da mão se
apóie na parede torácica. A compressão deve ser feita sobre a metade inferior
do esterno, porque essa é a parte que está mais próxima do coração. Com os
braços em hiper-extensão, aproveite o peso do seu próprio corpo para aplicar a
compressão, tornando-a mais eficaz e menos cansativa do que se utilizada a
força dos braços.
Aplicar
pressão suficiente para baixar o esterno de 3,8 a 5 centímetros para um adulto
normal e mantê-lo assim por cerca de meio segundo. O ideal é verificar se a
compressão efetuada é suficiente para gerar um pulso carotídeo palpável Com
isso se obtém uma pressão arterial média e um contorno de onda de pulso próximo
do normal.
Figura
7 - Técnica de massagem cardíaca externa
Em seguida
remover subitamente a compressão que, junto com a
pressão
negativa, provoca o retorno de sangue ao coração. Isso sem retirar as mãos do
tórax da vítima, garantindo assim que não seja perdida a posição correta das
mãos.
As
compressões torácicas e a respiração artificial devem ser combinadas para que a
ressuscitação cardío-respiratória seja eficaz. A relação
ventilações/compressões varia com a idade do acidentado e com o número de
pessoas que estão fazendo o atendimento emergencial.
A
freqüência das compressões torácicas deve ser mantida em 80 a 100 por minuto.
Com a pausa que é efetuada para ventilação, a freqüência real de compressões
cai para 60 por minuto.
A
aplicação da massagem cardíaca externa pode trazer conseqüências graves, muitas
vezes fatais. Podemos citar dentre elas, fraturas de costelas e do esterno,
separação condrocostal, ruptura de vísceras, contusão miocárdica e ruptura
ventricular. Essas complicações,
no
entanto, poderão ser evitadas se a massagem for realizada com a técnica
correta.
É, portanto, muito importante que nos preocupemos com a correta posição das
mãos e a quantidade de força que deve ser aplicada.
A
massagem cardíaca externa deve ser aplicada em combinação com a respiração boca
a boca. O ideal é conseguir alguém que ajude para que as manobras não sofram
interrupções devido ao cansaço.
“É absolutamente contra
indicado cessar as massagens por um tempo superior a alguns segundos, pois a
corrente sanguínea produzida pela compressão externa é inferior à normal,
representando apenas de 40 a 50% da circulação normal. Portanto, qualquer
interrupção maior no processo diminuirá a afluência de sangue no organismo.”
O Quadro VIII dá as
frequências consideradas ideais, para o trabalho de ressuscitação combinada de
respiração boca a boca e massagem cardíaca externa com um ou duas pessoas
socorrendo.
Freqüência
das Manobras de Ressuscitação cardio-respiratória
|
||
Obs: iniciar as
manobras sempre com 4 respirações
|
||
Nº de Socorristas
|
Quantidade de
Respirações
|
Quantidade de
Compressões
|
01 pessoa
|
02 (boca a boca)
|
15
|
02 pessoas
|
01 (boca a boca)
|
05
|
Quadro
VIII - Frequência das manobras de Ressuscitação Cardiorrespiratória
No
caso de duas pessoas estarem socorrendo, a pessoa que se encarrega da
respiração boca a boca poderá controlar a pulsação carotídea.
Convém
lembrar que o pulso palpado durante a massagem cardíaca externa não é
suficiente para indicar uma circulação eficaz. A sensação de pulso pode ser
devida à transmissão da compressão pelos tecidos moles. A manutenção ou
aparecimento da respiração espontânea durante a massagem cardíaca externa,
associada ou não à respiração boca a boca, é o melhor indício de ressuscitação
cardiorrespiratória satisfatória.
“Não se deve desanimar em obter a recuperação
da respiração e dos batimentos cardíacos do acidentado. É preciso mandar que
procurem socorro médico especializado com a maior urgência. É preciso ter
paciência, calma e disposição. Qualquer interrupção na tentativa de
ressuscitação da vítima até a chegada de socorro especializado implicará
fatalmente em morte.”
Reavaliação
· Verificar pulso carotídeo após um
minuto de ressuscitação cardíorespiratória e depois a cada três minutos.
· Se pulso presente, verificar
presença de respiração eficaz.
- Respiração presente: manter a vítima
sob observação.
- Respiração ausente: continuar os
procedimentos de respiração artificial e contatar com urgência o atendimento
especializado.
· Se o pulso ausente, iniciar RCR
pelas compressões torácicas.
· Verificar
diâmetro das pupilas.
Erros Comuns na Execução da
Ressuscitação cardíorespiratória
· Posição incorreta das mãos.
· Profundidade de compressões
inadequada
· Incapacidade de manter um selamento
adequado ao redor do nariz e da boca durante a ventilação.
· Dobrar os cotovelos ou joelhos
durante as compressões levando ao cansaço.
· Ventilações com muita força e
rapidez levando à distensão do estômago.
· Incapacidade de manter as vias
aéreas abertas.
· Não ativação rápida
do atendimento especializado.
Estado de Choque
O choque é um complexo
grupo de síndromes cardiovasculares agudas que não possui, uma definição única
que compreenda todas as suas diversas causas e origens. Didaticamente, o estado
de choque se dá quando há mal funcionamento entre o coração, vasos sangüíneos
(artérias ou veias) e o sangue, instalando-se um desequilíbrio no organismo.
O choque é uma grave
emergência médica. O correto atendimento exige ação rápida e imediata. Vários
fatores predispõem ao choque. Com a finalidade de facilitar a análise dos
mecanismos, considera-se especialmente para estudo o choque hipovolêmico, por
ter a vantagem de apresentar uma seqüência bem definida. Há vários tipos de
choque:
Choque Hipovolêmico
É o choque que ocorre
devido à redução do volume intravascular por causa da perda de sangue, de
plasma ou de água perdida em diarreia e vômito.
Choque Cardiogênico
Ocorre na
incapacidade de o coração bombear um volume de sangue suficiente para atender
às necessidades metabólicas dos tecidos.
Choque
Septicêmico
Pode ocorrer devido a uma infecção
sistêmica.
Choque
Anafilático
É uma reação de hipersensibilidade
sistêmica, que ocorre quando um indivíduo é exposto a uma substância à qual é
extremamente alérgico.
Choque
Neurogênico
É o choque que decorre da redução do
tônus vasomotor normal por distúrbio da função nervosa. Este choque pode ser
causado, por exemplo, por transecção da medula espinhal ou pelo uso de
medicamentos, como bloqueadores ganglionares ou depressores do sistema nervoso
central.
O reconhecimento da iminência de
choque é de importância vital para o salvamento da vítima, ainda que pouco
possamos fazer para reverter a síndrome. Muitas vezes é difícil este
reconhecimento, mas podemos notar algumas situações predisponentes ao choque e
adotar condutas para evitá-lo ou retardá-lo. De uma maneira geral, a prevenção
é consideravelmente mais eficaz do que o tratamento do estado de choque.
O choque pode ser provocado por várias
causas, especialmente de origem traumáticas. Devemos ficar sempre atentos à
possibilidade de choque, pois a grande maioria dos acidentes e afecções
abordadas neste manual pode gerar choque, caso não sejam atendidos
corretamente.
Causas Principais do Estado de Choque
· Hemorragias intensas (internas ou
externas)
· Infarto
· Taquicardias
· Bradicardias
· Queimaduras graves
· Processos inflamatórios do coração
· Traumatismos do crânio e
traumatismos graves de tórax e abdômen
· Envenenamentos
· Afogamento
· Choque elétrico
· Picadas de animais peçonhentos
· Exposição a extremos de calor e frio
· Septicemia
No ambiente de
trabalho, todas as causas citadas acima podem ocorrer, merecendo especial
atenção os acidentes graves com hemorragias extensas, com perda de substâncias
orgânicas em prensas, moinhos, extrusoras, ou por choque elétrica, ou por
envenenamentos por produtos químicos, ou por exposição a temperaturas extremas.
Sintomas
A vítima de estado de choque ou na
iminência de entrar em choque apresenta geralmente os seguintes sintomas:
· Pele pálida, úmida, pegajosa e fria.
Cianose (arroxeamento) de extremidades, orelhas, lábios e pontas dos dedos.
· Suor intenso na testa e palmas das
mãos.
· Fraqueza geral.
· Pulso rápido e fraco.
· Sensação de frio, pele fria e
calafrios.
· Respiração rápida, curta, irregular
ou muito difícil.
· Expressão de ansiedade ou olhar indiferente
e profundo com pupilas dilatadas, agitação.
· Medo (ansiedade).
· Sede intensa.
· Visão nublada.
· Náuseas e vômitos.
· Respostas insatisfatórias a
estímulos externos.
· Perda total ou parcial de
consciência.
· Taquicardia
Prevenção
do Choque
Algumas providências
podem ser tomadas para evitar o estado de choque. Mas infelizmente não há
muitos procedimentos de primeiros socorros a serem tomados para tirar a vítima
do choque.
Existem algumas
providências que devem ser memorizadas com o intuito permanente de prevenir o
agravamento e retardar a instalação do estado de choque.
DEITAR A VÍTIMA: A
vítima deve ser deitada de costas. Afrouxar as roupas da vítima no pescoço,
peito e cintura e, em seguida, verificar se há presença de prótese dentária,
objetos ou alimento na boca e os retirar.
Os membros inferiores
devem ficar elevados em relação ao corpo. Isto pode ser feito colocando-os
sobre uma almofada, cobertor dobrado ou qualquer outro objeto. Este
procedimento deve ser feito apenas se não houver fraturas desses membros; ele
serve para melhorar o retorno sanguíneo e levar o máximo de oxigênio ao
cérebro. Não erguer os membros inferiores da vítima a mais de 30 cm do solo. No
caso de ferimentos no tórax que dificultem a respiração ou de ferimento na cabeça,
os membros inferiores não devem ser elevados.
No caso de a vítima estar inconsciente, ou se estiver consciente, mas
sangrando pela boca ou nariz, deitá-la na posição lateral de segurança (PLS),
para evitar asfixia, conforme demonstrado na Figura 8
Figura
8 - Posição lateral de segurança
RESPIRAÇÃO:
Verificar quase que simultaneamente se a vítima respira.
Deve-se
estar preparado para iniciar a respiração boca a boca, caso a vítima pare de
respirar.
PULSO:
Enquanto as providências já indicadas são executadas, observar o pulso da
vítima.No choque o pulso da vítima apresenta-se rápido e fraco (taquisfigmia).
CONFORTO:
Dependendo do estado geral e da existência ou não de fratura, a vítima deverá
ser deitada da melhor maneira possível. Isso significa observar se ela não está
sentindo frio e perdendo calor. Se for preciso, a vítima deve ser agasalhada
com cobertor ou algo semelhante, como uma lona ou casacos.
TRANQUILIZAR
A VÍTIMA: Se o socorro médico estiver demorando, tranqüilizar a vítima, mantendo-a
calma sem demonstrar apreensão quanto ao seu estado. Permanecer em vigilância
junto à vítima para dar-lhe segurança e para monitorar alterações em seu estado
físico e de consciência.
Em todos os casos de
reconhecimento dos sinais e sintomas de estado de choque, providenciar
imediatamente assistência especializada. A vítima vai necessitar de tratamento
complexo que só pode ser feito por profissionais e recursos especiais para
intervir nestes casos.
Transporte de
Acidentados
Introdução
O
transporte de acidentados é um determinante da boa prestação de primeiros
socorros. Um transporte mal feito, sem técnica, sem conhecimentos pode provocar
danos muitas vezes irreversíveis à integridade física do acidentado. Existem
várias maneiras de se transportar um acidentado. Cada maneira é compatível com
o tipo de situação em que o acidentado se encontra e as circunstâncias gerais
do acidente. Cada técnica de transporte requer habilidade e maneira certa para
seja executada. Quase sempre é necessário o auxílio de outras pessoas,
orientadas por quem estiver prestando os primeiros socorros.
De
uma maneira geral, o transporte bem realizado deve adotar princípios de
segurança para a proteção da integridade do acidentado; conhecimento das
técnicas para o transporte do acidentado consciente, que não pode deambular;
transporte do acidentado inconsciente; cuidados com o tipo de lesão que o
acidentado apresenta e técnicas e materiais para cada tipo de transporte.
Em
muitos tipos de transporte teremos de contar com o auxílio de um, dois ou mais
voluntários. Para estes casos a técnica correta também varia de acordo com o
número de pessoas que realizam o transporte. O transporte de vítimas é assunto
que suscita polêmicas. Devemos tentar troca de informações entre pessoas que
tenham experiências, no intuito de transformá-las em exemplos úteis. Além
disto, trata-se de assunto em que a proficiência depende quase que
exclusivamente de prática e habilidade física. É importante praticar o máximo
possível, até que se tenha certeza de que não restam dúvidas.
Algumas
regras e observações genéricas e teóricas devem ser aprendidas e
conscientizadas por todos, independentemente de suas habilidades físicas para
realizar o transporte de um acidentado. Apesar de não ser de nossa competência
é conveniente que conheçamos algumas práticas relativas à atividade de resgate
de vítimas de acidentes.
Resgate
A própria existência
da atividade de primeiros socorros estabelece implicitamente o atendimento do
acidentado no próprio local da ocorrência de uma emergência, acidente ou
problema clínico. Muitas vezes, dadas às proporções e circunstâncias em que
ocorrem outros eventos, existe perigo para quem está socorrendo e para as
vítimas.
Se um acidentado, por
exemplo, está se afogando, ou exposto a descargas elétricas, gases e outras
substâncias tóxicas, inflamáveis ou explosivas e corrosivas, o primeiro cuidado
a ser tomado é o resgate do mesmo. Quem socorre deverá ser capaz de identificar
a quantidade e a qualidade dos riscos que se apresentam em cada caso e saber
como resolver o problema, evitando expor-se inutilmente. É preciso também ter
consciência da necessidade de agir rigorosamente dentro de seus limites e de
sua competência. Nos casos de resgate de vítimas de acidentes, só depois de
efetuado o resgate é que podemos assumir a iniciativa de prestar os primeiros
socorros.
Independentemente da
atuação do pessoal da segurança, se existir, quem for socorrer deverá estar
sempre preparado para orientar ou realizar ele mesmo o resgate. É preciso
estudar com atenção as noções de resgate que estão contidas nos itens sobre
choque elétrico, incêndio, gases e substâncias tóxicas. Deve ainda ter sempre
consigo informações e números de telefones dos hospitais, serviços de
ambulância e centro de informações tóxico-farmacológicas.
Transporte de Acidentados
As técnicas e
orientações contidas aqui são as mesmas desenvolvidas, acatadas e recomendadas
internacionalmente pela Liga de Sociedade da Cruz Vermelha e do Crescente
Vermelho, conforme estabelecido no Curso de Formação de Monitores de Primeiros
Socorros, na Cruz Vermelha Brasileira, Caderno nº 2, capítulo 10, 1973.
O transporte de
acidentados ou de vítimas de mal súbito requer de quem for socorrer o máximo
cuidado e correção de desempenho, com o objetivo de não lhes complicar o estado
de saúde com o agravamento das lesões existentes.
Antes de iniciar
qualquer atividade de remoção e transporte de acidentados, assegurar-se da
manutenção da respiração e dos batimentos cardíacos; hemorragias deverão ser
controladas e todas as lesões traumatoortopédicas deverão ser imobilizadas. O
estado de choque deve ser prevenido. O acidentado de fratura da coluna cervical
só pode ser transportado, sem orientação médica ou de pessoal especializado,
nos casos de extrema urgência ou iminência de perigo para o acidentado e para
quem estiver socorrendo-o.
Enquanto se prepara o
transporte de um acidentado, acalmá-lo, principalmente demonstrando
tranqüilidade, com o controle da situação.
É necessário estar
sereno para que o acidentado possa controlar suas próprias sensações de temor
ou pânico. É recomendável o transporte de pessoas nos seguintes casos:
·
Vítima inconsciente.
·
Estado de choque instalado.
·
Grande queimado.
·
Hemorragia abundante. Choque.
·
Envenenado, mesmo consciente.
·
Picado por animal peçonhento.
·
Acidentado com fratura de membros inferiores, bacia ou coluna vertebral.
·
Acidentados com luxação ou entorse nas articulações dos membros inferiores.
O
uso de uma, duas, três ou mais pessoas para o transporte de um acidentado
depende totalmente das circunstâncias de local, tipo de acidente, voluntários
disponíveis e gravidade da lesão. Os métodos que empregam um a duas pessoas
socorrendo são ideais para transportar um acidentado que esteja inconsciente
devido a afogamento, asfixia e envenenamento.
Este
método, porém, não é recomendável para o transporte de um ferido com suspeita
de fratura ou outras lesões mais graves. Para estes casos, sempre que possível,
deve-se usar três ou mais pessoas.
Para
o transporte de acidentados em veículos, alguns cuidados devem ser observados.
O corpo e a cabeça do acidentado deverão estar seguros, firmes, em local
acolchoado ou forrado. O condutor do veículo deverá ser orientado para evitar
freadas bruscas e manobras que provoquem balanços exagerados. Qualquer excesso
de velocidade deverá ser evitado, especialmente por causa do nervosismo ou
pressa em salvar o acidentado. O excesso de velocidade, ao contrário, poderá
fazer novas vítimas. Se for possível, deve ser usado o cinto de segurança.
Antes
de remover um acidentado, os seguintes
procedimentos
devem ter sido observados:
·Restauração
ou manutenção das funções respiratória e circulatória
·Verificação
de existência e gravidade de lesões
·Controle
de hemorragia
·Prevenção
e controle de estado de choque
·Imobilização
dos pontos de fratura, luxação ou entorse.
Para
o transporte, cuidar para que se use veículo grande e espaçoso, a ser dirigido
por motorista habilitado. Além disto:
·Acompanhar
e assistir o acidentado durante o transporte, verificando e mantendo as funções
respiratória e circulatória, monitorizando o estado de consciência e pulso,
sempre que for necessário, solicitado ou na ausência de pessoal de saúde
especializado para realizar estas ações.
·Orientar
o motorista para evitar freadas súbitas e manobras que provoquem balanços.
·Assegurar
o conforto e segurança do acidentado dentro do veículo transportador.
·Sempre
que possível anotar e registrar, de preferência em papel, todos os sinais e
sintomas observados e a assistência que foi prestada. Estas informações devem
acompanhar o acidentado, mesmo na ausência de quem o socorreu, e podem vir a
ser de grande utilidade no atendimento posterior.
Métodos
de Transporte - uma pessoa só socorrendo
Transporte de Apoio
Passa-se o braço do acidentado por trás
da sua nuca, segurando-a
com um de seus braços, passando seu
outro braço por trás das costas do
acidentado, em
diagonal (Figura 9).
Figura
9 - Transporte de apoio
Este
tipo de transporte é usado para as vítimas de vertigem, de desmaio, com ferimentos
leves ou pequenas perturbações que não os tornem inconscientes e que lhes
permitam caminhar.
Transporte
ao Colo
Uma
pessoa sozinha pode levantar e transportar um acidentado, colocando um braço
debaixo dos joelhos do acidentado e o outro, bem firme, em torno de suas
costas, inclinando o corpo um pouco para trás (Figura 36). O acidentado
consciente pode melhor se fixar, passando um
de
seus braços pelo pescoço da pessoa que o está socorrendo. Caso se encontre
inconsciente, ficará com a cabeça estendida para trás, o que é muito bom, pois
melhora bastante a sua ventilação.
Figura
10 - Transporte ao colo
Usa-se este tipo de
transporte em casos de envenenamento ou picada por animal peçonhento, estando o
acidentado consciente, ou em casos de fratura, exceto da coluna vertebral.
Transporte nas Costas
Uma
só pessoa socorrendo também pode carregar o acidentado nas costas. Esta põe os
braços sobre os ombros da pessoa que está socorrendo por trás, ficando suas
axilas sobre os ombros deste (Figura 37). A pessoa que está socorrendo busca os
braços do acidentado e segurados, carregando o acidentado arqueado, como se ela
fosse um grande saco em suas costas.
O
transporte nas costas é usado para remoção de pessoas envenenadas ou com
entorses e luxações dos membros inferiores, previamente imobilizados.
Figura 11 -
Transporte nas costas
Transporte de
Bombeiro
Primeiro coloca-se o
acidentado em decúbito ventral. Em seguida, ajoelha-se com um só joelho e, com
as mãos passando sob as axilas do acidentado, o levanta, ficando agora de pé,
de frente para ele.
A pessoa que está
prestando os primeiros socorros coloca uma de suas mãos na cintura do
acidentado e com a outra toma o punho, colocando o braço dela em torno de seu
pescoço. Abaixa-se, então, para frente, deixando que o corpo do acidentado caia
sobre os seus ombros.
A mão que segurava a
cintura do acidentado passa agora por entre as coxas, na altura da dobra do
joelho, e segura um dos punhos do acidentado, ficando com a outra mão livre.
Conforme a sequencia de procedimentos mostrados na Figura 12.
Este
transporte pode ser aplicado em casos que não envolvam fraturas e lesões
graves. É um meio de transporte eficaz e muito útil, se puder ser realizado por
uma pessoa ágil e fisicamente capaz.
Transporte de Arrasto em Lençol
Seguram-se
as pontas de uma das extremidades do lençol, cobertor ou lona, onde se encontra
apoiada a cabeça do acidentado, suspende-se um pouco e arrasta-se a pessoa para
o local desejado (Figura 13).
Figura 13 -
Transporte de arrasto
Manobra de Retirada
de Acidentado, com Suspeita de Fratura de Coluna, de um Veículo.
A pessoa que for
prestar os primeiros socorros, colocando-se por trás passa as mãos sob as
axilas do acidentado, segura um de seus braços de encontro ao seu tórax, e a
arrasta para fora do veículo, apoiando suas costas nas coxas, como pode ser
visto na seqüência de procedimentos mostrados na Figura 14 a seguir.
Esta manobra deve ser
feita apenas em situações de extrema urgência.
Transporte
de Apoio
Passa-se
o braço do acidentado por trás da nuca das duas pessoas que estão socorrendo,
segurando-a com um dos braços, passando o outro braço por trás das costas do
acidentado, em diagonal (Figura 15).
Figura
15 - Transporte de apoio
Transporte
de Cadeirinha (Figura 16)
a)
As duas pessoas se ajoelham, cada uma de um lado da vítima. Cada uma passa um
braço sob as costas e outro sob as coxas da vítima.
Então,
cada um segura com uma das mãos o punho e, com a outra, o ombro do companheiro.
As duas pessoas erguem-se lentamente, com a vítima sentada na cadeira
improvisada.
b)
Cada uma das pessoas que estão prestando os primeiros socorros segura um dos
seus braços e um dos braços do outro, formando-se um assento onde a pessoa
acidentada se apóia, abraçando ainda o pescoço e os ombros das pessoas que a
está socorrendo.
Figura 16 -
Transporte de Cadeirinha
Transporte pelas
Extremidades
Uma das pessoas que
estão prestando os primeiros socorros segura com os braços o tronco da vítima,
passando-os por baixo das axilas da mesma. A outra, de costas para o primeiro,
segura as pernas da vítima com seus braços (Figura 17).
Figura
17 - Transporte pelas extremidades
Transporte
ao Colo
A
vítima é abraçada e levantada, de lado, até a altura do tórax das pessoas que a
estão socorrendo.
O
acidentado pode ser um fraturado ou luxado de ombro superior ou inferior, e o
membro afetado deve sempre ficar para o lado do corpo das pessoas que estão
socorrendo, a fim de melhor protegê-lo (tendo sido antes imobilizado), conforme
mostrado na Figura 18.
Transporte
de Cadeira
Quando
a vítima está numa cadeira, pode-se transportar esta com a vítima, da seguinte
maneira: uma pessoa segura a parte da frente da cadeira, onde os pés se juntam
ao assento. O outro segura lateralmente os espaldares da cadeira pelo meio. A
cadeira fica inclinada para trás, pois a pessoa da frente coloca a borda do
assento mais alto que a de trás (Figura 19). A atenção durante a remoção é muito importante para que a
vítima não caia.
Figura
19 - Transporte de cadeira
Transporte
de Maca
A
maca é o melhor meio de transporte. Pode-se fazer uma boa maca abotoando-se
duas camisas ou um paletó em duas varas ou bastões, ou enrolando um cobertor dobrado
em três, envolta de tubos de ferro ou bastões (Figura 51). Pode-se ainda usar
uma tábua larga e rígida ou mesmo uma porta.
Nos
casos de fratura de coluna vertebral, deve-se tomar o cuidado de acolchoar as
curvaturas da coluna para que o próprio peso não lese a medula.
Se
a vítima estiver de bruços (decúbito ventral), e apresentar vias aéreas
permeáveis e sinais vitais presentes, deve ser transportada nesta posição, com
todo cuidado, pois colocá-la em outra posição pode agravar uma lesão na coluna.
Figura
20- Transporte de maca
Métodos de Transportes Feito por
Três ou Mais Pessoas Transporte ao Colo
Havendo três
pessoas, por exemplo, eles se colocam enfileirados ao lado da vítima, que deve
estar de abdômen para cima. Abaixam-se apoiados num dos joelhos e com seus
braços a levantam até a altura do outro joelho.
Em seguida,
erguem-se todos ao mesmo tempo, trazendo a vítima de lado ao encontro de seus
troncos, e a conduzem para o local desejado.
Veja
o passo a passo na Figura 21
Figura 21 -
Transporte ao colo
Transporte de Lençol pelas
Extremidades
Com quatro pessoas, cada um segura uma
das pontas do lençol, cobertor ou lona, formando uma espécie de rede onde é
colocada e transportada a vítima (Figura 22). Este transporte não serve para
lesões de coluna. Nestes casos a vítima deve ser transportada em superfície
rígida.
Figura 22- Transporte
pelas extremidades
Transporte de Lençol
pelas Bordas
Coloca-se a vítima no
meio do lençol enrolam-se as bordas laterais deste, bem enroladas. Estes lados
enrolados permitem segurar firmemente o lençol e levantá-lo com a vítima. Em
geral, duas pessoas de cada lado podem fazer o serviço, mais três é melhor
(Figura 23).
Figura
23- Transporte pelas bordas
Remoção
de vítima com suspeita de fratura de coluna (consciente
ou não)
A
remoção de uma vítima com suspeita de fratura de coluna ou de bacia e/ou
acidentado em estado grave, com urgência de um local onde a maca não consegue
chegar, deverá ser efetuada como se seu corpo fosse uma peça rígida,
levantando, simultaneamente, todos os segmentos do seu corpo, deslocando o
acidentado até a maca (Figura 24).
A falta dos cuidados
anteriormente descritos pode agravar as lesões ocorridas nos acidentes.
Devido às
circunstâncias em que muitas emergências ocorrem, é importante que estejamos
capacitados a tomar decisões corretas e saiba improvisar os materiais necessários
à sua ação, a partir dos recursos disponíveis no local da ocorrência.
Esta capacidade requer bom
senso, criatividade e espírito prático, que constituem elementos fundamentais
para formação de quem for socorrer a vítima.
Assim,
daremos apenas alguns exemplos de improvisação de macas para o transporte de
vítimas:
1.Cabos
de vassoura, galhos resistentes de árvores, canos, portas, tábuas, pranchas,
cobertores, paletós, camisas, lençóis, lonas, tiras de pano, sacos de pano,
cordas, barbantes, cipós e uma série de materiais são adequados e de utilidade
para se improvisar uma maca.
Varas,
cabos de vassoura, canos ou galhos podem ser introduzidos em dois paletós,
casacos, gandula. As mangas deverão ser viradas do avesso e passadas por dentro
do casaco ou gandula, e estes abotoados para que fiquem firmes.
2.
Cipó, corda, barbante ou arame de tamanho adequado podem ser trançados entre
dois bastões rígidos dos exemplos já sugeridos, para formar uma espécie de rede
flexível e esticada.
3.
Manta, cobertor, lençol, toalha ou lona podem ser dobrados sobre dois bastões
rígidos (conforme sugerido) da maneira com está indicada na Figura 25.
4.
Os mesmos materiais do exemplo anterior poderão ainda servir de maca, mesmo que
não seja possível encontrar bastões rígidos (conforme sugerido). Deve-se agir
como indicado na Figura 25.
Figura 25-
Improvisação de macas
Hemorragias
Definição
É a perda de sangue
através de ferimentos, pelas cavidades naturais como nariz, boca, etc; ela pode
ser também, interna, resultante de um traumatismo.
As hemorragias podem
ser classificadas inicialmente em arteriais e venosas, e, para fins de
primeiros socorros, em internas e externas.
Hemorragias Arteriais: É aquela hemorragia em que o sangue
sai em jato pulsátil e se apresenta com coloração vermelho vivo.
Hemorragias Venosas: É aquela hemorragia em que o sangue é
mais escuro e sai continuamente e lentamente, escorrendo pela ferida.
Hemorragia Externa: É aquela na qual o sangue é eliminado
para o exterior do organismo, como acontece em qualquer ferimento externo, ou
quando se processa nos órgãos internos que se comunicam com o exterior, como o
tubo digestivo, ou os pulmões ou as vias urinárias.
Hemorragia Interna: É aquela na qual o sangue extravasa
em uma cavidade pré-formada do organismo, como o peritoneu, pleura, pericárdio,
meninges, cavidade craniana e câmara do olho.
Consequências das Hemorragias
· Hemorragias graves
não tratadas ocasionam o desenvolvimento do estado de choque e morte.
· Hemorragias lentas
e crônicas (por exemplo, através de uma úlcera) causam anemia (ou seja,
quantidade baixa de glóbulos vermelhos).
Quadro Clínico
Varia com a
quantidade perdida de sangue, velocidade do sangramento, estado prévio de saúde
e idade do acidentado.
A. Quantidade de
sangue perdido (Quadro IX)
Quanto maior a
quantidade perdida, mais graves serão as hemorragias. Geralmente a perda de
sangue não pode ser medida, mas pode ser estimada através da avaliação do
acidentado (sinais de choque compensado ou descompensado).
B.Velocidade
Quanto mais rápida as
hemorragias, menos eficientes são os mecanismos compensatórios do organismo. Um
indivíduo pode suportar uma perda de um litro de sangue, que ocorre em período
de horas, mas não tolera esta mesma perda se ela ocorrer em minutos. Não pode
ser medida, mas pode ser estimada através de dados clínicos do acidentado.
A hemorragia arterial
é menos freqüente, mas é mais grave e precisa de atendimento imediato para sua
contenção e controle. A hemorragia venosa é a que ocorre com maior freqüência,
mas é de controle mais fácil, pois o sangue sai com menor pressão e mais
lentamente.
As hemorragias podem
se constituir em condições extremamente graves. Muitas hemorragias pequenas
podem ser contidas e controladas por compressão direta na própria ferida, e
curativo compressivo. Uma hemorragia grande não controlada, especialmente se
for uma hemorragia arterial, pode levar o acidentado à morte em menos de 5
minutos, devido à redução do volume intravascular e hipoxia cerebral (anemia
aguda).
A hemorragia nem
sempre é visível, podendo estar oculta pela roupa ou posição do acidentado, por
exemplo, uso de roupas grossas, onde a absorção do sangue é completa ou
hemorragias causadas por ferimentos nas costas quando o acidentado estiver
deitada de costas. O sangue pode ser absorvido pelo solo ou tapetes, lavado
pela chuva, dificultando a avaliação do socorrista. Por este motivo o
acidentado deve ser examinada completamente para averiguar se há sinais de
hemorragias.
Os locais mais
freqüentes de hemorragias internas são tórax e abdome. Observar presença de
lesões perfurantes, de equimoses, ou contusões na pele sobre estruturas vitais.
Os órgãos abdominais que mais freqüentemente produzem sangramentos graves são o
fígado, localizado no quadrante superior
direito, e o baço, no quadrante superior esquerdo.
Algumas fraturas,
especialmente as de bacia e fêmur podem produzir hemorragias internas graves e
estado de choque. Observar extremidades com deformidades e dolorosas e
estabilidade pélvica. A distensão abdominal com dor após traumatismo deve
sugerir hemorragia interna.
Algumas hemorragias
internas podem se exteriorizar, por vezes hemorragias do tórax produzem hemoptise.
O sangramento do esôfago, estômago e duodeno podem se exteriorizar através da
hematêmese (vômito com sangue), ou dependendo do vlume, através também de
melena (evacuação de sangue). Neste caso as condutas do socorrista visarão
somente o suporte da vida, principalmente de via aérea e respiração, até o
hospital, pois pouco há o que se fazer.
A hemorragia recebe
nomes conforme o lugar onde se manifesta ou o aspecto onde se apresenta. Tem
basicamente duas causas, espontânea ou traumática. No caso da espontânea,
geralmente é o sinal de alarme de uma doença grave. A hemorragia causada por
traumatismo é a mais comum nos
ambientes de trabalho, e dependendo da sua intensidade e localização, o mais
indicado é levar o acidentado a um hospital, porém em certos casos pode-se
ajudar o acidentado, tomando atitudes específicas, como veremos a seguir.
Em casos
particulares, um método que pode vir a ser temporariamente eficaz é o método do
ponto de pressão.
A técnica do ponto de
pressão consiste em comprimir a artéria lesada contra o osso mais próximo, para
diminuir a afluência de sangue na região do ferimento.
Em hemorragia de
ferimento ao nível da região temporal e parietal, deve-se comprimir a artéria
temporal contra o osso com os dedos indicadores, médios e anular. Ver a
localização da artéria na Figura 2.
No caso de hemorragia
no membro superior, o ponto de pressão está na artéria braquial, localizada na
face interna do terço médio do braço.
Ver localização da
artéria na Figura 1.
No caso de ferimento
com hemorragia no membro inferior, o ponto de pressão é encontrado na parte
interna no terço superior, próximo à região inguinal, que é por onde passa a
artéria femoral. Nesta região a artéria passa por trás dos músculos. Usar
compressão muito forte para atingí-la e diminuir a afluência de sangue.
Deve-se inclinar para
frente, com o acidentado deitada e pressionar com força o punho contra a região
inguinal. É importante procurar manter o braço esticado para evitar cansaço
excessivo e estar preparado para insistir no ponto de pressão no caso de a
hemorragia recomeçar.
Conter uma hemorragia com pressão direta
usando um curativo simples, é o método mais indicado. Se não for possível,
deve-se usar curativo compressivo; se com a pressão direta e elevação da parte
atingida de modo que fique num nível superior ao do coração, ainda se não for
possível conter a hemorragia, pode-se optar pelo método do ponto de pressão.
Atenção:
Não elevar o segmento ferido se isto produzir
dor ou se houver suspeita de lesão interna tal como fratura.
Manter o acidentado
agasalhado com cobertores ou roupas, evitando contato com chão frio ou úmido.
Não dar líquidos
quando estiver inconsciente ou houver suspeita de lesão no ventr/abdome.
Torniquete
Há casos em que uma
hemorragia torna-se intensa, com grande perda de sangue. Estes casos são de
extrema gravidade.
Nestes casos, em que
hemorragias não podem ser contidas pelos métodos de pressão direta, curativo
compressivo ou ponto de pressão, torna-se necessário o uso do torniquete. O
torniquete é o último recurso usado por quem fará o socorro, devido aos perigos
que podem surgir por sua má utilização, pois com este método impede-se
totalmente a passagem de sangue pela artéria.
Para fazer um
torniquete usar a seguinte técnica: (conforme a Figura 26)
· Elevar o membro
ferido acima do nível do coração.
· Usar uma faixa de
tecido largo, com aproximadamente sete centímetros ou mais, longo o suficiente
para dar duas voltas, com pontas para amarração.
· Aplicar o
torniquete logo acima da ferida.
· Passar a tira ao
redor do membro ferido, duas vezes. Dar meio nó.
· Colocar um pequeno
pedaço de madeira (vareta, caneta ou qualquer objeto semelhante) no meio do nó.
Dar um nó completo no pano sobre a vareta.
· Apertar o
torniquete, girando a vareta.
· Fixar as varetas
com as pontas do pano.
· Afouxar o
torniquete, girando a vareta no sentido contrário, a cada 10 ou 15 minutos.
Devemos estar conscientes dos perigos
decorrentes da má utilização do torniquete. A má utilização (tempo muito
demorado) pode resultar em deficiência circulatória de extremidade. É
absolutamente contra indicado a utilização de fios de arame, corda, barbante,
material fino ou sintético na técnica do torniquete.
Usar torniquete nos casos de hemorragias
externas graves: esmagamento mutilador ou amputação traumática.
A fixação do
torniquete também pode ser feita com o uso de uma outra faixa de tecido
amarrada sobre a vareta, em volta do membro ferido.
É importante que se
saiba da necessidade de afrouxar o torniquete gradual e lentamente a cada 10 ou
15 minutos, ou quando ocorrer arroxeamento da extremidade, para que o sangue
volte a circular um pouco, evitando assim maior sofrimento da parte sã do
membro afetado. Se a hemorragia for contida, deve-se deixar o torniquete frouxo
no lugar, de modo que ele possa ser reapertado caso necessário.
O acidentado com torniquete tem prioridade no
atendimento e deve ser acompanhada durante o transporte. É importante lembrar
também de marcar e anotar por escrito, de preferência no próprio corpo do acidentado,
a indicação de que há torniquete aplicado, o local e a hora da aplicação,
assim: TQ BRAÇO 10:15h
Figura 26 - Como
fazer um torniquete
Hemorragia
Interna
Os casos de
hemorragia interna são também de muita gravidade, devido ao grau de dificuldade
de sua identificação por quem está socorrendo.
Suspeitar de
hemorragia interna se o acidentado estiver envolvido em:
· Acidente violento,
sem lesão externa aparente.
· Queda de altura
· Contusão contra
volante ou objetos rígidos
· Queda de objetos
pesados sobre o corpo
Mesmo que, a
princípio, o acidentado não reclame de nada e tente dispensar socorro, é
importante observar os seguintes sintomas:
a) Pulso fraco e
rápido
b) Pele fria
c) Sudorese
(transpiração abundante)
d) Palidez intensa e
mucosas descoradas
e) Sede acentuada
f) Apreensão e medo
g) Vertigens
h) Náuseas
i) Vômito de sangue
j) Calafrios
k) Estado de choque
l) Confusão mental e
agitação
m) "Abdômen em
tábua" (duro não compressível)
n) Dispnéia (rápida e
superficial)
o) Desmaio
A conduta deve ser
procurar imediatamente atendimento especializado, enquanto se mantém o
acidentado deitado com a cabeça mais baixa que o corpo, e as pernas elevadas
para melhorar o retorno sanguíneo. Este procedimento é o padrão para prevenir o
estado de choque.
Nos casos de suspeita
de fratura de crânio, lesão cerebral ou quando houver dispnéia, a cabeça deve
ser mantida elevada.
Aplicar compressas
frias ou saco de gelo onde houver suspeita de hemorragia interna. Se não for
possível, usar compressas úmidas.
Outras Hemorragias
Existem hemorragias
que nem sempre são decorrentes de traumatismos. São as hemorragias provocadas
por problemas clínicos.
Hemorragia Nasal (Epistaxe ou Rinorragia)
É a perda de sangue
pelo nariz. A hemorragia nasal pode ocorrer por traumatismo craniano. Neste
caso, especialmente quando o sangue sai em pequena quantidade acompanhada de
líquor, o corrimento não deve ser contido e o acidentado precisa de atendimento
especializado
com urgência. A
hemorragia do nariz é uma emergência comum que geralmente resulta de um
distúrbio local, mas pode decorrer de uma grave desordem sistêmica.
Em muitos casos a
epistaxe não tem causa aparente. Pode ocorrer devido à manipulação excessiva no
plexo vascular com rompimento dos vasos através das unhas; diminuição da
pressão atmosférica; locais altos; viagem de avião; saída de câmara pneumática
de imersão ou sino de mergulho; contusão; corpo estranho; fratura da base do
crânio; altas temperaturas; dentre outras. Às vezes pode ocorrer como sintoma
de um grave transtorno no organismo que requer investigação imediata, como por
exemplo crise hipertensiva.
As hemorragias nasais
sempre podem ser estancadas. As medidas para contenção devem ser aplicadas o
mais rapidamente possível, a fim de evitar perda excessiva de sangue.
Primeiros Socorros
Ao atender um caso de
epistaxe deve-se observar a seguinte conduta:
· Tranqüilizar o
acidentado para que não entre em pânico.
· Afrouxar a roupa
que lhe aperte o pescoço e o tórax.
· Sentar o acidentado
em local fresco e arejado com tórax recostado e a cabeça levantada.
· Verifique o pulso,
se estiver forte, cheio e apresentar sinais de hipertensão, deixe que seja eliminada
certa quantidade de sangue.
· Fazer ligeira
pressão com os dedos sobre a asa do orifício nasal de onde flui o sangue, para
que as paredes se toquem e, por compressão direta o sangramento seja contido.
· Inclinar a cabeça
do acidentado para trás e manter a boca aberta.
Sempre que possível
aplicar compressas frias sobre a testa e nuca.
· Caso a pressão
externa não tenha contido a hemorragia, introduzir um pedaço de gaze ou pano
limpo torcido na narina que sangra. Pressionar o local.
· Encaminhar o
acidentado para local onde possa receber assistência adequada.
· Em caso de
contenção do sangramento, avisar o acidentado para evitar assoar o nariz
durante pelo menos duas horas para evitar novo sangramento.
Toda hemorragia nasal que ocorre com relativa
freqüência, sem causa evidente, requer investigação imediata por profissional
qualificado.
Toda hemorragia nasal que se segue a
contusões na cabeça deve ser investigada imediatamente por profissional
qualificado.
Hemoptise
Hemoptise é a perda
de sangue que vem dos pulmões, através das vias respiratórias. O sangue flui
pela boca, precedido de tosse, em pequena ou grande quantidade, de cor vermelho
vivo e espumoso.
Para alguns autores,
a excessiva perda de sangue e a insuficiência respiratória são igualadas por
poucas condições em suas potencialidades de ameaçar diretamente a vida do acidentado.
Neste contexto a hemoptise pode representar um dos mais alarmantes sinais de
emergência.
Ao contrário da
hemorragia externa, a fonte e a causa exatas da hemorragia pulmonar são muitas
vezes desconhecidas das vítimas dessa condição, e a sua natureza desconhecida
contribui para acentuar o medo.
As causas mais
freqüentes de hemoptise são:
a) Bronquiectasia
b) Tuberculose
c) Abscesso pulmonar
d) Tumor pulmonar
e) Estenose da
válvula mitral
f) Embolia pulmonar
g) Traumatismo
h) Alergia (poeiras,
vapores, gases, etc).
O acidentado além dos
sintomas anteriormente descritos pode apresentar também palidez intensa,
sudorese e expressão de ansiedade e angústia, o que caracteriza a entrada em
estado de choque.
A seguinte conduta
deve ser observada:
· Tranqüilizar o
acidentado e amenizar-lhe o medo.
· Deitá-lo de lado
para prevenir sufocamento pelo refluxo de sangue.
Deixá-lo em repouso.
· Recomendar que não
fale e nem faça esforço.
· Não demonstrar
apreensão.
· Providenciar
transporte urgente para local onde possa receber atendimento especializado.
Hematêmese
É a perda de sangue
através de vômito de origem gástrica (sangramento, por exemplo: úlcera) ou
esofagiana (ruptura de varizes esofagianas). O sangue sai só ou junto com resto
de alimento. A coloração do sangue pode ser de um vermelho rutilante (raro) ou,
após ter sofrido
ação do suco
gástrico, apresentar-se com uma coloração escura. É a chamada hematêmese em
borra de café.
A hematêmese é comum
em enfermidades como varizes do esôfago, úlcera, cirrose e esquistossomose.
Pode ter como causas: mecânicas ou tóxicas (arsênico, sulfureto de carbono,
mercúrio) ou inflamatórias.
Toda hemorragia
interna que demora a se exteriorizar pode ser identificada pelos seguintes
sinais: palidez intensa, distensão abdominal, extremidades frias e úmidas,
pulso rápido e fraco. Quando se exterioriza o sangramento, os sinais são os
mesmos, acrescidos dos sintomas: fraqueza, tontura, enjôo, náusea antes da
perda de sangue, vômitos com sangue
escuro e desmaio.
Proceder de acordo com
a seguinte conduta:
· Manter o acidentado
em repouso em decúbito dorsal (ou lateral se estiver inconsciente), não
utilizar travesseiros.
· Suspender a
ingestão de líquidos e alimentos.
· Aplicar bolsa de
gelo ou compressas frias na área do estômago.
· Encaminhar o
acidentado para atendimento especializado no NUST.
Estomatorragia
É o sangramento
proveniente da cavidade oral/bucal. Proceder à compressão da área que está
sangrando, usando uma gaze ou pano limpo até estancar a hemorragia. Dependendo
do volume do sangramento e das dificuldades para estancá-lo, deve-se procurar
atendimento especializado imediatamente. Sugerir o acidentado que procure
socorro especializado do NUST mesmo que a hemorragia tenha sido contida.
No caso de hemorragia
dentária deve-se colocar um rolo de gaze, ou atadura, ou um lenço enrolado e
apertar fortemente o local que sangra contra a arcada dentária até a contenção
do sangramento. Isto pode ser feito com a mão ou o paciente mordendo a
compressa de tecido.
Melena e Enterorragia
É a perda de sangue
escuro, brilhante, fétido e com aspecto de petróleo, pelo orifício anal,
geralmente provocada por hemorragia no aparelho digestivo alto (melena) ou no
aparelho digestivo baixo (enterorragia - sangue vivo). Assim com a hematêmese,
este tipo de sangramento é também originado por doença gástrica ou devido a
rompimento de varizes esofagogástricas, cirrose hepática, febre tifoide,
perfuração intestinal, gastrite hemorrágica, retocolite ulcerativa
inespecífica, tumores malignos do intestino e reto, hemorroidas e outras.
Obedecer aos
seguintes procedimentos:
· Tranquilizar o
acidentado e obter sua colaboração.
· Deitar o acidentado
de costas.
· Aplicar bolsa de
gelo sobre o abdômen, na região gástrica e intestinal.
· Aplicar compressas
geladas na região anal (sangramento por hemorroidas).
· Encaminhar o
acidentado para atendimento especializado com urgência.
Metrorragia
É a perda anormal de
sangue pela vagina. Este tipo de hemorragia pode ter causas variadas:
a) Abortamento,
provocado ou não.
b) Hemorragias do
primeiro trimestre da gravidez (gravidez ectópica e outras).
c) Traumatismos
causados por violências sexuais (estupro) e acidentes
d) Tumores malignos
do útero ou da vulva (carcinomas)
e) Hemorragia
pós-parto, ocasionada pela retenção de membranas placentárias, ruptura e
traumatismos vaginais devidos ao parto ou não.
f) Distúrbio
menstrual
Toda hemorragia
durante a gravidez é anormal, podendo representar sério risco tanto para a
gestante quanto para o feto. Por isto, o acidentado deve ser encaminhada para
receber assistência médica tão logo lhe sejam prestados os primeiros socorros.
Conduta no caso de
hemorragias de vítimas reconhecidamente grávidas, ou com suspeitas de gravidez
admitida:
1.Manter a gestante
em repouso, deitada, aquecida e tranquiliza-la.
2.Impedir sua
deambulação e qualquer forma de esforço.
3.Conservar a
totalidade do sangue e dos produtos expulsos do útero para mostrar ao médico.
4. Encaminhar para
assistência médica ou serviços de saúde.
5. Prevenir o estado de
choque.
No caso de
sangramento acompanhar-se de forte dor abdominal, deve-se suspeitar de gravidez
ectópica (extra uterina). Neste caso o acidentado deve ser transportado com
urgência para hospitalização e o transporte deve ser feito com o acidentado em
repouso, se possível deitado e aquecido. Não administrar alimentos líquidos ou
sólidos. Nestes casos, suspeita de prenhes ectópica rôta. Atenção para os
sinais de choque.
Conduta no caso de
hemorragias não relacionadas com a gravidez:
1.Investigar o mais completamente
possível a história para descartar uma possível gravidez.
2.Mantê-la em
repouso, deitada e procurar tranquiliza-la.
· Impedir deambulação
e qualquer forma de esforço.
· Aplicar absorvente
higiênico externo.
· Aplicar bolsa de
gelo ou compressas geladas sobre a região pélvica (baixo ventre).
· Encaminhar para
assistência especializada.
Otorragia
É o sangue que sai
pelo conduto auditivo externo. Pode ser causada por ferimento no ouvido
externo, contusão por corpo estranho e trauma.
Os traumatismos
cranianos podem provocar hemorragia pelo ouvido, quando então, geralmente o
sangue vem acompanhado de líquor. Não se deve estancar este tipo de hemorragia,
e a procura de socorro médico nestes casos deve ser urgente.
Nas otorragias
simples, pode-se introduzir no ouvido um pequeno pedaço de gaze e deixá-lo no
local até que a hemorragia pare. É sempre conveniente encaminhar o acidentado
para atendimento especializado do NUST, para esclarecimento.
Hematúria
É a perda de sangue
juntamente com a urina. Pode ocorrer em consequência de traumatismo com lesão
do aparelho urinário (rins, ureter, uretra, bexiga) ou em caso de doença como
nefropatia, cálculo, infecção, tumor, processo obstrutivo ou congestivo e após
intervenção
cirúrgica no trato
urinário.
Pode ser classificada
em macroscópica ou microscópica, se é visível a olho nu ou não, e em inicial,
total e terminal, de acordo com a fase de micção em que aparece.
Encaminhar o
acidentado para atendimento especializado.
Corpos Estranhos
Introdução
A penetração de
corpos estranhos no corpo humano é um tipo de acidente muito comum e pode
ocorrer nas circunstâncias mais inesperadas.
Vários tipos de
objetos estranhos ao nosso corpo podem penetrar acidentalmente nos olhos,
ouvidos, nariz e garganta. São pequenas partículas, de variada origem e
constituição física que, muitas vezes, apesar de aparentemente inofensivas
devido ao tamanho, podem causar danos físicos e desconforto sério.
É importante o rápido
reconhecimento do corpo estranho que tenha penetrado no corpo (Quadro X). Em
todos os casos de atendimento é preciso agir com precisão, manter a calma e
tranqüilizar o acidentado. O conhecimento e a serenidade sobre o que está
fazendo são fundamentais para o trabalho de primeiros socorros.
Corpos estranhos que podem se alojar nos
olhos,
ouvidos, nariz e
garganta:
|
Farpas de madeira, náilon, plástico,
acrílico e metal
|
Estilhaços de vidro
|
Partículas de areia, terra e poeira
|
Grãos de cereais, chumbo e pedras pequenas
|
Estilhaços de metal
|
Espinhos e partes de vegetais
|
Materiais e aerossóis de origem biológica
|
Gotas de produtos químicos
|
Quadro
X - Tipos de corpos estranhos
Olhos
Os olhos são os
órgãos que estão mais em contato com o trabalho e, portanto, mais susceptíveis
de receber corpos estranhos.
Qualquer corpo
estranho que penetre ou respingue nos olhos de uma pessoa constitui um acidente
doloroso, e muitas vezes, de consequências desastrosas.
A atividade de quem
for prestar os primeiros socorros na remoção de corpos estranhos dos olhos de um
acidentado deve-se limitar exclusivamente às manobras que serão explicadas a
frente. O uso de instrumentos como agulhas, pinças, ou outros semelhantes só
podem ser utilizados por profissional de saúde.
Todo cuidado é pouco
nas manobras de remoção de corpos estranhos dos olhos. Qualquer atendimento mal
feito ou descuidado pode provocar lesões perigosas na córnea, conjuntiva e
esclerótica.
A primeira coisa a
ser feita ao se atender um acidentado que reclame de corpo estranho no olho é
procurar reconhecer o objeto e localizá-lo visualmente. Em seguida, pede-se à
vítima que feche e abra os olhos repetidamente para permitir que as lágrimas
lavem os olhos e, possivelmente, removam o corpo estranho.
Muitas vezes a natureza
e o local de alojamento do corpo estranho não permitem o lacrimejar, pois pode
provocar dor intensa e até mesmo lesão de córnea, nestes casos não se deve
insistir para a vítima pestanejar. Se for possível, lave o olho com água
corrente. Se o corpo estranho não sair, o olho afetado deve ser coberto com
curativo oclusivo e a vítima encaminhada para atendimento especializado.
Muitas vezes o corpo
estranho está localizado na superfície do olho, especialmente na córnea e na
conjuntiva palpebral superior.
O corpo estranho
localizado na córnea não deverá ser retirado. O procedimento a ser adotado é o
seguinte:
· Manter o acidentado
calmo e tranqüilo. Manter-se calmo.
· Não retirar
qualquer objeto que esteja na córnea.
· Não tocar no olho
do acidentado nem deixar que ela o faça.
· Não tocar no
objeto.
· Encaminhar o
acidentado para atendimento especializado, se possível com uma compressa de
gaze, lenço ou pano limpo cobrindo o olho afetado sem comprimir, fixando sem
apertar. A próprio acidentado poderá ir segurando a compressa.
Se o corpo estranho
não estiver na córnea, ele pode ser procurado na pálpebra inferior. Se estiver
lá, pode-se removê-lo com cuidado, procedendo da seguinte maneira:
· Lavar bem as mãos
com água e sabão.
· Tentar
primeiramente remover o objeto com as lágrimas, conforme instruído anteriormente.
· Se não sair,
podem-se usar hastes flexíveis com ponta de algodão ou a ponta limpa de um
lenço retorcido (Figura 53).
· Enquanto puxa-se a
pálpebra para baixo, retira-se o objeto cuidadosamente.
Se o objeto estiver
na pálpebra superior será necessário fazer a eversão da pálpebra para
localizá-lo e removê-lo, com explicado a seguir:
· Levantar a pálpebra
superior, dobrando-a sobre um cotonete ou palito de fósforo.
· Quando o objeto
aparecer, removê-lo com o auxílio de outro cotonete ou ponta de tecido ou de
lenço limpo, retorcido.
· Se houver risco de
lesão ou dor excessiva, suspender a manobra e encaminhar para socorro
especializado.
· Ao encaminhar o
acidentado para atendimento especializado, devese cobrir o olho afetado com
gaze ou pano limpo.
Figura 27 - Corpo
estranho nos olhos
Qualquer líquido que
atingir o olho deve ser removido imediatamente.
O olho deve ser
lavado em água corrente de uma pia, ou no jato de água corrente feito com a mão
espalmada sob a torneira.
Em muitos
laboratórios existe o chuveiro lava-olhos para onde o acidentado deverá ser
levado, sempre que possível.
Uma alternativa para
estas opções é fazer com que o acidentado mantenha o rosto, com o olho afetado,
debaixo d'água, mandando-a abrir e fechar repetidamente o olho.
Qualquer procedimento de lavagem de olhos
para retirada de líquido estranho deverá ser feito no mínimo por 15 minutos.
Não se pode perder
tempo procurando saber que tipo de líquido caiu no olho do acidentado.
Providenciar a lavagem imediatamente. Após a lavagem, com o olho coberto por
gaze, o acidentado deve ser encaminhado para socorro especializado.
A falta de atendimento e posterior tratamento
adequado nos casos de corpos estranhos oculares pode, em determinadas
circunstâncias, causar graves problemas aos olhos.
Estes problemas podem ir desde dificuldades
óticas corrigíveis com lentes, até a perda da visão ou mesmo do próprio olho.
Um corpo estranho no olho, além de conduzir microrganismos,
pode causar abrasão na superfície da córnea que pode vir a infeccionar e causar
desde uma úlcera da córnea até panoftalmite (inflamação do olho); muitas vezes
uma vítima reclama da presença de um corpo estranho no olho, que não é
encontrado.
O corpo estranho pode já ter saído, mas
causou abrasão da córnea. O encaminhamento ao médico para prova de fluoresceína
deve ser imediato nestes casos.
Ouvidos
Corpos estranhos
podem penetrar acidentalmente também nos ouvidos, especialmente na área
correspondente ao conduto auditivo externo. Estes acidentes são mais comuns com
crianças.
Insetos, sementes,
grãos de cereais e pequenas pedras podem se alojar no ouvido externo. Muitas
vezes, cerume endurecido é confundido com um corpo estranho. Ele causa
perturbação na função auditiva e desconforto.
Devemos determinar
com a maior precisão possível a natureza do corpo estranho. Todos os
procedimentos de manipulação de corpo estranho no ouvido devem ser realizados
com extrema cautela. Erros de conduta e falta de habilidade na realização de
primeiros socorros podem ocasionar danos irreversíveis à membrana timpânica com
conseqüente prejuízo da
audição, temporário
ou permanente.
Não usar qualquer instrumento na tentativa de
remover corpo estranho do ouvido. Não se usam pinças, tesouras, palitos,
grampos, agulhas, alfinetes. O uso de instrumentos
é atribuição particular de pessoal
especializado. A improvisação geralmente resulta em desastres irreversíveis.
Devido à sua posição totalmente exposta, o ouvido externo está freqüentemente
sujeito a lesões como contusões, cortes, feridas, queimaduras por calor e por frio.
A contusão do pavilhão auricular geralmente provoca hemorragia subcutânea e
subpericondral. O hematoma, ou otohematoma, que resulta desta hemorragia tem a
aparência de um inchaço rígido que compromete toda a orelha, exceto o lóbulo.
Devem-se aplicar compressas com bandagens e encaminhar para atendimento
especializado.
Primeiros Socorros
O acidentado com
objeto estranho no ouvido deve ser deitado de lado com o ouvido afetado para
cima. Se o objeto for visível, pode-se tentar retirá-lo delicadamente para não
forçá-lo mais para dentro, com as pontas dos dedos. Se o objeto não sair ou
houver risco de penetrar mais, deve-se procurar socorro especializado.
É comum insetos vivos
alojarem-se no ouvido. Nestes casos uma manobra que tem dado resultado é
acender uma lanterna em ambiente escuro, bem próximo ao ouvido. A atração da
luz trará o inseto para fora.
Nariz
Corpos estranhos no
nariz também ocorrem com mais frequência em crianças; geralmente causam dor,
crises de espirro e coriza. Podem resultar em irritação se não forem removidos
imediatamente.
Insetos podem se
alojar nas narinas de crianças e adultos, indiferentemente. Não usar
instrumentos como pinça, tesoura, grampo ou similar.
A conduta correta é
comprimir com o dedo a narina não obstruída e pedir o acidentado para assoar,
sem forçar, pela narina obstruída.
Normalmente este
procedimento ajuda a expelir o corpo estranho. Se o corpo estranho não puder
sair com facilidade, devemos procurar auxílio médico imediatamente.
Manter a vítima calma, cuidando para que não
inale o corpo estranho. Não permitir que a vítima assoe com violência. A vítima
deverá aspirar calmamente pela boca, enquanto se aplicam as manobras para
expelir o corpo estranho.
Garganta
A penetração de um
corpo estranho na garganta pode constituir um problema de proporções muito
graves.
Geralmente as pessoas
engasgam-se com moedas, pequenos objetos, próteses dentárias, espinhas de
peixe, ossos de galinha e outros alimentos e até mesmo com saliva.
Antes de qualquer
coisa, o acidentado deve ser tranqüilizado, fazer com que respire o mais
normalmente possível sem entrar em pânico. Isto é muito importante, pois
qualquer pessoa que engasga, seja com o que for, tende a ficar nervosa, entrar
em pânico e termina por perder o controle da respiração, o que pode ser
desastroso.
Depois de
tranqüilizar o acidentado e fazer com que respire normalmente, identificar o
tipo de objeto que causou o engasgo. Passar imediatamente a aplicar as técnicas
para expelir o corpo estranho. As principais técnicas recomendadas são:
tapotagem, compressão torácica e compressão abdominal.
Tapotagem
A tapotagem deverá
ser aplicada se o acidentado estiver tranqüilo e não estiver se sufocando. Esta
técnica consiste em aplicar uma série de pancadas no dorso do acidentado. As
pancadas são dadas com a mão em concha. A tapotagem pode ser aplicada com o
acidentado sentada, em pé ou deitada (Quadro XI).
Tapotagem com o acidentado sentada ou
em pé:
|
Tapotagem com o
acidentado deitada:
|
Colocar-se
ao lado do acidentado,
ligeiramente por trás.
|
Deve-se
ajoelhar ao lado do acidentado
deitado
de lado e puxá-la para si de modo
a que a
parede anterior do tórax do
acidentado
fique de encontro aos seus
próprios joelhos.
|
Dar
golpes fortes, com a mão em concha,
de
baixo para cima, nas costas do
acidentado,
entre as espáduas (omoplatas).
As
pancadas são dadas repetidamente e
com freqüência rápida.
|
Da
mesma forma que faz com o
acidentado
em pé, dar pancadas fortes
com a
mão em concha, de baixo para
cima,
nas costas, entre as espátulas. As
pancadas
são dadas repetidamente em
rápida seqüência.
|
Usar a
outra mão apoiada no tórax do
acidentado para segurá-la.
|
Quadro XI – Tapotagem
Estes procedimentos
normalmente deverão liberar o corpo estranho, fazendo com que o próprio
acidentado jogue-o para fora naturalmente.
Todavia, se não
funcionar após as primeiras tentativas, poderemos introduzir dois dedos, com
pinça, até conseguir alcançar e remover o objeto.
CAPÍTULO II
EMERGÊNCIAS CLÍNICAS
Introdução
A importância das
emergências médicas é facilmente reconhecida, na medida em que se consideram as
freqüências com que causam óbito ou incapacidade, as dificuldades que existem
para preveni-las e o grande potencial de recuperação, quando são convenientemente
atendidas.
As doenças agudas
estão relacionadas, em todo o mundo, entre as causas mais comuns de morte. Em
países como os Estados Unidos, por exemplo, o número de óbitos de ataque
cardíaco é dez vezes maior que o número de mortes por acidentes automobilísticos,
que, por sua vez, já monta a um quantitativo assustador.
Nos países em
desenvolvimento, as emergências médicas relacionadas com doenças
infectocontagiosas estão entre as causas mais comuns de óbito. Essas
emergências, em sua grande maioria, decorrem principalmente das deficiências
nos recursos profiláticos e acometem principalmente crianças e adultos jovens.
Nesta parte do
manual, trataremos das emergências não traumáticas.
As emergências
clínicas mais comuns e que podem ser atendidas com sucesso por uma pessoa que
venha a prestar os primeiros socorros.
Edema
Agudo de Pulmão
Definição
É o acúmulo anormal
de líquido nos tecidos dos pulmões. É uma das emergências clínicas de maior
importância e seriedade.
Principais causas
Sintomas
· Alteração nos
movimentos respiratórios - os movimentos são bastante exagerados
· Encurtamento da
respiração (falta de ar), que normalmente piora com as atividades ou quando a
pessoa deita-se com a cabeceira baixa. O doente assume a posição sentada.
· Dificuldade em
respirar - aumento na intensidade da respiração (taquipnéia)
· Respiração
estertorosa; pode-se escutar o borbulhar do ar no pulmão
· Eventualmente -
batimento das asas do nariz
· A pele e mucosas se
tornam frias, acinzentadas, às vezes, pálidas e cianóticas (azuladas), com
sudorese fria
· Ansiedade e
agitação
· Aumento dos
batimentos cardíacos (taquicardia)
· Aumento da
temperatura corporal (hipertermia) nos casos de anafilaxia aguda
· Mucosa nasal
vermelho-brilhante
· Tosse que no
princípio não é produtiva, ou seja, não há expectoração, passa a ser
acompanhada por expectoração espessa e espumosa, eventualmente sanguinolenta.
· Outros sintomas
específicos da causa do edema pulmonar podem ocorrer.
Primeiros Socorros
· Transferência para
um serviço de urgência ou emergência de um hospital.
· Não movimentar
muito a vítima. O movimento ativa as emoções e faz com que o coração seja mais
solicitado.
· Observar com
precisão os sinais vitais.
· Manter a pessoa na
posição mais confortável, em ambiente calmo e ventilado.
· Obter um breve
relato da vítima ou de testemunhas sobre detalhes dos acontecimentos.
· Aplicação de torniquetes
alternados, a cada 15 minutos, de pernas e braços pode ser feita enquanto se
aguarda o atendimento especializado.
· Tranquilizar a
vítima, procurando inspirar-lhe confiança e segurança.
· Afrouxar as roupas.
· Evitar a ingestão
de líquidos ou alimentos.
· Se possível, dar
oxigênio por máscara à vítima.
· No caso de parada
cardíaca aplicar as técnicas de ressuscitação cardío-respiratória.
Infarto do Miocárdio
Definição
Necrose do músculo cardíaco após
isquemia por oclusão arterial coronariana aguda, ou seja, é um quadro clínico
conseqüente à deficiência de fluxo sanguíneo para uma dada região do músculo
cardíaco (miocárdio), cujas células sofrem necrose devido à falta de aporte de
oxigênio. É uma manifestação de insuficiência coronariana e está relacionada,
em cerca de
95% dos casos, com a arteriosclerose,
um processo de obstrução por deposição de gorduras, que afeta as artérias
coronarianas e outras artérias do corpo.
Principais Causas
Arteriosclerose; embolia coronariana e
espasmo arterial coronário (angina pectória).
Principal Complicação
Parada cardíaca por fibrilação
ventricular (parada em fibrilação).Óbito.
Sintomas
· A maioria das vítimas de infarto
agudo do miocárdio apresenta dor torácica. Esta dor é descrita classicamente
com as seguintes:
características:
a) Dor angustiante e insuportável na
região precordial (subesternal), retroesternal e face anterior do tórax.
b) Compressão no peito e angústia,
constrição.
c) Duração maior que 30 minutos.
d) Dor não diminui com repouso.
e) Irradiação no sentido da mandíbula
e membros superiores, particularmente do membro superior esquerdo,
eventualmente para o estômago (epigástrio).
· A grande maioria das vítimas
apresenta alguma forma de arritmia cardíaca. Palpitação, vertigem, desmaio.
Deve-se atender as vítimas com quadro de desmaio como prováveis portadoras de
infarto agudo do miocárdio, especialmente se apresentarem dor ou desconforto
torácico antes ou depois do desmaio.
· Sudorese profusa (suor intenso),
palidez e náusea. Podem estar presentes vômitos e diarréia.
· A vítima apresenta-se muitas vezes,
estressado com "sensação de morte iminente".
· Quando há complicação pulmonar, a
vítima apresenta edema pulmonar caracterizado por dispnéia (alteração nos
movimentos respiratórios) e expectoração rosada.
· Choque
cardiogênico.
Primeiros
Socorros
Muitas vezes, a dor que procede a um
ataque cardíaco pode ser confundida, por exemplo, com a dor epigástrica (de uma
indigestão). É preciso estar atento para este tipo de falso alarme.
· Procurar socorro médico ou um
hospital com urgência.
· Não movimentar muito a vítima. O
movimento ativa as emoções e faz com que o coração seja mais solicitado.
· Observar com precisão os sinais
vitais.
· Manter a pessoa deitada, em repouso
absoluto na posição mais confortável, em ambiente calmo e ventilado.
· Obter um breve relato da vítima ou
de testemunhas sobre detalhes dos acontecimentos.
· Tranquilizar a vítima, procurando
inspirar-lhe confiança e segurança.
· Afrouxar as roupas.
· Evitar a ingestão de líquidos ou alimentos.
· No caso de parada cardíaca aplicar
as técnicas de ressuscitação cardío-respiratória.
· Ver se a vítima traz nos bolsos
remédios de urgência. Aplicar os medicamentos segundo as bulas, desde que a
vítima esteja consciente.
Vasodilatadores coronarianos,
comprimidos sublinguais.
A confirmação da suspeita de quadro
clínico de um infarto agudo do miocárdio só ocorre com a utilização de exames
complementares, tipo eletrocardiograma (ECG) e exames sangüíneos (transaminase,
etc), que deverão ser feitos no local do atendimento especializado.
Toda pessoa com suspeita de edema agudo de
pulmão ou de infarto agudo do miocárdio deve ser encaminhada com a maior
urgência para atendimento especializado em hospitais, serviço de emergência ou
unidade de emergência cardíaca.
Crise Hipertensiva
Apesar dos atuais
conhecimentos sobre a fisiopatologia e a terapêutica da doença hipertensiva,
sua evolução é eventualmente marcada por episódio de elevação súbita e
acentuada da pressão arterial, representando uma séria e grave ameaça à vida.
O aumento rápido e
excessivo da pressão arterial pode evidenciarse pelos seguintes sintomas:
· Encefalopatia.
· Cefaléia intensa,
geralmente posterior e na nuca.
· Falta de ar.
· Sensação dos
batimentos cardíacos (palpitação).
· Ansiedade,
nervosismo.
· Perturbações
neurológicas, tontura e instabilidade. Zumbido.
· Escotomas
cintilantes (visão de pequenos objetos brilhantes).
· Náusea e vômito
podem estar presentes.
Pessoas previamente
hipertensas apresentam, na crise, níveis de pressão diastólica (ou mínima) de
140 ou 150 mm Hg ou mais. Em alguns casos, o aumento repentino tem mais
importância do que a altura da pressão diastólica, surgindo sintomas com cifras
mais baixas, em torno de 100 ou 110 mm Hg. Em ambos os casos as cifras sistólicas
(ou máxima) apresentam-se elevadas. Abaixo, apresentamos as variações da
pressão arterial normal e hipertensão, em adultos maiores de 18 anos, em mmHg:
Sistólica
(ou máxima)
|
Diastólica
(ou mínima)
|
Nível
|
<130
|
<85
|
Normal
|
130-139
|
85-89
|
Normal nos limites
|
140-159
|
90-99
|
Hipertensão leve
|
160-179
|
100-109
|
Hipertensão moderada
|
>179
|
>109
|
Hipertensão grave
|
>140
|
<90
|
Hipertensão sistólica
ou máxima
|
Quadro
XII : Variações de pressão arterial
Existem alguns
fatores de risco predispõem pessoas não hipertensas, a terem crises
hipertensivas, são eles:
· Glomerulonefrite
(inflamação no interior dos rins)
· Pielonefrite
(inflamação do sistema excretor renal)
· arteriosclerose
· diabete
· sedentarismo e
obesidade
· liberação de
catecolaminas secretadas por tumores das glândulas supra-renais
(feocromocitomas)
· ingestão de
inibidor da monoaminoxidase
· colagenose
· toxemia da gravidez
(pré-eclâmpsia leve e pré-eclâmpsia grave)
· mulheres após a
menopausa
· fumo
· dieta rica em sal e
gorduras
Todos os sintomas e
sinais de crise hipertensiva podem evoluir para acidente vascular cerebral,
edema agudo do pulmão e encefalopatia.
A encefalopatia é uma
síndrome clínica de etiologia desconhecida.
Ela é causada pela
resposta anormal da auto-regulação circulatória cerebral, em decorrência de
elevação súbita ou acentuada da pressão arterial.
Esta síndrome é
geralmente caracterizada por cefaléia intensa, generalizada, de início súbito e
recente; náusea; vômito; graus variados de distúrbios da consciência como
sonolência, confusão mental, obnubilação e coma; distúrbios visuais e
perturbações neurológicas transitórias como convulsões, afasia (ausência da
fala), dislalia (dificuldade de falar), hemiparesia e movimentos mioclônicos
nas extremidades.
A gravidade potencial
da crise hipertensiva exige tratamento imediato, já que a reversibilidade das
possíveis complicações descritas está condicionada à presteza das medidas
terapêutica. O objetivo inicial do tratamento a ser feito por médico é a rápida
redução das cifras tensionais.
O atendimento é
essencialmente especializado e a principal atitude de quem for prestar os
primeiros socorros é a rápida identificação da crise hipertensiva e remoção da
vítima.
Para identificar a
crise, mesmo sem verificar a pressão arterial, devese conhecer os sintomas já
descritos. Procurar saber se a vítima já é hipertensa, há quanto tempo, e que
medicamentos usa. A remoção para atendimento especializado deve ser urgente.
Cólica
Renal
A cólica renal é uma
síndrome extremamente dolorosa, de caráter espasmódico, que aparece
subitamente.
Na maioria das vezes
essas crises dolorosas são provocadas por distúrbios renais ligados à presença
de concreções ou cálculos urinários que desencadeiam as alterações funcionais.
Além de cálculos urinários e processos puramente nervosos, existem outras
patologias que podem levar à cólica renal, como as infecções, por exemplo.
O caráter da dor
renal é bastante variável. Em certos casos ela se manifesta como uma sensação
indefinida de peso na região lombar, latejamento, fincadas ou ferroadas ou
assume o quadro típico de cólica nefrética. A vítima entra em crise
paroxística, acompanhada ou não de náuseas, vômitos e, às vezes, elevação da
temperatura. Palidez e sudorese excessiva.
A dor pode
localizar-se na região lombar, iniciando-se em uma área junto ao ângulo
costovertebral. A irradiação da dor renal é comum, principalmente na fase
aguda. Costuma-se dizer que não há cólica sem dor irradiada. Ocasionalmente as
manifestações à distância dominam o cenário sintomatológico. A dor irradiada
localiza-se principalmente no hipogástrio (em cima da bexiga), e flanco é comum
aos dois sexos e ocorre com a migração do cálculo desde o rim até a bexiga; no
homem aparece a hipersensibilidade do testículo; na mulher pode irradiar-se
para a Vagina (vulva).
Primeiros Socorros
A vítima de uma
cólica renal sofre muito e, muitas vezes, não consegue andar ou falar direito.
O conforto da vítima deverá ser proporcionado da melhor maneira possível.
Identificar se trata
realmente de uma cólica renal. Em seguida acalmar e tranqüilizar a vítima,
fazendo-a deitar-se em local confortável; afrouxarlhe as roupas e providenciar
imediata remoção para atendimento especializado.
Se a vítima já teve
cólica renal anteriormente e leva consigo algum medicamento para este caso, ela
pode tomá-lo. Caso contrário, nenhuma forma de medicamento deverá ser dado.
Pode-se ainda aplicar compressa ou bolsa de água quente no local da dor, que
pode ser nas costas ou na parte anterior do abdome ou onde a vítima indicar.
Coma Diabético e Hipoglicemia
O diabetes mellitus é
uma doença muito freqüente e que se acredita estar ficando mais prevalente em
todas as partes do mundo. O diabetes mellitus descompensado pode levar a vítima
à condição aguda de cetoacidose ou coma diabético.
As pessoas com
diabetes que têm um bom acompanhamento da sua condição clínica vivem a maior
parte de sua vida normalmente com tratamento adequado. Às vezes, porém, pode
ocorrer uma elevação muito brusca e progressiva da taxa de açúcar no sangue da
vítima diabética, caracterizando-se hiperglicemia. As causas mais comuns de
hiperglicemia e cetoacidose diabética são: desobediência ao tratamento e
infecção.
É preciso ter um bom
conhecimento dos mecanismos que levam uma vítima ao coma diabético, para se
poder agir com precisão e rapidez no atendimento de primeiros socorros.
Há uma taxa anormal
de açúcar (glicemia) circulante no sangue, que é variável desde o jejum até
após as refeições. A tabela abaixo mostra as variações de taxas de açúcar no
sangue para pessoas não diabéticas.
Variação
|
|
Jejum
|
60-110
|
Antes
do almoço,
jantar
e lanche antes
de deitar-se
|
60-120
|
uma
hora após a
refeição
|
menor ou igual a 140
|
duas
horas após a
refeição
|
menor ou igual a 120
|
entre 2 e 4 da manhã
|
maior ou igual a 70
|
Hemoglobina
Glicosilada
|
4.0 - 6.0
|
Quadro XIII:
Variações de taxas de açúcar no sangue
O diabetes mellitus
(também chamado de diabetes sacarino) é uma doença na qual o sangue é incapaz d
utilizar normalmente o açúcar como fonte de energia, devido a uma deficiência
de insulina, um hormônio produzido pelo pâncreas.
A insulina é uma
substância necessária para permitir a entrada, nas células do organismo, do
açúcar existente no sangue. O diabetes mellitus ocorre quando são secretadas
quantidades insuficientes de insulina pelo pâncreas.
O diabetes mellitus é
tratável. Alguns pacientes diabéticos são capazes de controlar sua doença
apenas com uma dieta apropriada; outros o fazem com medicamentos orais; vários
necessitam de injeção de insulina uma ou duas vezes por dia. A insulina
injetável possui ação semelhante àquela produzida pelo pâncreas. A quantidade
de insulina administrada deve ser equilibrada com a ingestão de alimentos, uma
vez que existe açúcar em todos os alimentos.
Se não houver
insulina suficiente no sangue, a glicose (açúcar) do sangue não pode ser
utilizada pelas células. A glicose retida no sangue se elevará a um nível
extremamente alto, o que forçará a penetração de açúcar nas células. O alto
nível de açúcar no sangue possui efeito pernicioso, pois leva a uma perda
excessiva, tanto de açúcar quanto de líquido, pela urina.
A perda de açúcar e
líquido pela urina causa os sintomas clássicos do diabetes mellitus não
controlado; poliúria (micção freqüente), polifagia (fome) e polidipsia
(ingestão freqüente de líquidos para satisfazer a sede).
Coma
Diabético e Coma Hipoglicêmico
O diabetes mellitus
pode tornar-se uma emergência devido a uma das duas condições: coma diabético
(hiperglicêmico) ou coma hipoglicêmico.
Coma Diabético
O organismo tentará
superar a falta de açúcar em suas células usando outros alimentos como fonte de
energia, e isto será feito através da gordura armazenada. O uso desta fonte é
ineficaz, os produtos de degradação da gordura usada para fornecimento de
energia normal aumentam
acentuadamente a acidez
do sangue. Se a perda de líquidos e o aumento da acidose forem muito intensos,
haverá o desenvolvimento de coma diabético. Nesta condição, o nível sanguíneo
de açúcar é muito alto, porém não é ele que causa diretamente o coma. A
presença no sangue de produtos ácidos de degradação e a perda de líquidos é que
leva o diabético ao coma.
O desenvolvimento do
coma geralmente ocorre quando um paciente diabético não tratado, ou que não faz
uso da insulina prescrita, sofre algum tipo de "stress", ou uma
infecção. O paciente pode se apresentar torporoso com os seguintes sinais
físicos:
1. Falta de ar,
manifestada por respiração suspirosa rápida e profunda.
2. Desidratação (pele
seca e quente e olhos afundados).
3. Odor peculiar
(cetônico) causado pelos ácidos acumulados no sangue.
4. Pulso rápido e
fraco.
5. Pressão arterial
normal ou ligeiramente baixa.
6. Graus variáveis de
diminuição das respostas aos estímulos.
7. Coma.
8. Óbito.
Hipoglicemia e Coma
Hipoglicêmico
O coma hipoglicêmico
pode ocorrer quando a insulina é administrada em excesso, ou quando o paciente
não se alimenta adequadamente ou se exercita demais. O açúcar é rapidamente
retirado do sangue para as células, faltando então, em quantidade suficiente no
sangue para a nutrição do cérebro. Uma vez que este requer um suprimento
constante de glicose assim como de oxigênio, pode haver o desenvolvimento
rápido de inconsciência e lesão cerebral permanente, se o nível sanguíneo de
açúcar permanecer baixo.
O açúcar baixo no
sangue (hipoglicemia) está associado aos seguintes sinais e sintomas:
1. Respiração normal.
2. Pele pálida e
úmida.
3. Confusão;
cefaléia; raciocínio prejudicado; riso despropositado; resistência ao auxílio.
4. Pulso rápido e
cheio.
5. Pressão arterial
normal.
6. Desmaio; convulsões
e coma.
7. Óbito.
Identificação e
Primeiros Socorros
Se um paciente
diabético se tornar um caso de emergência, pode ser difícil para uma pessoa
inexperiente, mesmo sabendo que o paciente é diabético, fazer a diferenciação
entre os sinais do pré-coma diabético ou hiperglicêmica e do pré-coma
hipoglicêmico.
Nos casos de
desequilíbrio de açúcar, se a vítima ainda não tiver alcançado a fase de coma,
ela pode sentir-se doente ou estar apenas semiconsciente; porém quase sempre
pode informar a quem a está socorrendo a causa exata de sua doença. No
tratamento de um paciente diabético, deve-se fazer as seguintes perguntas a ele
ou a sua família:
Alimentou-se hoje?
Tomou insulina hoje?
Se o paciente se
alimentou e não tomou insulina, provavelmente está evoluindo para coma
diabético; se tomou insulina e não se alimentou, provavelmente está evoluindo
para coma hipoglicêmico.
Se o paciente estiver
inconsciente, pode-se fazer o diagnóstico de coma diabético ou de coma
hipoglicêmico, baseando-se nos sinais e sintomas acima. É muito difícil o
diagnóstico diferencial A diferença primária visível será a respiração do
paciente, respirações suspirosas profundas no coma diabético e respirações
normais no coma hipoglicêmico. Um paciente
diabético
inconsciente e com convulsões provavelmente estará em coma hipoglicêmica.
O tratamento destas
condições inclui os seguintes itens:
1. O paciente em coma
diabético ou hiperglicêmico (muito açúcar no sangue) necessita de insulina e,
talvez, de outros medicamentos.
Transportá-lo imediatamente
para o hospital, para cuidados médicos apropriados.
2. O paciente em coma
hipoglicêmico (nível sanguíneo de açúcar baixo) necessita de açúcar. A
administração de qualquer solução glicosada pode reverter imediatamente o coma
hipoglicêmico.
3. Deve-se procurar
qualquer identificação de emergência do paciente, que pode ser encontrada sob a
forma de cartão, colar ou pulseira.
Este cartão informará
se o paciente possui um problema médico e, possivelmente, poupará tempo em se
pesquisar um diagnóstico.
Hipertermia
A hipertermia é a
elevação anormal da temperatura do corpo, caracterizada pela presença de altas
cifras termométricas, geralmente maiores que 40oC.
A hipertermia pode
ocorrer devido à presença de infecção no organismo ou de alguma outra doença.
Ela resulta da incapacidade do mecanismo regulador de temperatura do hipotálamo
em controlar as diferenças entre ganho e perda de calor, e da dissipação
inadequada do calor pelo corpo.
Uma lesão cerebral,
por exemplo, pode danificar os centros térmicos localizados no hipotálamo;
tumores, infecções, acidente vascular ou traumatismo craniano podem também
afetar o hipotálamo ou as vias descendentes e assim, provocar distúrbios nos
mecanismos de regulação e dissipação de calor.
Além das causas crônicas ou agudas que
podem determinar a excessiva febre de uma vítima, algumas síndromes levam a
hipertermia:
· restrição à perda de calor;
· presença prolongada em ambientes
excessivamente quentes e úmidos;
· desidratação em crianças;
· doenças generalizadas da pele;
· doenças infecciosas,
· doenças parasitárias;
· viroses;
· lesões teciduais e
· neoplasias.
Primeiros Socorros
Os primeiros socorros
recomendados após a constatação exata de hipertermia, com a vítima geralmente
prostrada, são: envolvê-la com panos ou toalhas úmidas e frias e banho de
imersão à temperatura ambiente.
Toalhas frias (com
gelo) na região da fronte.
Em caso de convulsão
e delírio não se deve dar banho na vítima. A remoção para atendimento
hospitalar deverá ser urgente.
Insolação
É causada pela ação
direta e prolongada dos raios de sol sobre o indivíduo. É uma emergência médica
caracterizada pela perda súbita de consciência e falência dos mecanismos
reguladores da temperatura do organismo. Este tipo de incidente afeta
geralmente as pessoas que trabalham com exposição excessiva a ambientes muito
quentes ou que sofrem exposição demorada e direta aos raios solares.
Pode ocorrer também
sem a perda da consciência e afetar pessoas susceptíveis, mesmo que não estejam
expostas a condições de calor excessivo. Os fatores predisponentes para estes
casos são as doenças cardiovasculares, alcoolismo, sedativo e drogas
anticolinérgicas.
Nos casos muito
graves de insolação pode haver lesões generalizadas nos tecidos do organismo,
principalmente nos tecidos nervosos; morbidade e morte podem ocorrer como
resultado de destruição das funções renal, hepática, cardiovascular e cerebral.
Sintomas
1.Surgem lentamente:
· Cefaléia (dor de cabeça)
· Tonteira
· Náusea
· Pele quente e seca (não há suor)
· Pulso rápido
· Temperatura elevada
· Distúrbios visuais
· Confusão
2. Surgem bruscamente:
· Respiração rápida e difícil
· Palidez (às vezes desmaio)
· Temperatura do corpo elevada
· Extremidades arroxeadas
Eventualmente pode
ocorrer coma. A ocorrência de hiperventilação causa alcalose respiratória
inicial.
Primeiros Socorros
· O objetivo inicial
é baixar a temperatura corporal, lenta e gradativamente.
· Remover o
acidentado para um local fresco, à sombra e ventilado.
· Remover o máximo de
peças de roupa do acidentado.
· Se estiver
consciente, deverá ser mantido em repouso e recostado (cabeça elevada).
· Pode-se oferecer
bastante água fria ou gelada ou qualquer líquido não alcoólico para ser bebido.
· Se possível deve-se
borrifar água fria em todo o corpo do acidentado, delicadamente.
· Podem ser aplicadas
compressas de água fria na testa, pescoço, axilas e virilhas. Tão logo seja
possível, o acidentado deverá ser imerso em banho frio ou envolto em panos ou
roupas encharcadas.
Atenção especial
deverá ser dada à observação dos sinais vitais. Se ocorrer parada respiratória,
deve-se proceder à respiração artificial, associada à massagem cardíaca
externa, caso necessário.
Baixar gradativamente a temperatura do corpo
do acidentado de golpe de calor é o objetivo inicial do primeiro socorro, e tem
demonstrado ser uma medida extremamente eficaz. O acidentado poderá ser
removido para sala com ar condicionado frio, ou colocada sob o fluxo de um
ventilador. Vítimas de insolação não devem voltar ao ambiente da ocorrência
imediatamente após a recuperação, pois ainda demonstrarão sensibilidade a alta
temperatura.
Exaustão pelo Calor
A exaustão pelo calor
é outro tipo de reação sistêmica à prolongada exposição do organismo a
temperaturas elevadas, que ocorre devido à eliminação de sódio, desidratação ou
combinação de ambas.
O trabalhador que
exerce a sua atividade em ambientes cuja temperatura é alta, está sujeito a uma
série de alterações em seu organismo, com graves conseqüências à sua saúde.
Estes ambientes geralmente são locais onde existem fornos, autoclaves, forjas,
caldeiras, fundições, etc.
Sinais e Sintomas
Quando a origem dos
sintomas for devida predominantemente à perda de água, o acidentado reclama de
sede intensa, fraqueza e acentuados sintomas nervosos, que podem incluir falta
de coordenação muscular, distúrbios psicológicos, hipertermia, delírio e coma.
Se a falência circulatória sobrevier, a situação pode progredir rapidamente
para golpe de calor.
O acidente pode
ocorrer devido à depleção de sódio em pessoas não aclimatadas a altas
temperaturas, que irão apresentar sintomas sistêmicos de exaustão pelo calor.
Esta situação ocorre quando a sudorese térmica é resposta por ingestão adequada
de água, mas não de sal. O acidentado geralmente reclama de câimbra muscular,
associada à fraqueza, cansaço, náusea, vômito, calafrios, respiração
superficial e irregular. O acidentado não demonstra estar sedenta. Pode se
observar palidez, taquicardia e hipotensão.
Primeiros Socorros
· Remover o
acidentado para um local fresco e ventilado, longe da fonte de calor.
· Deve ser colocado
em repouso, recostado.
· Afrouxar as roupas
do acidentado.
· Oferecer líquido em
pequenas quantidades, repetidas vezes, se possível com uma pitada de sal. Se o
acidentado não conseguir não conseguir tomar líquidos oralmente, não insistir
para não piorar suas condições.
· Providenciar para
que o acidentado, neste caso, tenha atendimento especializado, pois a ele terá
de ser administrado solução salina fisiológica ou glicose isotônica, por via
intravenosa.
· Observar os sinais
vitais para a necessidade de ressuscitação cárdiorespiratória, e remoção para
atendimento especializado, se os primeiros socorros não melhorarem o estado
geral do acidentado.
Cãibras de Calor
As cãibras de calor
ocorrem principalmente devido à diminuição de sal do organismo.
Sinais e Sintomas
Vítimas de cãibras
apresentam contrações musculares involuntárias, fortes e muito dolorosas.
Ocorrem nos músculos do abdômen e nas extremidades.
A pele fica úmida e
fria. Nestes casos, a temperatura do corpo estará normal ou ligeiramente baixa.
Há hemoconcentração e baixo nível de sódio no organismo.
Primeiros Socorros
· A vítima de cãibras
deve ser colocada em repouso, confortavelmente em local fresco e arejado.
· Pode-se tentar
massagear suavemente os músculos atingidos para promover alívio localizado.
· Pode-se dar à
vítima água com uma pitada de sal, que muitas vezes faz o acidentado melhorar
quase que imediatamente.
· Pode-se oferecer
alimento salgado.
Dependendo da
gravidade do ataque, a vítima precisará ser mantida em repouso por vários dias.
Diarreia
A diarreia é um
aumento na frequência, fluidez e volume das fezes.
O funcionamento
normal dos intestinos varia de pessoa para pessoa. A própria definição precisa
de diarréia deverá levar em conta este dado.
Diversas causas podem
provocar diarréia, entre uma quase infinidade de exemplos:
· Desordens
psicogênicas ou diarréia "nervosa".
· Infecções
intestinais bacterianas, viróticas ou parasitárias de diversas origens.
· Fatores intestinais
como envenenamento por metal pesado, terapia antibiótica, fístula gastrocólica
e carcinoma do intestino.
· Efeitos adversos de
medicamentos.
· Doença pancreática
(diarréia gordurosa).
· Atresia biliar.
· Reflexos de outras
vísceras.
· Doença neurológica.
· Hipertireoidismo ou
tumores gastrointestinais, benignos ou malignos, que produzem substâncias
causadoras de diarréia.
· Deficiência
nutricional.
· Alergia alimentar.
· Fatores dietéticos.
O exagero na ingestão de fibras pode ocasionar diarréia transitória.
· Ingestão excessiva
de laxativo.
Além da diarréia
propriamente dita, é comum o desconforto abdominal, cólica, plenitude (sensação
de estufamento), excesso de flatos (gases), mal estar generalizado, náuseas e
vômitos.
Primeiros Socorros
Em caso de diarréia
existe o risco de desidratação, principalmente em pessoas debilitadas por
outras doenças, em idosos e em crianças. Para controlar a situação até o
recebimento de socorro médico especializado, deve-se acalmar a vítima, mantê-la
em repouso confortavelmente e, sempre que possível, iniciar imediatamente a
hidratação oral com soro caseiro, dando à vítima três colheres de sopa a cada
15 minutos.
Receita para o soro
caseiro:
· 1 copo de 250 ml de
água fervida ou filtrada
· 1 colher de sopa de
açúcar
· 1 colher de chá de
sal de cozinha.
Choque Elétrico
Introdução
São abalos musculares
causados pela passagem de corrente elétrica pelo corpo humano.
As alterações
provocadas no organismo humano pela corrente elétrica dependem principalmente
de sua intensidade, isto é, da amperagem.
A patologia das
alterações provocadas pode ser esquematizada em três tipos de fenômenos:
eletroquímico, térmico e fisiopatológico. Esses efeitos variam, porém, conforme
a sua freqüência, a intensidade medida em amperes, a tensão medida em volts, a
duração da sua passagem pelo corpo, o seu percurso através do mesmo e das
condições em que se encontrava a vítima.
Como a maior parte da
resistência elétrica se encontra no ponto em que a pele entra em contato com o
condutor, as queimaduras elétricas geralmente afetam a pele e os tecidos
subjacentes. A necrose progressiva e a formação de escaras geralmente são
maiores do que a lesão inicial poderia sugerir.
Se a corrente for
intensa, determinará a morte pela paralisia do centro nervoso central (bulbo)
que regem os movimentos respiratórios e cardíacos.
Em outros casos, a
morte se dá por fibrilação cardíaca (ventricular).
Em condições
habituais correntes de 100 a 150 Volts já são perigosas e acima de 500 Volts
são mortais.
A intensidade da
corrente é o fator mais importante a ser considerado nos acidentes com
eletricidade. Corrente com 25 mA determinam espasmos musculares, podendo levar
à morte se atuar por alguns minutos, por paralisia da musculatura respiratória.
Entre 25 mA e 75 mA, além do espasmo muscular, dá-se a parada do coração em
diástole (fase de
relaxamento)
ventricular. Se o tempo de contato for curto, o coração poderá sobreviver a
fibrilação ventricular.
Cada segundo de
contato com a eletricidade diminui a possibilidade de sobrevivência da vítima.
“Os acidentes com eletricidade também
oferecem perigo à pessoa que vai socorrer a vítima.”
Causas Principais
Nos ambientes de trabalho encontramos
este acidente quando há:
· Falta de segurança nas instalações e
equipamentos, como: fios descascados, falta de aterramento elétrico, parte
elétrica de um motor que, por defeito, está em contato com sua carcaça, etc.
· Imprudência
· Indisciplina
· Ignorância
· Acidentes, etc.
Observação:
Corrente alternada - tetanização com
tempo de exposição
Corrente contínua - contração muscular
brusca com projeção da vítima, podendo ocorrer traumatismo grave.
Sintomas
Efeitos Gerais:
· Mal estar geral
· Sensação de angústia
· Náusea
· Cãibras musculares de extremidades
· Parestesias (dormência,
formigamento)
· Ardência ou insensibilidade da pele
· Escotomas cintilantes (visão de
pontos luminosos)
· Cefaléia
· Vertigem
· Arritmias (ritmo irregular)
cardíacas (alteração do ritmo cardíaco)
· Falta de ar (dispnéia).
Principais Complicações
· Parada cardíaca
· Parada respiratória
· Queimaduras
· Traumatismo (de crânio, ruptura de
órgãos internos, etc.)
· Óbito.
Percentagem
de Corrente que Intercepta o Coração
|
|
Cabeça / Pé
|
9,7%
|
Braço / Pé
|
7,9%
|
Braço / Braço
|
2,9%
|
Cabeça / Braço
|
1,8%
|
Pé / Pé
|
0%
|
(*) - A passagem de
corrente elétrica pela cabeça (bulboraquiano)
pode
acarretar parada cardio-respiratória
|
|
Primeiros Socorros
· Antes de socorrer a
vítima, cortar a corrente elétrica, desligando a chave geral de força,
retirando os fusíveis da instalação ou puxando o fio da tomada (desde que
esteja encapado).
· Se o item anterior
não for possível, tentar afastar a vítima da fonte de energia utilizando luvas
de borracha grossa ou materiais isolantes, e que estejam secos (cabo de
vassoura, tapete de borracha, jornal dobrado, pano grosso dobrado, corda,
etc.), afastando a vítima do fio ou aparelho elétrico (Figura 28).
Figura 28 -
Procedimento para afastar a vítima da corrente
· Não tocar na vítima
até que ela esteja separada da corrente elétrica ou que esta seja interrompida.
· Se o choque for
leve seguir os itens do capítulo "Estado de Choque".
· Em caso de parada
cardío-respiratória iniciar imediatamente as manobras de ressuscitação.
· Insistir nas
manobras de ressuscitação, mesmo que a vítima não esteja se recuperando, até a
chegada do atendimento especializado.
· Depois de obtida a
ressuscitação cardío-respiratória, deve ser feito um exame geral da vítima para
localizar possíveis queimaduras, fraturas ou lesões que possam ter ocorrido no
caso de queda durante o acidente.
· Deve-se atender
primeiro a hemorragias, fraturas e queimaduras, nesta ordem, segundo os
capítulos específicos.
Desmaio
Definição:
É a perda súbita,
temporária e repentina da consciência, devido à diminuição de sangue e oxigênio
no cérebro.
Principais Causas
· Hipoglicemia
· Cansaço excessivo
· Fome
· Nervosismo intenso
· Emoções súbitas
· Susto
· Acidentes,
principalmente os que envolvem perda sangüínea
· Dor intensa
· Prolongada
permanência em pé
· Mudança súbita de
posição (de deitado para em pé)
· Ambientes fechados
e quentes
· Disritmias
cardíacas (bradicardia)
Sintomas
· Fraqueza
· Suor frio abundante
· Náusea ou ânsia de
vômito
· Palidez intensa
· Pulso fraco
· Pressão arterial baixa
· Respiração lenta
· Extremidades frias
· Tontura
· Escurecimento da visão
· Devido à perda da consciência, o
acidentado cai.
Primeiros
Socorros
A. Se a pessoa apenas começou a
desfalecer (Figura 29):
· Sentá-la em uma cadeira, ou outro
local semelhante.
· Curvá-la para frente.
· Baixar a cabeça do acidentado,
colocando-a entre as pernas e pressionar a cabeça para baixo.
· Manter a cabeça mais baixa que os
joelhos.
· Fazê-la respirar
profundamente, até que passe o mal-estar.
Figura
9 - Vítima de desmaio
B. Havendo o desmaio:
· Manter o acidentado
deitado, colocando sua cabeça e ombros em posição mais baixa em relação ao
resto do corpo (Figura 30).
· Afrouxar a sua
roupa.
· Manter o ambiente
arejado.
· Se houver vômito,
lateralizar-lhe a cabeça, para evitar sufocamento.
· Depois que o
acidentado se recuperar, pode ser dado a ela café, chá ou mesmo água com
açúcar.
Figura
30 - Vítima de desmaio
Sempre encaminhar ao Núcleo de Saúde do
Trabalhador/ NUST, para identificar as causas do desmaio.Se o desmaio durar
mais que dois minutos agasalhar a vítima e procurar com urgência o NUST.
Alterações Mentais
Convulsão
Definição
É uma contração
violenta, ou série de contrações dos músculos voluntários, com ou sem perda de
consciência.
Principais Causas
Nos ambientes de
trabalho podemos encontrar esta afecção em indivíduos com histórico anterior de
convulsão ou em qualquer indivíduo de qualquer função. De modo específico,
podemos encontrar trabalhadores com convulsão quando expostos a agentes
químicos de
poder convulsígeno,
tais como os inseticidas clorados e o óxido de etileno.
· Febre muito alta,
devido a processos inflamatórios e infecciosos, ou degenerativos
· Hipoglicemia
· Alcalose
· Erro no metabolismo
de aminoácidos
· Hipocalcemia
· Traumatismo na
cabeça
· Hemorragia
intracraniana
· Edema cerebral
· Tumores
· Intoxicações por
gases, álcool, drogas alucinatórias, insulina, dentre outros agentes
·
Epilepsia ou outras doenças do Sistema Nervoso Central
Sintomas
· Inconsciência
· Queda desamparada,
onde a vítima é incapaz de fazer qualquer esforço para evitar danos físicos a
si própria.
· Olhar vago, fixo
e/ou revirar dos olhos.
· Suor
· Midríase (pupila
dilatada)
· Lábios cianosados
· Espumar pela boca
· Morder a língua
e/ou lábios
· Corpo rígido e
contração do rosto
· Palidez intensa
· Movimentos
involuntários e desordenados
· Perda de urina e/ou
fezes (relaxamento esfincteriano)
Geralmente os
movimentos incontroláveis duram de 2 a 4 minutos, tornando-se, então, menos
violentos e o acidentado vai se recuperando gradativamente. Estes acessos podem
variar na sua gravidade e duração.
Depois da recuperação
da convulsão há perda da memória, que se recupera mais tarde.
Primeiros Socorros
· Tentar evitar que a
vítima caia desamparadamente, cuidando para que a cabeça não sofra traumatismo
e procurando deitá-la no chão com cuidado, acomodando-a.
· Retirar da boca
próteses dentárias móveis (pontes, dentaduras) e eventuais detritos.
· Remover qualquer
objeto com que a vítima possa se machucar e afastá-la de locais e ambientes
potencialmente perigosos, como por exemplo: escadas, portas de vidro, janelas,
fogo, eletricidade, máquinas em funcionamento.
· Não interferir nos
movimentos convulsivos, mas assegurar-se que a vítima não está se machucando.
· Afrouxar as roupas
da vítima no pescoço e cintura.
· Virar o rosto da
vítima para o lado, evitando assim a asfixia por vômitos ou secreções.
· Não colocar nenhum
objeto rígido entre os dentes da vítima.
· Tentar introduzir
um pano ou lenço enrolado entre os dentes para evitar mordedura da língua
(Figura 52).
· Não jogar água fria
no rosto da vítima.
· Quando passar a
convulsão, manter a vítima deitada até que ela tenha plena consciência e
autocontrole.
· Se a pessoa
demonstrar vontade de dormir, deve-se ajudar a tornar isso possível.
· Contatar o
atendimento especializado do NUST, pela necessidade de diagnóstico e
tratamentos precisos.
Figura
31- Vítima de epilepsia
No caso de se
propiciar meios para que a vítima durma, mesmo que seja no chão, no local de
trabalho, a melhor posição para mantê-la é deitada na "posição lateral de
segurança" (PLS).
Devemos fazer uma
inspeção no estado geral da vítima, a fim de verificar se ela está ferida e
sangrando. Conforme o resultado desta inspeção, devemos proceder no sentido de
tratar das consequências do ataque convulsivo, cuidando dos ferimentos e
contusões.
É conduta de socorro
bem prestado permanecer junto à vítima, até que ela se recupere totalmente.
Devemos conversar com a vítima, demonstrando atenção e cuidado com o caso, e
informá-la onde está e com quem está, para dar-lhe segurança e tranquilidade.
Pode ser muito útil saber da vítima
se ela é epiléptica.
Em qualquer caso de
ataque convulsivo, a vítima deve ser encaminhada ao NUST, mesmo que ela tenha
consciência de seu estado e procure demonstrar a impertinência dessa atitude. A
obtenção ou encaminhamento para o NUST deve ser feito com a maior rapidez,
especialmente se a vítima tiver um segundo ataque; se as convulsões durarem
mais que 5 minutos ou se a vítima for mulher grávida.
Neurose Histérica
A neurose histérica,
ou crise de ansiedade é uma síndrome psiconeurótica caracterizada por estados
de expectativa, apreensão, muita tensão e nervosismo. Pode vir associada à
fadiga com exacerbações agudas de pânico e ansiedade, palpitações e,
freqüentemente, manifestações físicas de medo e pavor.
No quadro de um
ataque de histeria, a vítima, aparentemente normal, não consegue controlar
satisfatoriamente algum tipo de conflito interno, esporádico ou instalado,
entra repentinamente numa seqüência de distúrbios psiconeuróticos e
psicofisiológicos.
Normalmente, o
organismo usa como forma de defesa, contra um conflito intrapsíquico muito
incômodo, a transformação deste em outras manifestações menos desagradáveis.
Quando a
transformação não ocorre, pode sobrevir a neurose histéricaou crise de
ansiedade. A vítima se apresenta tensa, inquieta, apreensiva, freqüentemente
taquicárdica e com sudorese excessiva. Existe uma sensação de mal-estar muito
intensa, mas o acidentado quase nunca
sabe a que
atribuí-la.
Sentindo-se ansioso,
a vítima tende a respirar rapidamente, o que leva a uma alcalose com sensação
de tontura; esta sensação realimenta a crise de ansiedade, aumentando ainda
mais a hiperventilação.
A pessoa que for
prestar os primeiros socorros pode reconhecer uma crise histérica ao notar na
vítima as seguintes características:
· Pestanejar intenso
· Hipersensibilidade
emocional
· Autopreservação
exacerbada
· Respiração
acelerada
· Crise de choro ou
de riso
· Gritos estridentes
· Olhar observador
· Mãos em garra.
Todos os sintomas de
neurose histéricapodem ser modificados por sugestão. O ataque histérico é um
desequilíbrio da vontade, ou uma ausência de vontade. A calma e a persuasão são
fundamentais como primeiros socorros.
Durante a crise, a
vítima de neurose histéricanão perde a consciência, mantém o olhar atento,
especialmente observador da reação das pessoas à sua volta. A vítima também se
autopreserva para não ser presa, agarrada, cair ou se machucar. Deve-se agir
com tranqüilidade, demonstrando não dar muita importância ao estado aparente do
acidentado. Afastá-la da presença de outras pessoas, conversando amigavelmente.
Afrouxar-lhe as
roupas e fazer com
que se sente ou deite, demonstrando solidariedade e segurança.
Não se deve discutir
com a vítima de histeria. Pode-se deixá-la chorar à vontade, se for o caso,
ficando sempre por perto em sinal de apoio e compreensão. Não se deve dar
medicamentos, especialmente calmantes e tranqüilizantes, mesmo que o acidentado
peça. Pode ser oferecida água, ou água com açúcar para ser bebida devagar e com
calma.
Com estes cuidados a
vítima histérica geralmente volta ao seu estado normal, se acalma e se contém.
Todavia, se o descontrole emocional persistir, não desaparecer total-mente ou
retornar na forma de uma segunda crise, deve-se procurar auxílio especializado
do NUST.
Alcoolismo Agudo
O alcoolismo agudo -
ou embriaguez - é o estado provocado pelo efeito tóxico resultante da excessiva
ingestão de álcool etílico contido nas bebidas alcoólicas.
O estado de
alcoolismo agudo deixa a pessoa com um comportamento geralmente violento;
anormal, em relação a seu estado de sobriedade; agressivo; confuso; agitado e
instável.
Além do odor
característico de bebida alcoólica, poderemos identificar um estado de
alcoolismo agudo pelos seguintes sinais e sintomas:
· Olhos brilhantes,
dispersivos e vermelhos.
· Dificuldade de
falar.
· Fisionomia imóvel.
· Descoordenação
motora.
· Tontura.
· Sonolência.
· Andar cambaleante.
A intensidade dos
sintomas de alcoolismo pode ser exacerbada em razão do grau de intoxicação
alcoólica. Esses sinais e sintomas mais comuns podem se intensificar para um
quadro de diminuição dos movimentos do corpo ou de ausência total dos movimentos;
náusea ou vômito; estupor alcoólico e coma.
Na fase posterior aos
efeitos do álcool pode apresentar um quadro de delirium tremens com agitação,
irritabilidade e insônia; fortes dores de cabeça; zumbidos; náuseas; visão
turva; aversão a alimento; raciocínio lento.
A primeira
preocupação deve ser a de não permitir que o acidentado tome mais bebida
alcoólica. Não se deve dar qualquer medicamento, comida ou líquido.
Se a vítima
adormecer, deve ser colocada na posição lateral de segurança (PLS) e ficar sob
observação periódica, até que passem os efeitos do álcool ou até que possa ser
removida para atendimento especializado do NUST, que decidirá sobre a conduta a
ser tomada.
Se a vítima estiver
acordada, podemos dar-lhe água morna com sal e provocar vômito; se for
possível, a vítima deve ingerir leite com ou sem clara de ovo batida. A vítima
deve ter sua iniciativa de deambulação desestimulada, devendo permanecer o
máximo possível deitada ou sentada.
Se a vítima estiver consciente, deve-se
observar atentamente os sinais vitais, se ocorrer parada respiratória, devem
ser aplicados os procedimentos de respiração boca a boca; nunca provocar vômito
neste caso.
A vítima deve ser colocada na posição lateral
de segurança. Procurar socorro especializado do NUST imediatamente.
O alcoolismo agudo
pode manifestar-se no âmbito do trabalho, provocando sempre circunstâncias
constrangedoras para o acidentado, seja alcoólatra ou não, e para os que
trabalham com ela. A compreensão e o estímulo à busca de terapia especializada
deve ser orientada por nós aos colegas que apresentem estado alcoólico
frequente. Em muitas unidades
de trabalho o porte,
a circulação e ingestão de bebidas alcoólicas são rigorosamente proibidos. Caso
venha a prestar auxílio a um caso aparente de alcoolismo nas unidades de
trabalho, redobrar a atenção, procurar atendimento especializado do NUST
urgente e investigar as causas da intoxicação, pois poderá ter ocorrido a
ingestão de álcool metílico, usado na limpeza de equipamentos e bancadas, ou
mesmo loções, perfume e éter.
Todos os casos de
convulsão, neurose histéricae alcoolismo agudo são muito constrangedores para a
vítima. Deve-se ter calma e providenciar, ou pedir que providenciem socorro
especializado do NUST. Deve ter a preocupação de afastar a vítima de locais
potencialmente perigosos e de afastar dela objetos que possam causar-lhe danos,
ou a outras pessoas. A vítima deve ser
tratada com respeito e paciência, seja qual for seu comportamento.
Em todos estes casos,
há a necessidade de ser firmes e decididos nas atitudes a serem tomadas; não
discutir com a vítima e só tentar contê- la para protegê-la.
Estes casos, assim
como outros, exigem de quem for prestar os primeiros socorros, além do
reconhecimento correto dos sintomas e sinais, uma boa dose de compreensão,
atenção, respeito e solidariedade humana.
CAPÍTULO III
EMERGÊNCIAS
TRAUMÁTICAS
Ferimentos
Introdução
Os ferimentos são as
alterações mais comuns de ocorrer em acidentes de trabalho.
São lesões que surgem
sempre que existe um traumatismo, seja em que proporção for, desde um pequeno
corte ou escoriação de atendimento doméstico até acidentes violentos com
politraumatismo e complicações.
Neste item,
trataremos das lesões que julgamos ser mais comum em ambientes de trabalho como
o nosso. Não deixaremos de fora, todavia, uma série de recomendações para o
atendimento de primeiros socorros, mesmo em acidentes fora do ambiente de
trabalho.
Todos os ferimentos,
logo que ocorrem:
1. Causam dor
2. Originam
sangramentos
3. São vulneráveis as
infecções
O objetivo principal
desta parte do Manual é criar e enfatizar a consciência da necessidade de
limpeza, da melhor forma possível, antes de entrar em contato com qualquer
lesão, além dos cuidados especiais que devem ser tomados na presença ou
suspeita de hemorragia, para enquanto se espera a chegada de socorro médico ou
a remoção para atendimento especializado.
Os ferimentos são
lesões que apresentam solução de continuidade dos tecidos e provocam o
rompimento da pele e, conforme seu tipo e profundidade, rompimento das camadas
de gordura e de músculo.
· Os ferimentos
incisos são provocados por objetos cortantes, têm bordas regulares e causam
sangramentos de variados graus, devido ao seccionamento dos vasos sanguíneos e
danos a tendões, músculos e nervos.
· Os ferimentos
contusos, chamados de lacerações, são lesões teciduais de bordas irregulares,
provocados por objetos rombudos, através de trauma fechado sob superfícies
ósseas, com o esmagamento dos tecidos. O sangramento deve ser controlado por
compressão direta e aplicação de curativo e bandagens.
· Os ferimentos
perfurantes são lesões causadas por perfurações da pele e dos tecidos
subjacentes por um objeto. O orifício de entrada pode não corresponder à
profundidade da lesão.
· Os ferimentos
transfixantes atravessam de lado a lado uma parte do corpo.
· Os ferimentos
puntiformes geralmente sangram pouco para o exterior.
· As avulsões são
lesões onde ocorrem descolamentos da pele em relação ao tecido subjacente, que
pode se manter ligado ao tecido sadio ou não. Apresentam graus variados de
sangramento, geralmente de difícil controle. A localização mais comum ocorre em
mãos e pés. Recomendase colocar o retalho em sua posição normal e efetuar a
compressão direta
da área, para
controlar o sangramento. Caso a avulsão seja completa, transportar o retalho ao
hospital. A preparação do retalho consiste em lavá-lo com solução salina,
evitando o uso de gelo direto sobre o tecido.
Não tocar no
ferimento diretamente com os dedos. Os ferimentos podem inflamar e infeccionar
muito rapidamente, dependendo do grau de limpeza e dos cuidados que forem
tomados para prevenir a contaminação.
Ter em mente a
necessidade de cobrir o ferimento com compressa limpa e encaminhar o acidentado
para atendimento especializado.
Ferimento na Cabeça
· Deitar o acidentado
de costas (em caso de inconsciência ou inquietação).
· Afrouxar as roupas
do acidentado.
· Colocar compressa
ou pano limpo sobre o ferimento (em caso de hemorragia).
· Prender a compressa
com esparadrapo ou tira de pano.
Lesões Oculares
Podem ser produzidas
por agentes físicos; tais como: corpos estranhos, queimaduras por exposição ao
calor, luminosidade excessiva e agentes químicos; lacerações e contusões.
Em traumatismos
severos pode haver exteriorização do globo ocular de sua órbita (extrusão).
Primeiros socorros:
1. Irrigação ocular
com soro fisiológico, durante vários minutos em caso de lesão por agentes
químicos, ou na presença de corpos estranhos.
2. Não utilizar
medicamentos tópicos (colírios ou anestésicos) sem parecer oftalmológico.
3. Não tentar remover
corpos estranhos. Estabilizá-los com curativos adequados.
4. Oclusão ocular
bilateral, com gaze umedecida, mesmo em lesões unilaterais. Esta conduta
objetiva reduzir a movimentação ocular e o agravamento da lesão.
5. Em caso de
extrusão de globo ocular não tentar recolocá-lo.
Efetuar a oclusão
ocular bilateral com gaze umedecida.
6. A remoção de
lentes de contato deve ser efetuada somente em vítimas inconscientes com tempo
de transporte prolongado, que não apresentem lesão ocular.
Traumatismo Torácico
Os traumatismos
torácicos são provocados, em sua maior freqüência, por acidentes de trânsito e
acidentes industriais.
A gravidade dos
traumatismos torácicos é diretamente proporcional aos tipos de lesões
associadas, que podem levar à morte ou dificultar o diagnóstico preciso da
lesão traumática e, conseqüentemente, o tratamento adequado para o caso.
Um atendimento
precipitado, ou conduzido sem a correção técnica adequada pode levar à morte,
quando em vez disso, medidas terapêuticas com bases seguras seriam capazes de
resguardar a vida e evitar complicações.
Um traumatizado de
tórax poderá chegar até o socorro especializado em condições clínicas
consideradas boas, se for atendido corretamente, ou evoluir rapidamente para a morte,
muitas vezes por pequenos enganos que jamais serão descobertos. O acidentado
deverá ser sempre considerado em estado grave, mesmo que não apresente sinais
clínicos aparentes. É prudente recomendar que se dedique à vítima de
traumatismo torácico a máxima atenção possível, sob observação permanente e bem
orientada, até que se possa entregá-lo ao socorro médico especializado.
Nos traumatismos
fechados de tórax, ou contusões torácicas, não há solução de continuidade da
pele. Nos traumatismos abertos ou ferimentos torácicos, podem surgir
complicações maiores. Eles são chamados de penetrantes quando atingem a pleura,
o pericárdio ou o mediastino. De acordo com a localização do ferimento ele
poderá ser chamado de torácico, cervico-torácico e tóraco-abdominal.
As lesões anatômicas
da caixa torácica e dos órgãos localizados em seu interior levam a alterações
respiratórias e metabólicas acentuadas. A idade do acidentado ou a existência
de processos patológicos cardiopulmonares anteriores são, muitas vezes, responsáveis
pelo agravamento dessas alterações. Podem ocorrer hipoxemia e hipercapnia que,
dadas certas condições de choque, chegam a levar ao sofrimento do encéfalo e
coração.
Condições precárias
de atendimento, ou desorientação na condução adotada durante os primeiros
socorros, aumentam os riscos dos traumatismos e suas complicações, podendo
favorecer seqüelas.
A seguinte conduta
básica deve ser observada, enquanto providenciase para que o socorro
especializado seja chamado com a maior urgência:
· É preciso ter
cautela, estar calmo e agir com rapidez.
· O acidentado
consciente ou inconsciente deve ser deitado sobre o lado ferido, na posição
lateral de segurança.
· Aplica-se curativo
de gaze ou compressa de pano, desde que esteja limpo.
· Com este curativo,
procura-se vedar totalmente a abertura do ferimento para impedir a entrada de
ar.
· O curativo deverá
ser preso e fixo firmemente com o cinto ou faixa de pano em torno do tórax, sem
apertar.
· O acidentado deve
ser encaminhado com urgência para atendimento especializado.
Traumatismos Abdominais
Mais de 60% dos
traumatismos abdominais são causados por acidentes automobilísticos, mas podem
ocorrer em ambientes de trabalho devido à pancada de objetos pesados ou a
quedas violentas amparadas pelo choque do abdome contra alguma superfície dura.
Os traumatismos
abdominais são
classificados de abertos ou fechados.
Os traumatismos
fechados ou contusões caracterizam-se pela atuação do agente traumático sobre a
parede abdominal, sem provocar solução de continuidade da pele. Estes
traumatismos, no entanto, podem apresentar lesões viscerais graves.
Os traumatismos
abdominais com lesão visceral evoluem para a síndrome de perfuração, resultante
de lesão da víscera oca; e para a síndrome hemorrágica quando provocam ruptura
de víscera maciça ou de vaso sanguíneo.
As vítimas de
ferimentos abdominais correm sério risco de entrar em estado de choque, devendo
ser encaminhadas para assistência qualificada com urgência, pois é considerada
como emergência.
Qualquer que seja a
causa, o agente traumático atua por percussão ou pressão, resultando sempre em
lesões parietais, importantes para a identificação de lesão visceral. A parede
pode ser atingida perpendicularmente ou tangencialmente. No primeiro caso
deve-se considerar sempre a possibilidade de lesão visceral.
Os traumatismos
abertos ou feridas podem ocorrer de forma simples, como um ferimento qualquer,
ou de forma mais grave, quando ocorre ruptura de músculos e da parede abdominal
em grande extensão, suficiente para provocar uma evisceração.
Nos casos de
evisceração não devemos, de forma alguma, tocar nas vísceras, nem tentar
colocá-las de volta, para dentro da cavidade abdominal.
A primeira coisa a
ser feita é providenciar para que seja encontrado socorro médico ou remoção
especializada o mais rápido possível.
Em seguida colocar o
acidentado em local confortável, em decúbito dorsal, colocando uma manta ou
cobertor enrolado sob seus joelhos, para diminuir a pressão sobre o ventre e
impedir o afastamento muscular (Figura 32). O ferimento deverá então ser
coberto com curativo ou compressa, ou pano limpo umedecido em solução salina,
caso não seja possível, em água limpa. Estas compressas não devem ser de
materiais aderentes.
Envolver o curativo
cuidadosamente com bandagens fixadas firmemente, mas nunca apertada.
Não dar nada para o
acidentado beber ou comer, ainda que se queixe de muita fome ou sede.
Figura 32 - Posição
do acidentado
Lesões dos Tecidos Moles
Os tecidos moles são
aqueles que não são ossos nem dentes, como a pele, tecidos gordurosos, músculos
e órgãos internos.
Todo o ferimento é
uma forma de lesão que afeta os tecidos moles do corpo, seja externamente ou de
maneira não aparente, interna. O objeto final do tratamento de qualquer lesão
ou ferida traumática é fechá-la no menor tempo possível, sem deformações e sem
perda de função.
Tecnicamente, o
método de tratamento varia de acordo com o tipo de ferimento. Para primeiros
socorros esta afirmação também vale, mas o que veremos aqui são as condutas
universais para o pronto atendimento destas alterações.
Em qualquer forma de
atendimento a ferimentos provocados por qualquer tipo de acidente, sempre
conduzir da seguinte forma:
1. Lavar as mãos com
água corrente e sabão antes de manipular o ferimento
2. Parar ou controlar
qualquer tipo de hemorragia
3. Cuidar e prevenir
o estado de choque
4. Procurar auxílio
especializado com urgência, nos casos de lesões graves, e encaminhar o
acidentado para atendimento especializado.
O diagnóstico do
ferimento simples ou complicada não oferece dificuldades. Do ponto de vista do
grau de contaminação, o ferimento pode ser considerada limpa ou suja. Este
problema deve ser deixado para avaliação por profissional médico. Devemos nos
preocupar sempre em manter o ferimento o mais limpa e protegida possível, para
que possa aguardar o atendimento especializado.
Mesmo não sendo
função do primeiro socorro, é útil saber que para atender ao processo de
cicatrização e ao que pode intervir na fisiologia normal da cicatrização,
deve-se conhecer o que acontece com o tecido lesado e por quais fases passa a
cicatrização.
Imediatamente após a
lesão, ocorre reação inflamatória (primeira fase), e alterações vasculares,
tais como vasoconstrição, vasodilatação e exsudação. Ocorrem ainda reações
hemostáticas com retração vascular e formação de coágulo e reações celulares. A
inflamação é proporcional ao agente causador.
Se o ferimento é
limpo, com um mínimo de traumatismo celular, a reação inflamatória é propícia a
uma rápida fibroplasia, com consequente cicatrização.
Identificação
De uma maneira
prática, os ferimentos podem ser classificados de acordo com o tipo de agente
que as causou e com as complicações que elas podem apresentar (Figura 33).
Figura 33 - Tipos de
ferimentos
Limpeza de
Ferimentos Superficiais
|
1. Lavar bem as mãos com água e sabão.
|
2.
Lavar abundantemente a ferida com água limpa e sabão.
Se possível lavar com água morna.
|
3. Se preciso realizar tricotomia (corte
dos cabelos e pêlos).
|
4.
Cuidado ao retirar sujeira. Não esfregar os ferimentos para
não
piorar a solução de continuidade da pele, e não remover
possíveis coágulos existentes.
|
5.
Cobrir com gaze estéril para secar, limpando a ferida no
sentido
de dentro para fora, para não levar microrganismos
para dentro.
|
6.
Colocar compressas de gaze sobre a ferida. Não usar
algodão, que se desmancha e prejudica a
cicatrização.
|
7. Não
tentar retirar corpos estranhos, tais como: farpas ou
pedaços de vidro ou metal, a não ser que
saiam facilmente.
|
8.
Fazer uma atadura ou bandagem sobre o ferimento com
curativo.
|
Contusões
As contusões são
lesões provocadas por pancadas, sem a presença de ferimentos abertos, isto é,
sem rompimento da pele. Não há solução de continuidade da pele e só ocorre
derramamento de sangue no tecido subcutâneo, ou em camadas mais profundas.
Quando há apenas o acometimento superficial, o acidentado apresenta somente dor
e inchação
(edema) da área
afetada. Quando há sufusão hemorrágica de pequeno porte, o local adquire uma
coloração preta ou azulada, chamamos a contusão de equimose. Quando vasos
maiores são lesados, o sangramento produz uma tumoração visível sob a pele,
ocorre o hematoma formado pelo sangue extravasado.
Estas lesões quando
superficiais não ameaçam a vida, porém podem alertar a quem estiver fazendo a
prestação de primeiros socorros, para a possibilidade de lesões de órgãos
internos.
Esta lesão é das mais
freqüentes e pode ocorrer nos ambientes de trabalho, pelos mais diversos
motivos, entre os quais batidas em ferramentas, escadas, mobiliários,
equipamentos, quedas, sendo também freqüente a sua ocorrência no trajeto
residência-trabalho-residência.
A contusão se deve a
uma ação local do agente traumatizante, geralmente, este agente é sólido e a
lesão será tanto mais grave, quanto maior for a velocidade de impacto e o seu
peso. O mesmo vale para contusão que se dá pelo choque do corpo contra um
agente parado. A
duração da batida é
importante, porque quanto mais prolongada causará lesões mais profundas e extensas.
Outro fator de importância na produção da contusão é a resistência do tecido
atingido, a qual está relacionada à sua elasticidade. Por exemplo, se a
contusão se dá em local onde a pele está sobre o osso, a lesão é maior; já, se
há músculos entre a pele e o osso, a lesão será mais amena para uma contusão de
mesma intensidade.
Logo após a contusão,
o acidentado sente dor, será mais ou menos intensa conforme a inervação da
região. Se a batida for muito intensa, a parte central da área afetada pode
apresentar-se indolor pela destruição de filetes nervosos. A mancha,
inicialmente arroxeada, no local contundido, chamada de equimose, vai se
transformando em azulada ou esverdeada, para, em alguns dias, torna-se
amarelada. Isto se dá pela alteração do sangue que extravasou na hemorragia e
que vai sendo reabsorvido lentamente. Pode se formar, também, líquido entre a
pele e o tecido mais profundo, dando um aspecto de ondulação, com mobilidade da
pele no local atingido. O sangue extravasado, por ser um bom meio de cultura,
pode infectar a lesão, sendo, portanto, muito importante a observação da
evolução da hemorragia.
Primeiros Socorros
As lesões contusas
podem ser tratadas de maneira simples, desde que não apresentem gravidade.
Normalmente, bolsa de gelo ou compressa de água gelada nas primeiras 24 horas e
repouso da parte lesada são suficientes.
Se persistirem
sintomas de dor, edema, hiperemia, pode-se aplicar compressas de calor úmido.
Deve ser procurado auxílio especializado.
As contusões simples,
de um modo geral, não apresentam complicações, nem necessitam de cuidados
especiais. Todavia, deve-se ficar alerta para contusões abdominais, mesmo que
não apresentem nenhum sintoma ou sinal, pois poderá ter havido complicações
internas mais graves. Mais adiante trataremos de ferimentos abdominais.
Escoriações
São lesões simples da
camada superficial da pele ou mucosas, apresentando solução de continuidade do
tecido, sem perda ou destruição do mesmo, com sangramento discreto, mas
costumam ser extremamente dolorosas. Não representam risco à vítima quando
isoladas. Geralmente são causadas por instrumento cortante ou contundente.
Estes tipos de
ferimentos também são chamados de escoriações, esfoliaduras ou arranhões, podem
complicar se não forem tratados adequadamente.
Para atender a estes
tipos de ferimentos deve-se fazer uma assepsia pessoal, lavando as mãos com
água e sabão, que é a medida profilática mais simples e que pode ser executada
praticamente em qualquer ambiente.
O ideal para estes
casos é lavar o ferimento com bastante água limpa e sabão.
Se a área atingida
for grande, cobrir com gaze ou curativo improvisado, deixando sempre espaço
para ventilação. Se for necessário, enquanto não se entrega o acidentado a
cuidados especializados, é conveniente trocar este curativo uma vez por dia,
pelo menos. O objetivo é mantê-lo sempre limpo e seco.
Qualquer manipulação de ferimento deve ser
sempre precedida de antissepsia (Quadro XV) de quem estiver socorrendo. Não se
aplicam medicamentos sobre os ferimentos. O uso de medicamentos tópicos é
restrito ao pessoal médico ou sob sua prescrição autorizada. A mesma observação
é válida para o uso de antibióticos ou de qualquer outra substância por via
oral.
Esmagamentos
Trata-se de lesão
comum em acidentes automobilísticos, desabamentos, e acidentes de trabalho.
Pode resultar em ferimentos abertos e fechados.
Existe dano tecidual
extenso das estruturas subjacentes. Os esmagamentos de tórax e abdome causam
graves distúrbios circulatórios e respiratórios.
Primeiros socorros
1. Procurar assistência especializada.
2. Executar o ABC da vida.
3. Transporte rápido,
pois o estado do acidentado é potencialmente grave.
Amputações
Traumáticas
As amputações são
definidas como lesões em que há a separação de um membro ou de uma estrutura protuberante
do corpo. Podem ser causadas por objetos cortantes, por esmagamentos ou por
forças de tração.
Estão freqüentemente
relacionadas a acidentes de trabalho e automobilísticos, tendo maior
prevalência em homens jovens.
Seu tratamento
inicial deve ser rápido pela gravidade da lesão, que pode causar a morte por
hemorragia, e pela possibilidade de reimplante do membro amputado.
O controle da
hemorragia é crucial na primeira fase do atendimento de primeiros socorros. O
membro amputado deve ser preservado sempre que possível, porém a maior
prioridade é a manutenção da vida.
São três os tipos de
amputação:
1. Amputação completa
ou total: o segmento é totalmente separado do corpo.
2. Amputação parcial:
o segmento tem 50% ou mais de área de solução de continuidade com o corpo.
3. Desenluvamento:
quando a pele e o tecido adiposo são arrancados sem lesão do tecido subjacente.
Primeiros socorros:
1. Abrir vias aéreas
e prestar assistência ventilatória, caso necessário.
2. Controlar a
hemorragia.
3. Tratar o estado de
choque, caso este esteja presente.
4. Cuidados com o
segmento amputado (Figura 34):
a.Limpeza com solução
salina, sem imersão em líquido.
b.Envolvê-lo em gaze
estéril, seca ou compressa limpa.
c.Cobrir a área
ferida com compressa úmida em solução salina.
d.Proteger o membro
amputado com dois sacos plásticos.
e.Colocar o saco
plástico em recipiente de isopor com gelo ou água gelada.
f.Jamais colocar a
extremidade em contato direto com o gelo.
Lesão por objetos
perfurantes, a pele e tecidos mais profundos ficam parcialmente exteriorizados.
Proceder da seguinte forma:
1.Expor a lesão.
2.Nunca remover objetos encravados.
Existe o risco significativo de precipitar hemorragia, devido ao
destamponamento de vasos sangüíneos.
3.Estabilizar o objeto com curativo
apropriado.
4.Não tentar partir ou mobilizar o
objeto, exceto nos casos em que isto seja essencial para possibilitar o
transporte.
Figura 34 –
Amputação
Queimaduras
Introdução
A temperatura, calor
ou frio, e os contatos com gases, eletricidade, radiação e produtos químicos,
podem causar lesões diferenciadas no corpo humano.
A temperatura do
corpo humano, em um determinado momento, é o resultado de vários agentes que
atuam como fatores internos ou externos, aumentando ou reduzindo a temperatura.
Mecanismos homeostáticos internos atuam para manter a vida com a constância da
temperatura corporal dentro de valores ideais para a atividade celular. Estes
valores oscilam entre 34,4 e 400C.
O equilíbrio entre
ganho e perda de calor do corpo humano tem suas oscilações corrigidas sob
controle do centro termorregulador do cérebro. Este controle é bastante
limitado. Quando a temperatura corporal atinge, por exemplo, valores entre 41,7
e 43,30C, não existe qualquer possibilidade de regulação da perda de calor
pois, neste caso, já ocorreu lesão no próprio aparelho termorregulador.
O controle da
temperatura pode ocorrer de maneira súbita, devido a reações inesperadas, ou
gradativamente, através de aclimatação.
Quando a temperatura
corporal tende a subir, devido a fatores climáticos, ou devido ao aumento da
atividade metabólica, as temperaturas superficiais do corpo e da pele aumentam.
O hipotálamo é automaticamente estimulado por sensores periféricos e pela ação
direta do sangue aquecido.
O Sistema Nervoso
Autônomo é ativado e se processam inúmeras alterações fisiológicas. O ritmo
cardíaco aumenta; a freqüência respiratória aumenta par aumentar a perda de
calor; ocorrem a vasodilatação periférica e a vasoconstrição esplênica (do baço);
a produção de suor aumenta.
A perda de fluidos
através do suor pode chegar, por exemplo, até a 4 litros por hora, numa pessoa
submetida a trabalhos pesados em temperaturas elevadas. O conteúdo de sal do
suor aumenta de 0,2 a 0,5% com temperaturas elevadas.
O controle da
temperatura é feito de maneira gradativa quando ocorre a aclimatação.
Normalmente um indivíduo leva de 8 a 10 dias exposto a temperaturas elevadas
para se aclimatar, Mesmo assim, pode sofrer transtornos funcionais e clínicos
se ocorrer fadiga; infecção grave; intoxicação alcoólica ou por drogas
alucinógenas; má hidratação; ingestão
de sal ou de
calorias. Pessoas com idades avançadas ou obesas, e os indivíduos que sofrem de
doenças debilitadoras crônicas são mais suscetíveis a transtornos provocados
pelo calor. Os problemas podem ocorrer devido à falência do mecanismo de
sudorese.
As quatro principais desordens devidas
a stress de calor ambiental, que estudaremos neste item em ordem decrescente de
gravidade, são:
· queimaduras,
· insolação ou golpe de calor;
· exaustão pelo calor; e
· cãibras de calor.
O suor é um líquido incolor, de odor
particular, secretado pelas glândulas sudoríparas. É uma solução hipotônica de
sódio. A normalização da perda de sal e volume circulante do organismo é feita
principalmente através do estímulo à produção de hormônio antidiurético e
aldosterona, a produção de suor pode ser aumentada para duas vezes e meia,
assim como pode ser diminuída a perda de sódio.
Queimaduras
Queimaduras são
lesões provocadas pela temperatura, geralmente calor, que podem atingir graves
proporções de perigo para a vida ou para a integridade da pessoa, dependendo de
sua localização, extensão e grau de profundidade.
O efeito inicial e
local, comum em todas as queimaduras é a desnaturação de proteínas, com
conseqüente lesão ou morte celular, por este motivo elas têm o potencial de
desfigurar, causar incapacitações temporárias ou permanentes ou mesmo a morte.
A pele é o maior
órgão do corpo humano e a barreira contra a perda de água e calor pelo corpo,
tendo também um papel importante na proteção contra infecções. Acidentados com
lesões extensas de pele tendem a perder temperatura e líquidos corporais
tornando-se mais propensos a infecções.
Todo tipo de
queimadura é uma lesão que requer atendimento médico especializado
imediatamente após a prestação de primeiros socorros, seja qual for a extensão
e profundidade.
Afastar o acidentado
da origem da queimadura é o passo inicial e tem prioridade sobre todos os
outros tratamentos. Observar sua segurança pessoal, com máximo cuidado, durante
o atendimento a queimados.
Gravidade da Queimadura
Depende da causa,
profundidade, percentual de superfície corporal queimada, localização,
associação com outras lesões, comprometimento de vias aéreas e estado prévio do
acidentado.
Como efeitos gerais
(sistêmicos) das queimaduras podem ter:
a) Choque primário
(neurogênico) - vasodilatação
b) Choque secundário
- hipovolemia
c) Infecção
bacteriana secundária a lesão
d) Paralisia
respiratória e fibrilação - choque elétrico
Classificação das
Queimaduras:
Profundidade ou Grau das Queimaduras
O agente causador das
queimaduras produz uma série de alterações sistêmicas, mas o revestimento
cutâneo, sendo o mais atingido primariamente, apresenta alterações mais visíveis.
As lesões não são
uniformes, existem, em geral, vários graus de profundidade em uma mesma área. O
tratamento inadequado e a infecção podem converter queimaduras de segundo grau
em queimaduras de terceiro grau.
Dependendo da
profundidade queimada do corpo, as queimaduras são classificadas em graus para
melhor compreensão e adoção de medidas terapêuticas adequadas.
As queimaduras de
primeiro grau são caracterizadas pelo eritema
(vermelhidão), que
clareia quando sofre pressão. Existe dor e edema, mas usualmente há bolhas.
As queimaduras de
segundo grau são caracteristicamente avermelhadas e dolorosas, com bolhas,
edema abaixo da pele e restos de peles queimadas soltas. São mais profundas,
provocam necrose e visível dilatação do leito vascular. Nas queimaduras de
segundo grau superficiais não há destruição da camada basal da epiderme,
enquanto nas queimaduras secundárias profundas há. Não há capacidade de
regeneração da pele. A dor e ardência local são de intensidade variável.
As queimaduras de
terceiro grau são aquelas em que toda a profundidade da pele está comprometida,
podendo atingir a exposição dos tecidos, vasos e ossos. Como há destruição das
terminações nervosas, o acidentado só acusa dor inicial da lesão aguda. São
queimaduras de extrema gravidade.
Na prática é difícil
de distinguirmos queimaduras de segundo e terceiro graus. Além disto, uma mesma
pessoa pode apresentar os três graus de queimaduras, porém a gravidade do
quadro não reside no grau da lesão, e sim na extensão da superfície atingida (Quadro
XVI e Figura 35).
Figura 35 - Tipos de
queimaduras
Extensão da lesão
É a mais importante e
se baseia na área do corpo queimada. Quanto maior a extensão da queimadura,
maior é o risco que corre o acidentado. Uma queimadura de primeiro grau, que
abranja uma vasta extensão, será considerada de muita gravidade.
A pele tem diversas
funções. Ela isola o organismo de seu ambiente; protegendo-o contra a invasão
de microrganismos patogênicos; controla sua temperatura; retém os líquidos
corporais e fornece informações ao cérebro sobre as condições do ambiente
externo, através de suas terminações nervosas. Qualquer lesão desta superfície
de revestimento permite a interrupção destas funções.
Quanto maiores forem
as lesões causadas na pele, mais graves são as conseqüências para o acidentado.
O grande queimado é
caracterizado por hipovolemia com hemoconcentração, e pelo intenso
desequilíbrio hidroeletrolítico decorrente da grande perda de líquidos causada
por ação direta da temperatura ambiental sobre estruturas adjacentes à pele;
modificação da permeabilidade vascular;
seqüestro de
líquidos, eletrólitos e proteínas na área queimada. O quadro se agrava com a
destruição das hemácias e infecção, que se instala imediatamente ao trauma e,
mais lentamente, nos períodos subjacentes. Estas alterações fisiopatológicas
são diretamente proporcionais à extensão da lesão e ao peso do acidentado.
Estimativa da Extensão das Queimaduras
Para melhor
entendermos a avaliação da extensão das queimaduras, é importante conhecermos a
chamada "regra dos nove", um método muito útil para o cálculo
aproximado da área de superfície corporal queimada.
O grau de mortalidade
das queimaduras está relacionado com a profundidade e extensão da lesão e com a
idade do acidentado. Queimaduras que atinjam 50% da superfície do corpo são
geralmente fatais, especialmente em crianças e em pessoas idosas.
A Figura 36 é adotada
comumente para calcular e avaliar a extensão das queimaduras em função da
superfície corporal total, segundo a "regra dos nove".
Suspeitar de queimaduras de vias aéreas
superior:
Queimadura de face
Sobrancelhas queimada
Pêlos nasais queimado
Queimaduras na boca
Escarro carbonáceo (negro)
Lábios inchados
Rouquidão é um sinal precoce
Estridor (ruído agudo semelhante ao da foca)
- sinal tardio e
85% de obstrução
Queimaduras em espaço confinado
Figura 36 -
Superfície corporal queimada / Grau de gravidade
O pescoço, que está
incluído na região da cabeça, representa 1% da superfície corporal.
Queimaduras nas
seguintes áreas são consideradas lesões graves:
- Mãos e pés:
Podem produzir
incapacidade permanente após o processo de cicatrização devido às retrações.
- Face:
Associa-se com
queimaduras de vias aéreas, inalação de fumaça, intoxicação por monóxido de
carbono e desfiguração.
- Olhos:
Podem causar cegueira.
- Períneo:
Tem alta incidência de infecção, sendo
difícil tratamento.
- Queimaduras circunferênciais:
Qualquer queimadura circunferencial
profunda pode causar complicações graves. No pescoço pode causar obstrução de
vias aéreas, do tórax restrição à ventilação pulmonar e nas extremidades,
obstrução à circulação.
Além do grau de profundidade as
queimaduras podem ainda ser classificadas como graves, moderadas e leves.
GRAVES
· Todo tipo de queimadura, de qualquer
grau e extensão, se houver complicação por lesão do trato respiratório.
· Queimadura de terceiro grau na face,
mão e pé.
· Queimadura de segundo grau que tenha
atingido mais de 30% da superfície corporal.
MODERADAS
· Queimadura de primeiro grau que
tenha atingido mais de 50% da superfície corporal.
· Queimadura de segundo grau que tenha
atingido mais de 20% da superfície corporal.
· Queimadura de terceiro grau que
tenha atingido até 10% da superfície corporal, sem atingir face, mãos e pés.
LEVES
· Queimadura de primeiro grau com
menos de 20% da superfície corporal atingida.
· Queimadura de segundo grau com menos
de 15% da superfície corporal atingida.
· Queimadura de terceiro grau com
menos de 2% da superfície corporal atingida.
A inalação de fumaça é a principal
causa de óbito precoce (primeiras horas) após a queimadura.
Lesão térmica das vias aéreas
A inalação de gases superaquecidos
pode causar obstrução alta de vias aéreas por edema da hipofaringe. Raramente
ocorre lesão dos pulmões, pois a traquéia absorve o calor.
Intoxicação por Monóxido de Carbono
(CO)
O CO é um gás inodoro e incolor
presente na fumaça do escapamento de automóveis, sendo o produto da combustão
de diversos materiais.
É a complicação causada pela inalação
de fumaça e a causa mais comum de morte precoce em vítimas de incêndio (Quadro
XVI). O Monóxido de Carbono se liga à hemoglobina, formando a
carboxi-hemoglobina e impedindo o transporte de oxigênio. A lesão dos tecidos é
provocada por falta de oxigênio.
A morte ocorre por lesão cardíaca
produzida pela falta de oxigênio. A cianose não aparece e a coloração
vermelho-cereja da pele e mucosas descrita como um sinal clássico é raro.
Intoxicação por
Monóxido de Carbono (CO)
|
|
Grau
|
Quadro clínico
|
Leve
|
Dor de cabeça pulsátil e dispnéia aos
esforços
|
Moderada
|
Dor de
cabeça, irritabilidade, tonteira, visão diminuída e
dispnéia em repouso.
|
Severa
|
Confusão
mental ou inconsciência, convulsões, apnéia,
parada cardío-respiratória. Óbito.
|
Quadro
XVII - Quadro clínico das intoxicações por monóxido de carbono
Lesão química de vias
aérea e sistêmica
A combustão de
determinados materiais produz substâncias químicas tóxicas que podem envenenar
o acidentado.
Não adianta ingerir
leite como tratamento para intoxicação por fumaça.
Traumatismos
Associados
Em explosões,
acidentes automobilísticos e outros acidentes, as queimaduras podem se associar
a outras lesões como traumatismos da cabeça, coluna cervical e fraturas e
hemorragias internas. A gravidade destas lesões vai ter, por vezes, importância
maior no prognóstico do acidentado do que da queimadura.
Fatores do acidentado
Idade - a
mortalidade aumenta abaixo dos cinco anos e acima dos 55 anos.
Estado prévio de
saúde - doenças cardíacas, respiratórias e diabetes pioram o prognóstico.
Definição de Grande
Queimado
|
Grau
|
2º grau > 25% de superfície corporal
queimada em adultos
|
2º grau > 20% de superfície corporal
queimada em crianças
|
3º grau > 10% de superfície corporal
queimada em qualquer faixa etária
|
Associação com traumatismos graves
|
Muitas
vítimas apresentando queimaduras elétricas, inalação de fumaça,
lesões em mãos, pés, face, olhos e períneo.
|
Queimados
com lesões moderadas, mas de alto risco clínico (diabéticos,
cardíacos).
|
Quadro XVIII-
Definição de grande queimado
Primeiros Socorros em Queimaduras Térmicas
Estes tipos de
queimaduras são causados pela condução de calor através de líquidos, sólidos,
gases quentes e do calor de chamas.
Podem ser
extremamente dolorosas e nos casos de queimaduras de segundo grau profundas ou
de terceiro grau, em que a profundidade da lesão tenha destruído terminais
nervosos da pele a dor aguda é substituída por insensibilidade.
A dor e a ansiedade
podem evoluir para síncope. Nas queimaduras térmicas, extensas e/ou profundas,
é freqüente sobrevir o estado de choque, causado pela dor e/ou perda de
líquidos, após algumas horas.
Em conseqüência
disto, devem ser tomadas as medidas necessárias para a prevenção.
Nas queimaduras
identificadas como sendo de primeiro grau, devese limitar à lavagem com água
corrente, na temperatura ambiente, por um máximo de um minuto. Este tempo é
necessário para o resfriamento local, para interromper a atuação do agente
causador da lesão, aliviar a dor e para evitar o aprofundamento da queimadura.
O resfriamento mais
prolongado pode
induzir hipotermia.
Não aplicar gelo no
local, pois causa vasoconstrição e diminuição da irrigação sangüínea.
Se o acidentado
sentir sede, deve ser-lhe dada toda a água que desejar beber, porém lentamente.
Sendo possível, deve-se adicionar à água sal (uma colher, das de café, de sal
para meio litro de água).
Se o acidentado
estiver inconsciente não lhe dê água, pois pode ocasionar-lhe a morte.
Em todos os casos de
queimaduras, mesmo as de primeiro grau, são convenientes ficar atento para a
necessidade de manter o local lesado limpo e protegido contra infecções.
As queimaduras de
segundo grau requerem outros tipos de cuidados para primeiros socorros. Além do
procedimento imediato de lavagem do local lesado, proteger o mesmo com
compressa de gaze ou pano limpo, umedecido, ou papel alumínio. Não furar as
bolhas que venham a surgir no local. Não aplicar pomadas, cremes ou ungüentos
de qualquer tipo.
Especial menção
deverá ser feita quanto a certos hábitos populares prejudiciais como: uso e
aplicação de creme dentifrício, manteiga, margarina ou graxa de máquina. É
preciso ficar bem claro que não se pode usar qualquer espécie de medicamento
tópico (pomadas) nestes casos.
Para prevenir o
estado de choque o acidentado deverá ser protegido por cobertor ou similar;
colocado em local confortável, com as pernas elevadas cerca de 30 cm, em
relação à cabeça. Tranqüilizar o acidentado devido à existência de dor e
sofrimento, já que a administração de drogas analgésicas é restrita a pessoa
especializada.
Nada deve ser dado à
vítima como medicamento. Remover jóias e vestes do acidentado para evitar
constrição com o desenvolvimento de edema. Não retirar roupas ou partes de
roupa que tenham grudado no corpo do acidentado, nem retirar corpos estranhos
que tenham ficado na queimadura após a lavagem inicial.
Todas as manobras
deverão ser executadas com calma e precisão. A identificação do estado ou
iminência de choque poderá ser feita pela observação de ansiedade; inquietação,
confusão, sonolência, pulso rápido, sudorese, oligúria e baixa pressão
arterial.
Realizar normalmente
o exame primário, priorizando a manutenção de vias aéreas, respiração e
circulação.
O acidentado deverá
ser encaminhado imediatamente para atendimento especializado. Não transportar o
acidentado envolvido em panos úmidos ou molhados.
O atendimento de
primeiros socorros para queimaduras de terceiro grau também consiste na lavagem
do local lesado e na proteção da lesão.
Se for possível,
proteger a área com papel alumínio. O papel alumínio separa efetivamente a
lesão do meio externo; diminui a perda de calor; é moldável, não aderente e
protege a queimadura contra microrganismos.
Todas as providências
tomadas para prevenção do estado de choque, administração de líquidos e
cuidados gerais com vítima são as mesmas aplicadas nos casos de queimaduras de
segundo grau. As queimaduras de terceiro grau têm a mesma gravidade que
queimaduras de segundo grau profundas.
O acidentado de
queimadura térmica na face, cujo acidente ocorreu em ambiente fechado, deve
ficar em observação para verificação de sinais de lesão no trato respiratório.
Os sintomas e sinais, muitas vezes, podem aparecer algumas horas depois da
ocorrência e representar oclusão dos brônquios e edema pulmonar. Pode haver
expectoração fuliginosa com fragmentos de tecido.
Fogo no Vestuário
A combustão das
roupas do acidentado agrava consideravelmente a severidade da lesão. Nestes
casos:
· Não deixar o
acidentado correr.
· Obrigá-lo a
deitar-se no chão com o lado das chamas para cima.
· Abafar as chamas
usando cobertor, tapete, toalha de mesa, de banho, casaco ou algo semelhante,
ou faça-o rolar sobre si mesmo no chão.
· Começar pela cabeça
e continuar em direção aos pés.
· Se houver água,
molhar a roupa do acidentado.
· Não usar água se a
roupa estiver com gasolina, óleo ou querosene.
É absolutamente
contra indicado a aplicação sobre a queimadura de qualquer substância que não
seja água na temperatura ambiente ou pano úmido muito limpo.
É absolutamente contra indicado a aplicação sobre a
queimadura de qualquer substância que não seja água na temperatura ambiente ou
pano úmido muito limpo.
Primeiros Socorros em Queimaduras Químicas
Os ácidos ou álcalis
fortes podem queimar qualquer área do organismo com a qual entrem em contato.
Este contato é mais frequente com a pele, boca e olhos, afetando estes órgãos.
Substâncias químicas
podem queimar rapidamente; não há tempo a perder, porém a pessoa que estiver
atendendo o acidentado deverá, basicamente, saber que as tentativas de
neutralização química da substância podem gerar reações com produção de calor e
piora da lesão e que pode se contaminar ao fazer este atendimento.
A área de contato
deve ser lavada imediatamente com água, até mesmo sem esperar para retirar a
roupa. Continuar a lavar a área com água, enquanto a roupa é removida. A melhor
lavagem é feita com o acidentado debaixo de um chuveiro. Pode também ser feita
com uma
mangueira, mas, neste
caso, a força do jato d'água deve ser levada em consideração. O jato de água
muito forte contra um tecido já lesado causará maior lesão. O fluxo de água
deve ser abundante, mas não pode ser forte.
É impossível
determinar exatamente por quanto tempo uma área queimada por substância química
deve ser lavada com água. Em geral, a água deve correr por um período de tempo
longo o suficiente para que possamos ter certeza de que toda a substância foi
removida da pele.
Freqüentemente, o
acidentado será capaz de dizer se a irritação parou ou se a dor diminuiu na
medida em que a substância é removida. O tempo mínimo de 15 minutos tem-se
mostrado eficaz.
As lesões das
queimaduras ocasionadas por agentes químicos aparecem quase que imediatamente
após o acidente; há dor e visível destruição dos tecidos.
Os cuidados
subseqüentes às queimaduras produzidas por ácidos e álcalis são semelhantes:
cobrir a queimadura com curativo esterilizado e transportar o acidentado
imediatamente para atendimento especializado.
O diagnóstico de
queimadura do trato respiratório por inalação de substâncias de combustão
incompleta (potentes irritantes da mucosa respiratória) será feito através do
histórico de exposição a vapores ou gases tóxicos, em acidentes em ambientes
fechados ou não. Alguns gases provocam distúrbios sensoriais que só se
manifestam algumas horas após o acidente. Presença de hiperemia (vermelhidão)
da mucosa nasal e faríngea, rouquidão, dispnéia, tosse com expectoração
sanguinolenta. A principal complicação deste tipo de queimadura é o risco de
edema pulmonar até 72 horas após o acidente. Observa-se que somente a inalação
de vapor destas substâncias causa lesão térmica direta no trato respiratório.
Cuidados especiais com os olhos
Os olhos devem
receber tratamento especial.
Queimaduras dos olhos
são mais comuns em acidentes com substâncias irritantes (ácidos, álcalis), água
quente, vapor, cinzas quentes, pó explosivo, metal fundido ou chama direta.
As queimaduras
químicas dos olhos são emergência prioritária, podendo haver lesão permanente
resultante de uma pequena exposição destes tecidos a uma substância química. O
olho deve ser lavado com água, conforme o prescrito para as outras áreas do
corpo, usando-se o fluxo contínuo de uma torneira, ou, de preferência do
próprio chuveiro lava-olhos existente em muitos laboratórios. A lavagem deve
durar no mínimo 15 minutos. Podemos ser obrigados a manter a cabeça do
acidentado sob a torneira e as pálpebras abertas durante este tratamento,
porque geralmente o acidentado será incapaz de cooperar. Provavelmente ela
sentirá muita dor e estará agitada.
O cuidado posterior
para as queimaduras oculares deve incluir o fechamento delicado do olho com a
pálpebra, colocação de um curativo macio e transporte do paciente, o mais
rápido possível, para assistência especializada.
Primeiros Socorros em Queimadura por Sódio Metálico
O sódio metálico tem
grande afinidade pelo oxigênio, fazendo com que ele reaja com o ar, na
temperatura ambiente, formando óxidos ou hidróxidos.
A reação do sódio
pode ter caráter explosivo, se entrar em contato com a água.
A queimadura por
sódio exige pronta intervenção nos 2 a 3 minutos após o acidente. Se atingir
20% de área corporal, é considerada queimadura grave, com difícil recuperação.
Se atingir 50% de área, é considerada gravíssima, geralmente levando à morte.
Ao atender uma pessoa
vítima deste tipo de acidente, retirar os restos de sódio empregando pinças ou
espátulas (de madeira ou plástico) completamente secas. A seguir, impregnar as
regiões com substância oleosa (vaselina líquida) a fim de eliminar os últimos
restos de sódio e limpar com água corrente abundante.
Queimaduras por
Eletricidade
Estas queimaduras são
produzidas pelo contato com eletricidade de alta ou baixa voltagem. Os
principais danos à saúde do acidentado são os provocados pelo choque elétrico.
Os danos resultam dos efeitos diretos da corrente e conversão da eletricidade
em calor durante a passagem da eletricidade pelos tecidos, são difíceis de
avaliar, pois dependem da
profundidade da
destruição celular, e mesmo as lesões que parecem superficiais podem ter danos
profundos alcançando os ossos, necrosando tecidos, vasos sanguíneos e
provocando hemorragias.
A severidade do
trauma depende do tipo de corrente, magnitude da energia aplicada, resistência,
duração do contato e caminho percorrido pela eletricidade. A corrente de alta
tensão geralmente causa os danos mais graves, porém lesões fatais podem ocorrer
mesmo com as baixa voltagens das residências.
A pele é o fator mais
importante na resistência à passagem da eletricidade, mas a umidade reduz muito
esta resistência, podendo aumentar, em muito, a gravidade do choque.
A corrente alternada
é mais perigosa que a corrente contínua de mesma intensidade. O contato com a
corrente alternada pode causar contrações tetânicas da musculatura esquelética,
que impedem que o acidentado se libere da fonte de eletricidade, e prolongam a
duração da
exposição à corrente.
O fluxo de corrente transtorácico, mão a mão, tem maior risco de ser fatal que
a passagem de corrente mão para pé ou pé a pé.
A complicação mais
importante das queimaduras elétricas é a parada cardíaca. A lesão local nestas
queimaduras raramente necessita de cuidado imediato, porém as paradas
respiratórias e cardíaca sim. Geralmente a parada respiratória ocorre primeiro
e, se não for tratada de imediato, é rapidamente seguida pela parada cardíaca.
As queimaduras
elétricas podem ser mais graves do que aparentam na observação inicial. Em
geral, a ferida é pequena, porém a corrente elétrica destrói
caracteristicamente uma quantidade considerável de tecido abaixo do que parece
ser uma ferida cutânea sem gravidade.
A parada
cardío-respiratória por fibrilação ventricular ou assistolia é a principal
causa de óbito após a lesão elétrica. A fibrilação ventricular pode ocorrer
como resultado direto do choque elétrico, principalmente a corrente alternada.
A parada cardío-respiratória causada por exposição à corrente contínua
freqüentemente é em assistolia.
A parada respiratória
pode ser causada na passagem da corrente elétrica pelo cérebro causando
inibição da função do centro respiratório, contração tetânica do diafragma e da
musculatura torácica e paralisia prolongada dos músculos respiratórios.
Primeiros Socorros
A segurança da cena é
prioridade. Não se torne também uma vítima.
Desligar a fonte de
energia, antes de tocar no acidentado.
Não tente manipular
alta voltagem com pedaços de pau, ou mesmo luvas de borracha. Qualquer
substância pode se transformar em condutor.
É prioridade
interromper o contato entre o acidentado e a fonte de eletricidade.
Cobrir o local da
queimadura com um curativo seco esterilizado ou papel de alumínio e transporte
o acidentado para atendimento especializado. Estas queimaduras da pele,
freqüentemente existem em duas áreas do corpo, nos sítios de entrada e saída,
geradas pelo arco elétrico.
Procurar sempre uma
segunda área queimada e tratá-la como se fez com a primeira. As roupas do
acidentado podem incendiar-se e causar queimaduras de pele adicionais. A
passagem da corrente através dos músculos pode causar violenta contração
muscular com fraturas e luxações.
Pode haver lesão
muscular e de nervos. A lesão de órgãos internos como o fígado e baço é rara.
As queimaduras
elétricas, especialmente aquelas de alta voltagem, podem provocar parada
cardíaca e perda de consciência. Abrir as vias aéreas dos acidentados
inconscientes com manobras manuais, instituindo a respiração artificial.
Solicitar
imediatamente apoio se o acidentado estiver inconsciente.
Observar cuidados com
a coluna cervical.
Queimaduras por Frio ou Geladuras
O frio também pode
causar queimaduras e lesões nas partes do corpo expostas por muito tempo a
baixas temperaturas ou umidade excessiva.
A exposição a
temperaturas no ponto de congelamento ou abaixo deste, ou mesmo ao frio
extremo, ainda que por curto período de tempo, pode causar geladuras.
Podem ocorrer lesão
tecidual local delimitada e resfriamento corporal generalizado, que pode causar
morte (hipotermia).
Na improbabilidade de
acidentes graves devido à exposição ao frio intenso em nosso país, é
conveniente apenas lembrar alguns detalhes importantes:
· Lesões pelo frio
dependem da temperatura, da umidade relativa do ar, da velocidade do vento.
· O uso de roupas
adequadas para condições ambientais extremas deverá ser observado por todos que
tenham que trabalhar sob estas circunstâncias. Os equipamentos de proteção
individual, que servem para isolar o frio, podem causar dificuldades na
movimentação, quer para segurar objetos, quer porque a visão fica prejudicada.
As luvas e as botas, com a umidade, podem congelar as mãos e os pés. Isso pode
levar a acidentes de trabalho, como quedas, quedas de materiais, congelamento
das mãos e dos pés, desmaios, etc. Cremes e óleos protetores para nariz, lábios
e face também são usados nestas condições.
· Dependendo do tipo
de exposição ao frio, podem ocorrer as seguintes lesões:
· úlceras
· pé-de-trincheira
· hipotermia
sistêmica
· As lesões causadas
pelo frio são extremamente dolorosas.
· Deve-se ficar
atento para a insuficiência cardío-respiratória em caso de hipotermia
sistêmica.
· Há risco de
infecção grave no descongelamento de uma área lesada.
· A hipotermia é uma
gravíssima emergência médica. O atendimento médico especializado deverá ser
prioritário.
Primeiros Socorros
No caso de
congelamento dos pés ou das mãos:
· Levar o acidentado
a um local aquecido, mantendo-o deitado.
· Tirar imediatamente
os equipamentos de segurança.
· Aquecer as partes
congeladas com água quente (não fervente) ou panos molhados com água quente,
realizando massagens delicadas para ativar a circulação nas partes próximas do
membro congelado (nunca massagear diretamente a parte congelada).
· Dar bebidas
quentes, como chá ou café (nunca bebidas alcoólicas).
· Pedir o acidentado
para movimentar os pés ou as mãos, para ajudar na recuperação da circulação.
No caso de desmaio em
ambientes frios:
· Retirar
imediatamente o acidentado do ambiente de trabalho.
· Retirar todos os
equipamentos de segurança, incluindo a roupa (nunca deixar o acidentado com as
mesmas roupas).
· Cobrir com um
cobertor quente, ou dar um banho de água quente.
· Fornecer bebidas
quentes, como chá ou café, se estiver consciente (nunca bebidas alcoólicas).
· Levar imediatamente
ao atendimento especializado.
Lembre-se:
Os métodos de
prestação de primeiros socorros começam a ser aplicados somente depois de
termos realizado as manobras de suporte básico à vida, hemostasia, prevenção de
choque e assistência a outras lesões que possam colocar em risco a vida do
acidentado ou piorar seu estado clínico. Queimaduras podem ser lesões
extremamente dolorosas e com sérias conseqüências psicológicas, dependendo de
sua localização, extensão e profundidade.
Não demonstrar
apreensão. Atuar com calma, rapidez, segurança e bastante compreensão. A
tranqüilidade do acidentado é fundamental.
Nunca romper as
bolhas.
Não retirar as roupas
queimadas que estiverem aderidas à pele.
Não submeter à ação
da água, uma queimadura com bolhas rompidas.
Separar a causa do
acidentado ou o acidentado da causa.
Cobrir cuidadosamente
com um pano limpo as partes queimadas, pois estes ferimentos são vulneráveis à
infecção.
Tomar medidas
apropriadas para prevenção do choque.
Ajudar o acidentado a
obter atendimento qualificado.
Bandagens
Bandagem triangular
Na prestação dos
primeiros socorros, a bandagem triangular é o recurso de maior utilidade, uma
vez que pode ser improvisada facilmente, com qualquer pedaço de pano.
Sua base deve ter
aproximadamente um metro e pelo menos 60 cm de altura (da base até o vértice do
triângulo - Figura 37).
Para proteger
ferimentos a bandagem pode ser improvisada com um pano bem limpo, aberto,
dobrado ou combinando-se as duas formas.
Figura 37 - Bandagem
triangular
Bandagem Triangular
Estendida
É utilizada
ferimentos em cabeça, braço, mão, joelho, pé e tórax.
1.Cabeça (Figura 38)
a.Cobrir o ferimento
com pedaço de pano bem limpo.
b.Colocar a bandagem
triangular na cabeça do acidentado, de modo
que o vértice do
triângulo fique do lado oposto ao ferimento (nuca e testa).
c.Trazer as pontas
laterais do triângulo por cima do vértice, amarrando-as ao redor da cabeça com
um nó, e cuidando para que este não fique sobre o ferimento.
d.Prender
cuidadosamente as pontas sob a bandagem, onde for possível.
Figura 38 - Bandagem
estendida de cabeça
B - Braço
1. Cobrir o ferimento
com pedaço de pano limpo
2. Colocar a bandagem
triangular paralela ao braço, segurando o vértice no pulso e colocando uma das
pontas no ombro.
3. Tomar a ponta
livre da bandagem e ir envolvendo o braço até o ombro, terminando por fazer um
nó com a outra ponta.
Figura 39 -Bandagem
de braço
C - Mão
1.Colocar a mão sobre a bandagem, com
o ferimento voltado para cima e as pontas dos dedos voltadas para o vértice.
2.Cobrir o ferimento com pedaço de
pano bem limpo.
3.Puxar o vértice para o pulso.
4.Cruzar as outras duas pontas sobre a
mão enrolando-as no pulso e dando-lhes um nó.
Figura 40 -
Bandagem de mão
D - Joelho
1. Cobrir o
ferimento com pedaço de pano bem limpo.
2. Colocar a
bandagem triangular sobre o joelho, com o vértice voltado para cima.
3. Enrolar as
pontas, cruzando-as atrás do joelho.
4. Trazer as
pontas para frente.
5.
Amarra-las com um nó, acima do joelho.
Figura 41-
Bandagem de joelho
E - Pé
1.Colocar o pé sobre a bandagem, fazendo
com que as pontas dos dedos apontem para o vértice do triângulo, se o ferimento
for na parte superior do pé. Se o ferimento estiver na parte posterior do pé, o
vértice deverá estar voltado para o calcanhar.
2. Cobrir o ferimento com pedaço de
pano bem limpo.
3. Puxar o vértice até a perna.
4. Cruzar as duas pontas da bandagem
sobre o pé e ao redor do tornozelo
5. Amarrar as duas pontas e dar um nó
completo.
Figura
42 - Bandagem de pé
F-
Peito
1.
Colocar o vértice da bandagem sobre o ombro.
2.
Cruzar as pontas nas costas e amarrá-las com um nó, diretamente abaixo da ponta
do vértice, deixando uma das pontas mais compridas.
4.
Trazer a ponta mais comprida para cima, à altura do ombro, e amarrá-la com o
vértice, arrematando com um nó.
Observação:
Pode-se
utilizar o mesmo procedimento para bandagem nas costas.
Bandagem
Triangular Dobrada
Esta
bandagem deve ter aproximadamente 10 cm de largura. É utilizada para fixar:
talas, bandagens de pressão, torniquetes, bandagens combinadas (bandagens
triangulares, abertas e dobradas).
Bandagens
Combinadas Triangulares Abertas e Dobradas O uso de bandagens
combinadas abertas juntamente com as dobradas é necessário nas bandagens de
ferimentos nos ombros, nos quadris e nas coxas.
A
- Ombro
1.Cobrir
o ferimento com um pedaço de pano limpo, quadrado e dobrado em triângulo
(duplo).
2.Colocá-lo
sobre o ombro, com o vértice para cima, a altura do pescoço.
3.
Envolver as extremidades ao redor do braço e amarrá-las com um nó, para que a
bandagem fique firme.
4.Tomar
a atadura ou tira de pano de aproximadamente um metro de comprimento,
colocando-a a tiracolo sobre o ombro, de modo que se cruze com o vértice duplo
da bandagem aberta, e passar as extremidades por baixo do braço oposto a este
ombro.
5.Amarrar
as extremidades da tira dando-lhes um nó, para que a bandagem fique firme.
Figura 44 - Bandagem combinada de
ombro
B - Quadril e Coxa
Aplicação da bandagem sobre o quadril
e a coxa segue a mesma técnica e o mesmo tipo de material utilizado na
aplicação de bandagens no braço e ombro.
Figura 45- Bandagem
combinada de quadril
Observação:
O vértice duplo na
cintura deve firmar-se à tira com um nó para que
a bandagem fique
firme.
Ataduras
A colocação de
ataduras é uma prática muito freqüente no atendimento de primeiros socorros,
por isto é importante conhecer esta habilidade.
O socorrista deve
aplicar a atadura após limpar o ferimento e cobri-lo com um pedaço de pano bem
limpo.
1.Aplicar uma atadura
de largura adequada, que ofereça segurança.
2.Firmar a parte a
ser amarrada, colocando-se o socorrista de frentepara a vítima que deverá estar
sentada ou deitada.
3.Aplicar a atadura
com o membro na posição em que este deverá permanecer.
4.Suspender a
extremidade da atadura o mais alto possível em relação ao ferimento e aplicá-lo
desenrolando-a pouco a pouco.
5.Iniciar a aplicação
da atadura, pela sua extremidade, colocando-a na parte superior do curativo,
dando duas voltas bem firmes, para que fiquem ajustadas.
6.Envolver o membro,
passando a atadura alternadamente, por cima e por baixo do ferimento, de tal
maneira que cada volta cubra 2/3 da volta anterior, mantendo a mesma pressão,
até que a atadura fique bem ajustada.
7.Prender a
extremidade da atadura, para que a bandagem fique firme.
Lesões Traumato –
Ortopédicas
Introdução
O sistema locomotor
do corpo humano é todo sustentado e articulado pelos ossos. A organização óssea
tem ainda a função de proteger certas partes do corpo. O crânio protege o
cérebro; o tórax protege o aparelho cardio-respiratório; grande parte do fígado
e todo o baço são protegidos pelas costelas inferiores; a medula encontra-se
dentro do canal medular, formado pelas vértebras.
O sistema locomotor
pode ser afetado por lesões traumáticas ou por situações clínicas. As condições
clínicas não apresentam a mesma gravidade das lesões traumáticas, mas algumas
delas podem ter conseqüências graves para as vítimas. É o caso da artrite
piogênica e da osteomielite aguda.
As lesões traumáticas
podem assumir proporções desastrosas se não atendidas com o primeiro socorro
adequado. A maioria das lesões traumato-ortopédicas não apresenta muita
gravidade.
A nossa atuação como
socorristas resumi-se a ações de ordem preparatória para um atendimento
especializado. Todas as lesões traumatoortopédicas são extremamente dolorosas,
desde as mais simples entorses até as fraturas expostas com hemorragia.
Antes de entrarmos
nos procedimentos de primeiros socorros, para cada caso, é importante tecer
algumas considerações a respeito das lesões traumato-ortopédicas e sobre a
conduta de quem irá socorrer e os cuidados iniciais com o acidentado.
Considerações Gerais
sobre Lesões Traumato-Ortopédicas
Na maioria dos casos
a conduta final mais importante é a imobilização da parte afetada. A
imobilização é, muitas vezes, suficiente para aliviar a dor e estabelecer
condições favoráveis à cura da lesão.
Conduta de quem
prestará os primeiros socorros
A atitude inicial do
acidentado e das pessoas que prestarão os primeiros socorros pode representar,
muitas vezes, um fator importante, determinando a evolução posterior do
traumatismo. Toda a delicadeza é pouca. Manobras desorientadas e descontroladas
provocam a laceração de partes moles e até mesmo, perfurações da pele, o que
transforma uma fratura fechada em aberta (exposta), de prognóstico muito pior.
Umo acidentado de
queda, por exemplo, sofre fratura da perna. O traumatismo produz simples
descontinuidade do esqueleto, sem maiores conseqüências para o eixo do membro
atingido, nem para as partes moles vizinhas. O deslocamento inadequado do
acidentado; sua movimentação precipitada; a falta de uma avaliação correta do
caso; e outras atitudes descuidadas podem provocar lesões graves do tipo:
· Desvio da fratura
· Deslocamento do
periósteo
· Lesão do músculo
· Penetração do osso
através do foco de fratura
· Perfuração da pele
· Laceração de vaso
sanguíneo
· Hemorragia
· Fratura exposta
· Alto risco de
infecção
Todo acidentado de
lesão traumato-ortopédica necessita obrigatoriamente de atendimento médico
especializado. O sofrimento do acidentado e sua cura dependem basicamente, da
proteção correta do membro atingido, do transporte adequado do acidentado (a
ser descrito mais à frente) e do atendimento especializado imediato.
Outros fatores
importantes que devem ser permanentemente lembrados são o estado geral e as
condições das vias aéreas superiores do acidentado.
Nos casos de
alteração da consciência o acidentado tende a aspirar secreções, sangue e
vômito. Precisamos ficar atentos para a necessidade de limpar rapidamente a
boca do acidentado, apoiar a cabeça lateralizada e, às vezes, fazer uma suave
tração da língua.
Nos casos de fratura
exposta, pode ocorrer hemorragia. Será preciso contê-la.
Para a profilaxia do
estado de choque é importante a contenção da hemorragia. O acidentado deve ser
protegida contra frio, coberta com peças de roupa, mobilizada o menos possível
e mantida em decúbito.
A proteção da parte
atingida assume grande importância. Antes de considerar o transporte do
acidentado, a região atingida deve sempre ser imobilizada com a utilização de
qualquer material disponível para improvisação como almofadas, travesseiros, ou
peças de papelão, papel grosso, madeira; as articulações podem ser protegidas
por almofadas.
Algumas sugestões
para imobilização serão dadas a seguir, nos procedimentos de primeiros socorros
nos casos mais comuns de entorse, luxação e fratura.
Entorses e Luxações
Definição
São lesões dos
ligamentos das articulações, onde estes esticam além de sua amplitude normal
rompendo-se. Quando ocorre entorse há uma distensão dos ligamentos, mas não há
o deslocamento completo dos ossos da articulação.
As formas graves
produzem perda da estabilidade da articulação às vezes acompanhada por luxação.
As causas mais
freqüentes da entorse são violências como puxões ou rotações, que forçam a
articulação. No ambiente de trabalho a entorse pode ocorrer em qualquer ramo de
atividade.
Uma entorse
geralmente é conhecida por torcedura ou mau jeito.
Os locais onde ocorre
mais comumente são as articulações do tornozelo, ombro, joelho, punho e dedos.
Após sofrer uma
entorse, o indivíduo sente dor intensa ao redor da articulação atingida,
dificuldade de movimentação, que poderá ser maior ou menor conforme a contração
muscular ao redor da lesão. Os movimentos articulares cujo exagero provoca a
entorse são extremamente dolorosos e esta dor aumentará em qualquer tentativa
de se movimentar
a articulação
afetada.
As distensões são
lesões aos músculos ou seus tendões, geralmente são causa das por hiperextensão
ou por contrações violentas. Em casos graves pode haver ruptura do tendão.
Primeiros Socorros
· Aplicar gelo ou
compressas frias durante as primeiras 24 horas.
Após este tempo
aplicar compressas mornas.
· Imobilizar o local
como nas fraturas. A imobilização deverá ser feita na posição que for mais
cômoda para o acidentado.
Antes de enfaixar uma entorse ou distensão,
aplicar bolsa de gelo ou compressa de água gelada na região afetada para
diminuir o edema e a dor. Caso haja ferida no local da entorse, agir conforme
indicado no item referente a ferimentos; cobrir com curativo seco e limpo,
antes de imobilizar e enfaixar. Ao enfaixar qualquer membro ou região afetada,
deve ser deixada uma parte ou extremidade à mostra para observação da
normalidade circulatória. As bandagens devem ser aplicadas com firmeza, mas sem
apertar, para prevenir insuficiência circulatória.
Luxação
São lesões em que a
extremidade de um dos ossos que compõem uma articulação é deslocada de seu
lugar. O dano a tecidos moles pode ser muito grave, afetando vasos sanguíneos,
nervos e cápsula articular.
São estiramentos mais
ou menos violentos, cuja conseqüência imediata é provocar dor e limitar o
movimento da articulação afetada.
Nas luxações ocorre o
deslocamento e perda de contato total ou parcial dos ossos que compõe a
articulação afetada (Figura 29). Os casos
de luxação ocorrem
geralmente devido a traumatismos, por golpes indiretos ou movimentos
articulares violentos, mas, às vezes uma contração muscular é suficiente para
causar a luxação. Dependendo da violência do acidente, poderá ocorrer o
rompimento do tecido que cobre a articulação, com exposição do osso.
As articulações mais
atingidas são o ombro, cotovelo, articulação dos dedos e mandíbula. Nos
ambientes de trabalho a luxação pode se dar em qualquer ramo de atividade,
devido a um movimento brusco.
Figura 46 - Luxação
escapulo-umeral
Sinais e Sintomas
Para identificar uma
luxação deve-se observar as seguintes características:
· Dor intensa no
local afetado (a dor é muito maior que na entorse), geralmente afetando todo o
membro cuja articulação foi atingida.
· Edema.
· Impotência
funcional.
· Deformidade visível
na articulação. Podendo apresentar um encurtamento ou alongamento do membro
afetado.
Primeiros Socorros
O tratamento de uma
luxação (redução) é atividade exclusiva de pessoal especializado em atendimento
a emergências traumatoortopédicas. Os primeiros socorros limitam-se à aplicação
de bolsa de gelo ou compressas frias no local afetado e à imobilização da
articulação,
preparando o
acidentado para o transporte.
A imobilização e
enfaixamento das partes afetadas por luxação devem ser feitas da mesma forma
que se faz para os casos de entorse. A manipulação das articulações deve ser
feita com extremo cuidado e delicadeza, levando-se em consideração, inclusive,
a dor intensa que o acidentado estará sentindo.
Nos casos de luxações
recidivantes o próprio acidentado, por vezes, já sabe como reduzir a luxação.
Neste caso o socorristandeverá auxiliá-lo.
O acidentado deverá
ser mantida em repouso, na posição que lhe for mais confortável até a chegada
de socorro especializado ou até que possa ser realizado o transporte adequado
para atendimento médico.
Fraturas
Introdução
É uma interrupção na
continuidade do osso. Constituem uma emergência traumato-ortopédica que requer
boa orientação de atendimento, calma e tranqüilidade por parte de quem for
socorrer e transporte adequado. Apresentam aparência geralmente deformante
devido ao grau de deformação que podem impor à região afetada.
A fratura ocorre
quando existe não solução de continuidade de um osso. Ocorre geralmente devido
à queda, impacto ou movimento violento com esforço maior que o osso pode
suportar.
O envelhecimento e
determinadas doenças ósseas (osteoporose) aumentam o risco de fraturas, que
podem ocorrer mesmo após traumatismos banais. Estas lesões são chamadas
fraturas patológicas.
A fratura pode se dar
por ação direta, por exemplo, um pontapé na perna, levando à fratura no local
do golpe, ou por ação indireta, por exemplo, a queda em pé de uma altura
considerável, ocorrendo fratura da parte inferior da coluna vertebral, isto é,
o impacto foi transmitido através dos ossos da perna e bacia até a coluna vertebral.
Ainda se pode dar por ação muscular, sendo, neste caso, a contração muscular
com força suficiente para causar fratura.
Nos ambientes de
trabalho a fratura pode ocorrer devido a quedas e movimentos bruscos do
trabalhador, batidas contra objetos, ferramentas, equipamentos, assim como
queda dos mesmos sobre o trabalhador; portanto pode ocorrer em qualquer ramo de
atividade, ou durante o trajeto residência-trabalho-residência.
A pessoa que for
prestar os primeiros socorros deve ser muito hábil na avaliação e decisão da
conduta a ser tomada nestes casos. Aqui, a dor do acidentado e as lesões
secundárias resultantes do traumatismo são mais graves e perigosas do que nos
outros casos de emergências ortopédicas. As seqüelas nas fraturas podem ocorrer
com maior
probabilidade e
gravidade. A imobilização deve ser cuidadosa; as lesões secundárias, atendidas
com redobrada atenção, e o transporte para atendimento médico só poderá ser
feito dentro de padrões rigorosos.
Suspeita-se de
fratura ou lesões articulares quando houver:
1.Dor intensa no
local e que aumente ao menor movimento.
2.Edema local.
3.Crepitação ao
movimentar (som parecido com o amassar de papel).
4.Hematoma
(rompimento de vasos, com acúmulo de sangue no local) ou equimose (mancha de
coloração azulada na pele e que aparece horas após a fratura).
5.Paralisia (lesão de
nervos).
Antes de descrevermos as condutas
básicas do primeiro socorro em fraturas, vamos conhecer os tipos de fraturas
mais comuns.
Classificação
As fraturas podem se classificadas de
acordo com sua exteriorização e com a lesão no osso afetado (Figura 47).
Fratura
Fechada ou Interna
São as fraturas nas quais os ossos
quebrados permanecem no interior do membro sem perfurar a pele. Poderá,
entretanto romper um vaso sanguíneo ou cortar um nervo.
Fratura
Aberta ou Exposta
São as fraturas em que os ossos
quebrados saem do lugar, rompendo a pele e deixando exposta uma de suas partes,
que pode ser produzida pelos próprios fragmentos ósseos ou por objetos
penetrantes. Este tipo de fratura pode causar infecções.
Fratura
em Fissura
São aquelas em que as bordas ósseas
ainda estão muito próximas, como se fosse uma rachadura ou fenda.
Fratura
em Galho Verde
É a fratura incompleta que atravessa
apenas uma parte do osso.
São fraturas geralmente com pequeno
desvio e que não exigem redução; quando exigem, é feita com o alinhamento do
eixo dos ossos. Sua ocorrência mais comum é em crianças e nos antebraços
(punho).
Fratura
Completa
É a fratura na qual o osso sofre
descontinuidade total.
Fratura
Cominutiva
É a fratura que ocorre com a quebra do
osso em três ou mais fragmentos.
Fratura
Impactada
É quando as partes quebradas do osso
permanecem comprimidas entre si, interpenetrando-se.
Fratura
Espiral
É quando o traço de fratura
encontra-se ao redor e através do osso. Estas fraturas são decorrentes de
lesões que ocorrem com uma torção.
Fratura
Oblíqua
É quando o traço de fratura lesa o
osso diagonalmente.
Fratura
Transversa
É quando o traço de fratura atravessa
o osso numa linha mais ou menos reta.
O indivíduo que sofre
uma fratura apresenta dor, que aumenta com o toque ou os movimentos,
incapacidade funcional (impossibilidade de fazer movimentos) na região
atingida, acentuada impotência funcional da extremidade ou das articulações
adjacentes à lesão; inchaço, alteração da cor da área afetada; presença ou não
de pulso no membro atingido, pode haver, ainda, fragmentos de ossos expostos e
angulação ou curvatura anormal da região afetada. A pessoa que está atendendo
não deve esperar deparar com todo este quadro, em todos os casos; encontrando
duas destas características, já há uma forte suspeita.
Figura 47 - Tipos de
fraturas
Primeiros Socorros
· Observar o estado
geral do acidentado, procurando lesões mais graves com ferimento e hemorragia.
· Acalmar o
acidentado, pois ele fica apreensivo e entra em pânico.
· Ficar atento para
prevenir o choque hipovolêmico.
· Controlar eventual
hemorragia e cuidar de qualquer ferimento, com curativo, antes de proceder a
imobilização do membro afetado.
· Imobilizar o
membro, procurando colocá-lo na posição que for menos dolorosa para o
acidentado, o mais naturalmente possível. É importante salientar que imobilizar
significa tirar os movimentos das juntas acima e abaixo da lesão.
· Trabalhar com muita
delicadeza e cuidado. Toda atenção é pouca; os menores erros podem gerar
seqüelas irreversíveis.
· Usar talas, caso
seja necessário. As talas irão auxiliar na sustentação do membro atingido.
As talas têm que
ser de tamanho suficiente para ultrapassar as articulações acima e abaixo da
fratura.
Para improvisar uma
tala pode-se usar qualquer material rígido ou semi-rígido como: tábua, madeira,
papelão, revista enrolada ou jornal grosso dobrado.
O membro atingido
deve ser acolchoado com panos limpos, camadas de algodão ou gaze, procurando
sempre localizar os pontos de pressão e desconforto.
Prender as talas
com ataduras ou tiras de pano, apertá-las o suficiente para imobilizar a área,
com o devido cuidado para não provocar insuficiência circulatória.
Fixar em pelo menos
quatro pontos: acima e abaixo das articulações e acima e abaixo da fratura.
Sob nenhuma
justificativa deve-se tentar recolocar o osso fraturado de volta no seu eixo.
As manobras de redução de qualquer tipo de fratura só podem ser feitas por
pessoal médico especializado. Ao imobilizar um membro que não pôde voltar ao
seu lugar natural, não forçar seu retorno.
A imobilização deve
ser feita dentro dos limites do conforto e da dor do acidentado.
· Não deslocar,
remover ou transportar o acidentado de fratura, antes de ter a parte afetada
imobilizada corretamente. A única exceção a ser feita é para os casos em que o
acidentado corre perigo iminente de vida. Mas, mesmo nestes casos, é necessário
manter a calma, promover uma rápida e precisa análise da situação, e realizar a
remoção provisória com o máximo de cuidado possível, atentando para as partes
do acidentado com suspeita de lesões traumato-ortopédicas.
· Providenciar o atendimento
especializado o mais rápido possível.
· Fraturas expostas requerem cuidados
extra.
Ficar atento para o controle de
hemorragia arterial.
Não tentar jamais recolocar o osso
exposto de volta para o seu lugar.
Limpar o ferimento provocado pela
exposição do osso.
Colocar um curativo seco e fixá-lo
com bandagens.
Não tocar no osso exposto.
Manter o acidentado em repouso,
tranqüilizando-o, enquanto se procede à imobilização da mesma maneira que se
faz para os casos de fratura fechada.
Fraturas de Membro Superior
Braço
Colocar algodão ou
pedaços de pano para acolchoar debaixo da axila, em seguida usar talas dos
lados externo e interno do braço, com comprimento suficiente para ir até o
cotovelo. Fixar com tiras de pano ou atadura (Figura 48).
Fazer uma tipoia para
imobilizar o braço com o antebraço flexionado em ângulo reto, e fixá-la junto
ao tórax.
Figura 48 - Fratura
de braço e antebraço
MORDEDURAS DE ANIMAIS
É muito freqüente a
procura de assistência médica nos setores de emergência devido a mordeduras de
animais. A condução de atendimento nesses casos deve ser do conhecimento do
socorrista que, porventura, possam deparar-se com o quadro, em vista dos
seguintes parâmetros:
· Potencial gravidade
do acometimento
· Importância de um
atendimento adequado em termos de prevenção da infecção secundária e demais
agentes etiológicos, que possam ser transmissíveis por esta via.
As mordeduras são na
grande parte causadas por cães, sendo estimado que 80% das ocorrências são
pequenos ferimentos, não havendo necessidade de atendimento de urgência
Em relação ao local
do acometimento, os adultos apresentam lesões nas extremidades, principalmente
mãos, já as crianças apresentam mais comumente lesões na face.
As feridas causadas
por gatos (mordeduras e arranhões) infectamse em mais de 50% das vezes;
entretanto, as humanas são as que causam lesões mais graves e com maior
ocorrência de infecção.
Nas mordeduras, os
aeróbios variam em incidência de acordo com o animal causador da mordida e com
os fatores do acidente, já os anaeróbios são isolados em até 76% dos casos
(Quadro XXI).
Dependendo do
animal agressor haverá prevalência maior de determinados agentes, como pode ser
visto no Quadro XXII a seguir.
Existem
outros microrganismos mais raramente encontrados nas mordeduras de animais,
tais como: Afipia felis, Blastomyces dermatidis, Clostridium tetani,
Franscicella tularensis, Leptospira spp., Spirilum minus, Sporotrichia spp.,
Streptobacillus spp. e Yersinia pestis.
Além
do trauma físico causado pelas mordeduras, deve-se ter a preocupação com as
doenças infecciosas, que podem ser transmitidas.
Estas
podem ser causadas por bactérias, fungos, vírus dentre outros agentes
biológicos (Quadro XXIII).
Primeiros Socorros
Os primeiros socorros
em vítimas de mordedura de animais devem ser feitos de acordo com o tempo
decorrido após o acidente. Antes de oito horas a vítima apresenta lesões
necessitando hemostasia, limpeza, atendimentos médicos e profilaxia. Após
decorrido as oito horas normalmente surgem complicações infecciosas, além do
tratamento já está se dando tardiamente e/ou inadequadamente, existem outros
fatores que aumentam o risco e elevam a gravidade da ferida, independente do
animal envolvido no acidente. Estes fatores estão relacionados a:
Vítima
· Idade
· Estado imunológico
· Uso de
corticoterapia
· Alcoolismo
· Diabetes mellitus
· Doenças vasculares
· Edema
Lesão
· Localização
· Tipos de lesões
· Tratamento tardio
· Contaminação
· Presença de
fraturas, equimoses, hematomas e tecidos desvitalizados
A ferida deve ser bem
lavada com água e sabão, deixando-se que a água escorra por alguns minutos
sobre o ferimento. O sabão deve ser totalmente removido após a lavagem, para
que não neutralize os compostos de amônio quaternário a serem usados posteriormente
pelo pessoal de atendimento especializado. Irrigar abundantemente com soro
fisiológico
a 0,9%. Imobilização
do membro afetado com elevação do mesmo.
A conduta correta nos
casos de mordidas de animais é encaminhar a vítima para um serviço de saúde para
receber a orientação específica.
Pois deve-se avaliar:
a espécie animal envolvida, as circunstâncias da mordida, o status imunológico
do animal e o histórico de zoonoses, principalmente raiva, na região.
Entre as vítimas que
são socorridas nas primeiras oito horas, freqüentemente não há risco de
infecção, desde que o atendimento inicial seja adequado.
CAPÍTULO
IV
ENVENENAMENTO E INTOXICAÇÃO
Introdução
Numerosas substâncias
químicas e partículas sólidas, originadas nas atividades comercial, agrícola,
industrial e laboratorial, são potencialmente tóxicas para o homem.
Intoxicações ou envenenamentos podem ocorrer por negligência ou ignorância no
manuseio de substâncias tóxicas, especialmente no ambiente de trabalho. A
presença de substâncias tóxicas
estranhas ao
organismo pode levar a graves alterações de um ou mais sistemas fisiológicos..
Devemos conhecer as
substâncias que são mais manipuladas em nosso laboratório. Há normas de
Biossegurança, procedimentos operacionais padrões e equipamentos de segurança
de uso obrigatório por todos que lidam com substâncias tóxicas. Procurar
conhecer todas.
Definição Alterações
funcionais e/ou anatômicas, mais ou menos graves, causadas pela introdução de
qualquer substância em dose suficiente, no organismo, ou nele formada, por suas
propriedades químicas. Estas alterações dependem da natureza da substância, da
sua concentração e principalmente da sensibilidade do próprio indivíduo ou de
seus órgãos.
As substâncias
supracitadas denominam-se veneno ou tóxico.
Devemos diferenciar a
intoxicação de anafilaxia e alergia.
Na intoxicação as
alterações resultam da ação direta do tóxico ou veneno, sobre o organismo ou um
de seus órgãos, o que pode verificar-se em uma única dose.
Na anafilaxia e na
alergia as alterações resultam do choque antígeno x anticorpo, necessitando
invariavelmente de uma primeira dose, chamada sensibilizante, e, uma segunda
dose chamada desencadeante, ocorrendo sempre num órgão específico para cada
espécie animal, denominado "órgão de choque".
A primeira medida a
ser tomada é a verificação se realmente houve envenenamento. Uma pessoa, que
tenha simplesmente deglutido alguma substância, não estará necessariamente
intoxicada. Algumas substâncias são inócuas e não requerem tratamento. Outras
necessitam apenas de um pouco de água ou leite para minimizar as possibilidades
de uma irritação gástrica. Entretanto, podemos suspeitar de envenenamento ou
intoxicação em qualquer pessoa que manifeste os sinais e sintomas descritos no
quadro abaixo. Além destes sinais e sintomas, poderão ocorrer ainda náuseas,
diarréia, midríase (aumento das pupilas dos olhos) ou miose (diminuição das
pupilas dos olhos), salivação, sudorese excessiva, respiração lterada e inconsciência.
Sintomatologia nas
Intoxicações Medicamentosas e nos Envenenamentos
1.
Sistema
nervoso
Distúrbios mentais, agitação psicomotora,
delírio e alucinações:
Anfetamina, atropina,
anti-histamínicos, cocaína, maconha, rauwolfia, quinacrina, ergotamina, LSD-25,
salicilatos, IMAO, imipramina, fenilbutazona, piramido, digital e efedrina.
Derivados de
beladona, cocaína, álcool, maconha, chumbo, arsênico, ergot, anfetaminas,
anti-histamínicos, cânfora, benzeno, barbitúricos, inseticidas organoclorados.
Sonolência, torpor e
coma:
Barbitúricos,
ganglioplégicos, anti-histamínicos, opiáceos, paraldeídos, salicilatos,
fenotiazínicos, diazepínicos, anticonvulsivantes, cloroquina, glutetimida,
lítio, nafazolina e antidepressivos tricíclicos.
Coma
Derivados da morfina
e análogos, hipnóticos, sedativos, anestésicos gerais, barbitúricos, álcool,
chumbo, monóxido de carbono, fenóis, dióxido de carbono, nicotina, benzina,
atropina, escopolamina, inseticidas organofosforados e organoclorados,
insulina, salicilatos.
Ataxia:
Piperazina e reserpina.
Convulsões:
Estricnina,
isoniazida, aminofilina, imipramina, anfetamina, cocaína, metrazol,
antidepressivos tricíclicos, anti-histamínicos e ergotamina.
Cânfora, cocaína,
beladona e derivados, inseticidas organoclorados e organofosforados, anfetamina
e derivados do ergot, nicotina, chumbo, bário, cafeína, monóxido de carbono,
cianetos, salicilatos, picada de aranha
"viúva-negra",
picada de escorpião, isoniazida.
Espasmos Musculares:
Atropina, cádmio,
estricnina, picada de escorpião, picada de aranha "viúva-negra".
Paralisias parciais ou gerais:
Monóxido de carbono,
dióxido de carbono, botulismo, álcool, curare e derivados, inseticidas
organoclorados, nicotina, bário, mercúrio, arsênio, chumbo.
Cefaléia:
Nitritos e
hidralazina.
Monóxido de carbono,
fenol, benzeno, nitratos, nitritos, hidrazina, trinitrotolueno, indometacina,
anilina, chumbo.
Manifestação extrapiramidais:
Butirofenoma,
metaqualona e fenotiazínicos.
Distúrbios do equilíbrio:
Estreptomicina,
diidroestreptomicina, quinina, álcool.
1. Globo ocular
Ambliopia:
Atropina,
fisostigmina, cocaína e quinino.
Discromatopsia:
Santonina, digital,
quinacrina, maconha, diuréticos e LSD-25.
Miose:
Opiáceos,
fisostigmina, fenotiazínicos e ergotamina.
Ópio, morfina e
derivados, barbitúricos, inseticidas
organofosforados,
nicotina, cafeína.
Midríase:
Atropina, cocaína,
nicotina, epinefrina, efedrina, anfetamina,
barbitúricos e
maconha.
Beladona e derivados,
meperidina, álcool, papaverina, éter,
clorofórmio,
simpaticomiméticos, parassimpaticomiméticos, antihistam
ínicos, cocaína,
cânfora, benzeno, bário, tálio, botulismo, monóxido
de carbono, dióxido
de carbono, anfetaminas, alucinógenos.
Visão
púrpuro-amarelada:
Maconha, digitálicos,
monóxido de carbono.
Visão turva:
Beladona e derivados,
álcool metílico, álcool etílico, ergot,
tetracloreto de
carbono, inseticidas organofosforados, cânfora.
Cegueira parcial ou
total:
Álcool etílico,
tálio.
3.Aparelho respiratório
Dispnéia:
Salicilatos, estricnina, fisostignina, epinefrina e anfetamina.
Cianetos, monóxido de
carbono, benzeno e outros solventes orgânicos voláteis, veneno de cobra,
dióxido de carbono.
Apnéia:
Derivados da morfina
e análogos, anestésicos gerais, hipnóticos e sedativos, álcool, veneno de
cobra, monóxido de carbono.
Depressão respiratória:
Barbitúricos,
opiáceos, magnésio, anestésicos, bário e cloroquina.
Respiração lenta:
Ópio, derivados da
morfina e análogos, álcool, picrotoxina.
Respiração rápida
e/ou profunda:
Beladona e derivados,
cocaína, anfetaminas e derivados, estricnina, dióxido de carbono, lobelina,
salicilatos, cânfora.
Cianose:
Acetanilida,
fenacetina, nitritos, nitratos, subnitratos, sulfonas, cloratos, opiáceos e
barbitúricos.
Edema pulmonar:
Vapores de metais,
antidepressivos tríclicos, barbitúricos, clordiazepóxido, heroína, inseticidas
organofosforados.
4.Sistema Gastro-Intestinal
Vômitos e/ou diarréias:
Quinidina, digital,
salicilatos, ferro, bromatos, fenoftaleína, antibióticos, anticonvulsivantes,
bário e catárticos.
Náusea, vômito, diarréia, dor abdominal,
desidratação:
Sais de metais
pesados, ácidos e álcalis corrosivos, catárticos, digitálicos, morfina e
análogos, inseticidas organoclorados e organofosforados, ergot, nicotina,
álcool metílico, fenóis, pilocarpina, ácido bórico, cocaína, procaína, anestésicos
locais, salicilato, fósforo, botulismo,
cogumelos venenosos,
picada de escorpião..
Sialorréia:
Bismuto, mercúrio,
prata e ouro.
Amônia, inseticidas
organofosforados, salicilatos, pilocarpina,
fisostigmina,
nicotina, chumbo, botulismo, bários.
Icterícia:
Inseticidas
organoclorados, fenotiazina, clorpromazina, arsênico e outros metais pesados,
sulfas, trinitrotolueno, anilina.
5.Aparelho cardiovascular
Hipotensão arterial:
Nitritos, nitratos,
nitroglicerina, acônito, ferro, quinino, quenopódio, fenotiazínicos,
barbitúricos, acetanilida, bário, digitálicos, procaína, clortiazida e
reserpina.
Adrenalina, veratrum,
ergot, nicotina, cortisona, anfetaminas, chumbo.
Hipertensão arterial:
Epinefrina,
anfetamina, corticóides, ergotamina, bário, clortiazida e ácido etacrínico.
Distúrbios do ritmo cardíaco:
Bário, digital,
fisostigmina, pilocarpina, quinino, quinidina, anfetamina, atropina,
nafazolina, cocaína, efedrina, imipramina, fenilefrina, ácido etacrínico,
lítio, IMAO e potássio.
Bradicardia:
Digitálicos,
pilocarpina, quinina, quinidina, fenilefrina, fisostigmina, bário.
Taquicardia:
Anfetaminas e
derivados, adrenalina, atropina, simpaticomiméticos, cocaína, cafeína, álcalis.
Palpitações:
Nitritos, nitratos,
nitroglicerina, simpaticomiméticos.
Dor anginosa:
Nicotina.
6.Pele e mucosas
Hipertermia:
Atropina, cocaína,
aspirina, ácido bórico, antiadrenergéticos e procaína.
Hipotermia:
Acônito, anestésicos,
fenotiazínicos, irazolona, opiáceos, barbitúricos, nitritos e reserpina.
Sudorese:
Analgésicos,
eméticos, opiáceos, pilocarpina, tiroxina, antiadrenergéticos e iodetos.
Mucosas secas:
Atropina,
escopolamina e efedrina.
7.Sistema Geniturinário
Anúria:
Mercúrio, bismuto,
fósforo, sulfonamidas, inseticidas organoclorados, tetracloreto de carbono,
ácido oxálico, trinitrotolueno.
Poliúria:
Chumbo.
Porfiria:
Barbitúricos,
difenilidantoína, hexacloro-benzeno, meprobamato, griseofulvina.
Urina escura:
Fenol, naftaleno,
quinino, resorcina e timol.
Urina alaranjada:
Santonina.
Urina esverdeada:
Antraquinona, azul de
metileno, ácido fênico, resorcinol e timol.
Urina vermelha:
Antraquinona,
fenoftaleína, pirazolona, santonina, dorbane, fenidione e mefenezina.
Cólica uterina, metrorragia, aborto:
Fósforo, chumbo,
pilocarpina, fisostigmina, nicotina, quinina, ergot, catárticos.
Substâncias Tóxicas e Primeiros Socorros
Devemos conhecer os
tipos de substâncias tóxicas manipuladas no nosso ambiente de trabalho, bem
como os antídotos para estas substâncias. Apesar da extensa variedade de
substâncias tóxicas que provocam diferentes reações em diversos sistemas do
organismo, o ambiente de trabalho laboratorial é particularmente propício à
existência de alguns agentes tóxicos.
Inalação
As poeiras são
partículas sólidas de tamanhos variados, produzido pelo manuseio e impacto
mecânico de equipamentos, máquinas e ferramentas contra materiais orgânicos e
inorgânicos.
As poeiras flutuam no
ar e podem ser inaladas ou entrar em contato com as mucosas. Dependendo de sua
origem, podem provocar lesões de diferente gravidade para quem as aspire ou com
elas entre em contato.
A fumaça é uma
mistura de gases, vapores e partículas derivadas do aquecimento e queima de
substâncias. A agressão causada pela fumaça varia de acordo com a sua
composição, com o agente gerador da fumaça e muitas vezes com sua temperatura.
Os fumos são de
partículas microscópicas, produzidas pela condensação de metais fundidos. A
respiração se torna também uma via de intoxicação.
As névoas e neblinas
são gotículas que ficam em suspensão a partir da condensação de vapores, que
podem ser tóxicos ao serem respirados.
Podem ser provocados
pela nebulização, espumejamento ou atomização de substâncias químicas
orgânicas.
Os vapores são formas
gasosas de compostos químicos que, na temperatura e pressão ambiente,
apresentam-se em outro estado físico.
Os vapores se formam
a partir do aumento da temperatura ou pela diminuição da pressão de compostos
químicos. São formas físicas que se difundem muito rapidamente com facilidade
em qualquer ambiente.
Os gases são fluidos
sem forma própria, que se espalham com muita facilidade por todo o ambiente que
os contém; são geralmente invisíveis e, quase sempre, inodoros.
No ambiente de
trabalho encontraremos muitas destas formas físicas e químicas que podem, por
vezes, provocar intoxicações ou envenenamento.
É importante frisar que:
Qualquer intoxicação tem como melhor socorro
a prevenção.
Primeiros Socorros
· Isolar a área;
· Identificar o tipo
de agente que está presente no local onde foi encontrado o acidentado;
· Quem for realizar o
resgate, deverá estar utilizando equipamentos de proteção próprios para cada
situação, a fim de proteger a si mesmo;
· Remover o
acidentado o mais rapidamente possível para um local bem ventilado;
· Solicite
atendimento especializado;
Verificar rapidamente
os sinais vitais. Aplicar técnicas de ressuscitação cárdio-respiratória, se for
necessária. Não faça respiração boca-a-boca caso o acidentado tenha inalado o
produto. Para estes casos, utiliza máscara ou outro sistema de respiração
adequada.
Manter o acidentado
imóvel, aquecido e sob observação. Os efeitos podem não ser imediatos.
Observação:
Estes procedimentos
só devem ser aplicados se houver absoluta certeza de que a área onde se
encontra, juntamente com o acidentado, está inteiramente segura.
É importante deixar
esclarecido o fato de que a presença de fumaça, gases ou vapores, ainda que
pouco tóxicos, em ambientes fechados, pode ter conseqüências fatais, porque
estes agentes se expandem muito rapidamente e tomam o espaço do oxigênio
presente, provocando asfixia.
Contato com a Pele
Algumas substâncias
podem causar irritação ou destruição tecidual através do contato com a pele,
mucosas ou olhos.
Além de poeiras,
fumaça ou vapores pode ocorrer contato tóxico com ácidos, álcalis e outros
compostos. O contato com estes agentes pode provocar inflamação ou queimaduras
químicas nas áreas afetadas.
A substância
irritante ou corrosiva deverá ser removida o mais rapidamente possível. O local
afetado deverá ser lavado com água corrente, pura, abundantemente. Se as roupas
e calçados o acidentado estiverem contaminados, a remoção destas deverá ser
feita sob o mesmo fluxo de água da lavagem, para auxiliar na rápida remoção do
agente, e estes deverão ser isolados.
Não fazer a
neutralização química da substância tóxica. A lavagem da pele e mucosa afetada,
com água corrente, tem demonstrado ser a mais valiosa prevenção contra lesões.
Em caso de contato
com gases liquefeitos, aqueça a parte afetada com água morna.
Se o contato de substâncias químicas for com
os olhos, dar atenção redobrada ao caso. Esses agentes, além de serem
absorvidos rapidamente pela mucosa, podem produzir irritação intensa e causar a
perda da visão.Lavar os olhos abundantemente com água corrente, durante pelo
menos 15 minutos. Encaminhar o acidentado com urgência para atendimento
especializado, no NUST, com curativo oclusivo.
Ingestão
Muitas intoxicações
ocorrem pela ingestão de agentes tóxicos, líquidos ou sólidos. O grau de
intoxicação varia com a toxicidade da substância e com a dose ingerida. De uma
maneira geral, as seguintes substâncias encontram-se entre as que mais
freqüentemente provocam
acidentes tóxicos:
· Alimentos
estragados ou que sofreram contaminação química
· Produtos de limpeza
· Remédios -
sedativos e hipnóticos
· Plantas venenosas
(veja quadro)
· Alucinógenos e
narcóticos
· Bebidas alcoólicas
· Inseticidas,
raticidas, formicidas.
· Soda cáustica
· Derivados de
petróleo
· Ácidos, álcalis,
fenóis.
A ingestão destas
substâncias pode causar diversos sintomas e sinais, entre os quais:
· Alterações
respiratórias, tais como espirro, tosse, queimação na garganta, sufocação.
· Náuseas.
· Vômito.
· Dor abdominal.
· Diarréia.
· Salivação.
· Suor excessivo.
· Extremidades frias.
· Lacrimejamento e
irritação nos olhos.
· Midríase ou miose.
· Convulsões.
· Inconsciência.
Ao confirmar que
houve ingestão de substância tóxica ou venenosa, verificar imediatamente os
sinais vitais e assegurar de que a vítima respira.
Proceder segundo a
técnica para os casos de parada cárdio-respiratória.
Primeiros Socorros
· Dar prioridade à
parada cárdio-respiratória. Não faça respiração boca-a-boca caso o acidentado
tenha ingerido o produto, para estes casos utilize máscara ou outro sistema de
respiração adequado.
· Identificar o
agente, através de frascos próximos do acidentado, para informar o médico ou
procurar ver nos rótulos ou bulas se existe alguma indicação de antídotos.
· Observar
atentamente o acidentado, pois os efeitos podem não ser imediatos.
· Procurar
transportar o acidentado imediatamente a um prontosocorro, para diminuir a
possibilidade de absorção do veneno pelo organismo, mantendo-a aquecida.
Pode-se provocar o
vômito em casos de intoxicações por alimentos, medicamentos, álcool,
inseticida, xampu, naftalina, mercúrio, plantas venenosas (exceto diefembácias
- comigo-ninguém-pode) e outras substâncias que não sejam corrosivas nem
derivados de petróleo.
Observação:
NÃO PROVOCAR VÔMITO EM VÍTIMAS INCONSCIENTES E NEM DE
ENVENENAMENTO PELOS SEGUINTES AGENTES:
· Substância corrosiva
forte, como: ácidos e lixívia
· Veneno que provoque
queimadura dos lábios, boca e faringe
· Soda cáustica
· Alvejantes
· Tira-ferrugem
· Água com cal
· Amônia
· Desodorante
· Derivados de
petróleo como:
· querosene
· gasolina
· fluido de isqueiro
· benzina
· lustra-móveis
O conhecimento dos
sinais e sintomas dos envenenamentos mais comuns costuma ser de grande valor no
diagnóstico presuntivo. Correlações serão estabelecidas pelo médico entre o
quadro do acidentado e quadros clínicos dos tóxicos suspeitos. Nos casos
duvidosos, a confirmação do agente tóxico tem que se basear na pesquisa
laboratorial.
Em todos os casos de
envenenamentos e intoxicações, é importante investigar da área onde o
acidentado foi encontrado, na tentativa de identificar com a maior precisão
possível o agente causador do envenenamento, ou encontrar pistas que ajudem
nesta identificação.
Muitos indícios são
úteis nesta dedução: frascos de remédios, produtos químicos, materiais de
limpeza, bebidas, seringas de injeção, latas de alimentos, caixas e outros
recipientes.
Muitas pessoas supõem
que exista um antídoto para a maioria ou a totalidade dos agentes tóxicos.
Infelizmente isto não é verdade. Existem apenas alguns produtos específicos
para certos casos e que, mesmo assim, necessitam de orientação médica para
serem usados.
O bom atendimento de
primeiros socorros deve ser feito pelo uso, aplicação e práticas dos cuidados
gerais indicados neste item.
Se for possível
entregue uma amostra da planta ou substância tóxica, ao atendimento
especializado, para facilitar a escolha do tratamento adequado.
Nenhum de nós deve se
arriscar inutilmente. Toda vez que se envolver com um acidente por intoxicação,
seja por que agente for, é preciso certificar-se de que o agente tóxico não
está mais presente no ambiente onde se encontra a vítima e a pessoa que irá
socorrê-la.
Limite de Tolerância (LT)
No Brasil a exposição
laboral às substâncias químicas está prevista na Norma Regulamentadora n0 15 -
Atividades e Operações Insalubres, Anexo n0 11 (agentes químicos) da Portaria
3214 do Ministério do Trabalho, de 08 de junho de 1978, que define Limite de
Tolerância como "Concentração ou intensidade máxima ou mínima, relacionada
com a natureza e o tempo de exposição ao agente, que não causará dano à saúde
do trabalhador durante a sua vida laboral". Estes limites são válidos
apenas para absorção por via respiratória. Alguns agentes químicos apresentam
também, um VALOR TETO, não podendo o seu Limite de Tolerância (LT) ser
ultrapassado em momento algum da jornada de trabalho.
Os Limites de
Tolerância são determinados através de pesquisas em cobaias, por determinação
da DL-50 (Dose Letal 50 - quantidade de substância capaz de matar 50% das
cobaias, depois de determinado tempo), sendo então depois "estimada"
a "dose letal provável" para o homem.
Portanto, o LT pode
também ser definido como o limite de exposição abaixo do qual, teoricamente, a
saúde não seria atingida.
Esta dúvida quanto ao
LT seguro, é comprovada pela existência de diferentes LT para uma mesma
substância, em diversos países, como pode ser observado no Quadro XXVI. Os
limites fixados na NR-15 baseiam-se em normas internacionais, particularmente
nas normas americanas. Entretanto, não parece ter sido levado em conta as
diferenças de jornada de trabalho, condições de ambiente de trabalho,
biotipologia do trabalhador brasileiro, condições fisiológicas (gravidez) ou
patológicas (desnutrição, etc.), má condição de habitação, horas extras, má
alimentação, etc.
ACIDENTES COM ANIMAIS PEÇONHENTOS E
VENENOSOS
Introdução
Em sua diversidade
geográfica, o Brasil é um país rico em flora e fauna. São florestas, rios,
montanhas, semi-áridos e litoral, habitados por inúmeras espécies de animais,
que variam de acordo com a localização geográfica ou que ocorrem
indiscriminadamente em quase todas as regiões do território nacional.
Muitas espécies de
animais, que povoam a flora brasileira, são dotadas de mecanismos de defesa que
têm peçonhas ou venenos. São animais peçonhentos. Entre estes se destacam, pela
freqüência de acidentes que causam entre a população, os insetos, escorpiões,
aranhas e cobras. O veneno destes animais pode causar dolorosas intoxicações e,
muitas vezes,
se não houver socorro
imediato, morte.
Portanto animais
peçonhentos são aqueles, vertebrados ou invertebrados, que possuem glândulas de
veneno que se comunicam com dentes ocos, ou ferrões, ou aguilhões, por onde o
veneno é injetado com facilidade. Já os animais venenosos são aqueles,
vertebrados ou invertebrados, que produzem veneno, mas não possuem um aparelho
inoculador (dentes ou ferrões), provocando envenenamento passivo que são os
ocasionados por ingestão, onde há numerosas espécies de moluscos marinhos que
já provocaram mortes por serem ingeridos (peixe baiacu); ou por contato
(lonomia ou pararama), ou ainda por compressão (sapo).
INSETOS
Os insetos
catalogados no Brasil alcançam quase meio milhão de espécies. Várias classes de
insetos podem produzir picadas ou mordidas dolorosas. Na maior parte dos
acidentados com esses animais, as manifestações não são graves. Geralmente a
vítima reclama de dor no local da picada, que é seguida de uma pequena
inchação. Os principais animais que produzem estas manifestações são abelhas,
vespas, mosquitos, escorpiões, lagartas e aranhas.
Abelhas e Vespas
Conhecer um pouco a
respeito destes insetos auxilia na observância de determinados cuidados afim de
evitar ou de reduzir o risco de ser picado.
A abelha africana (ou
africanizada) é muito parecida com a abelha européia, usada como polinizadora
na agricultura e para produção de mel.
Os dois tipos têm a
mesma aparência e seu comportamento é similar, em muitos aspectos. Nenhuma das
duas tende a picar quando retiram néctar e polen das flores, mas ambas o farão
para defender-se, se são provocadas.
Um enxame em vôo, ou
descansando momentaneamente, raramente molesta pessoas, mas porém, qualquer
tipo de abelha se torna defensiva quando se estabelece para formar uma colméia
e começa a se reproduzir.
Características das
Abelhas Européias e Africanas
· São praticamente
iguais no aspecto
· Protegem a colméia
e picam para defender-se
· Podem picar apenas
uma vez (cada uma)
· Têm o mesmo tipo de
veneno
· Polinizam flores
· Produzem mel e cera
Características das
Abelhas Africanas
· Respondem
rapidamente e atacam em enxames
· Se sentem ameaçadas
por pessoas e animais a menos de 15 m da colméia
· Sentem vibrações no
ar até a distância de cerca de 30 m da colméia
· Perseguem os
intrusos por cerca de 400 m ou mais
· Estabelecem
colméias em cavidades pequenas e em áreas protegidas, tais como: caixas, latas
e baldes vazios, carros abandonados, madeira empilhada, moirões de cercas,
galhos e tocos de árvores, garagens, muros, telhados, etc.
As picadas produzidas
por abelhas e vespas estão entre os tipos mais encontrados de picaduras de
insetos. O ferrão da abelha, vespa ou formiga se projeta da porção posterior do
abdômen do inseto para injetar veneno na pele da vítima.
Mesmo sem medidas
específicas de primeiros socorros, deve-se ficar atento para algumas das
conseqüências resultantes de picadas por insetos.
Os acidentes por
picadas de abelhas e vespas apresentam sintomas distintos. O perigo da picada
da abelha, por exemplo, está mais na quantidade de picadas recebidas do que no
veneno em si e está muito relacionada à sensibilidade do indivíduo ao veneno.
Calcula-se que uma pessoa que receba de 300 a 500 picadas pode até mesmo
morrer, devido às diferentes reações que a quantidade de veneno pode provocar.
O acidente mais
freqüente é aquele no qual um indivíduo nãosensibilizado ao veneno é acometido
por poucas picadas.
Outra forma de
apresentação clínica é aquela na qual a vítima previamente sensibilizada a um
ou mais componentes do veneno manifesta reação de hipersensibilidade imediata.
É ocorrência grave, podendo ser desencadeada por apenas uma picada e exige o
atendimento especializado imediato, pois se manifesta por edema de glote,
bronco-espasmo acompanhado de choque anafilático.
A terceira forma de
apresentação deste tipo de acidente é a de múltiplas picadas. Na maioria das
vezes este tipo de acidente ocorre na execução de trabalho de campo, quando a
vítima é atacada por um enxame.
Nesse caso ocorre
inoculação de grande quantidade de veneno, devido às múltiplas picadas, em
geral centenas ou milhares. Em decorrência, manifestam-se vários sinais e
sintomas, devido à ação das diversas frações do veneno. Este tipo de acidente é
raro.
Algumas pessoas - a
maioria - desenvolvem uma reação localizada à picada de abelha e de outros
insetos, com sintomas de uma reação de hipersensibilidade. Geralmente a vítima
apresenta:
· dor generalizada;
· prurido intenso;
generalizado,
· pápulas brancas de
consistência firme e elevada,
· fraqueza,
· cefaléia,
· apreensão e medo,
com agitação podendo posteriormente evoluir para estado torporoso.
Geralmente os
sintomas são de curta duração, desaparecendo gradativamente sem medicação.
Em algumas pessoas,
porém, a reação ao veneno de um inseto pode assumir caráter sistêmico, tais
como:
· insuficiência
respiratória;
· edema de glote;
· broncospasmo;
· edema generalizado
das vias;
· hemólise intensa,
acompanhada de insuficiência rena;
· hipertensão
arterial.
Muito rapidamente
estes sintomas podem evoluir para os sintomas clássicos de choque e, em
seguida, morte.
Lacraias
Os quilópodes,
conhecidos popularmente como lacraias ou centopéias, possuem corpo dividido em
cabeça e tronco articulado, de formato achatado, filiforme ou redondo,
permitindo fácil locomoção. As lacraias estão distribuídas por todo o mundo em
regiões temperadas e tropicais. São bastante agressivas, mas não colocam em
perigo a vida humana.
Devido à dificuldade
em coletar quantidades adequadas de veneno,
pouco se conhece
sobre o mecanismo de ação, sugerindo-se atividade exclusivamente local, mas na
maioria das vezes o quadro clínico é benigno, causando apenas envenenamento
local sem maiores conseqüências, caracterizado por dor local imediata em
queimação, de intensidade variável, que pode permanecer por várias horas,
acompanhada ou não de prurido,
hiperemia, edema e
com evolução para necrose superficial.
Sintomas
Eventualmente podem
estar presentes sintomas tais como cefaléia, vômitos, ansiedade, agitação,
angústia, pulso irregular, tonturas, paresia ou dormência da região afetada,
linfadenite, linfangite e alterações cardíacas passageiras.
Lagartas Venenosas
A ordem Lepidóptera
possui mais de cem mil espécies de insetos distribuídos pelo planeta. A maioria
desses animais pode ser encontrada em árvores e arbustos, alimentando-se de
suas folhas. São conhecidos na forma adulta como borboletas ou mariposas. As
formas adultas raramente causam problemas ao homem.
Quase todos os
acidentes com lepidópteros decorre de contato com as formas larvais do inseto
(lagartas, taturana ou tatarana, sauí, lagarta-de-fogo, chapéu-armado, taturana-gatinho
e taturana-de-flanela). Os surtos epidêmicos de dermatite são resultantes do
contato da pele com lagartas urticantes, quando há contato entre a pele e os
feixes de espinhos venenosos. São acidentes comuns no Brasil, e ocorrem com
maior freqúência nos meses quentes.
A ação do veneno é
pouco conhecida. O quadro clínico apresenta manifestações que dependem da
intensidade e extensão do contato. As três principais manifestações clínicas
são as seguintes: dermatológicas, hemorrágicas e osteoarticulares.
No momento do
acidente a vítima sente uma sensação intensa de queimação e dor no local, de
leve a muito intensa, podendo ocorrer irradiação da dor para as axilas e
regiões inguinais. Acompanha eritema, edema, lesões papulares e prurido. As
flictenas e as vesículas podem formarse 24 horas após o acidente com necrose
superficial e hiperpigmentação.
Mal-estar, sensação
febril, náuseas, vômitos, diarréia, lipotimia e outros sintomas podem aparecer.
Geralmente o quadro regride em 2 a 3 dias, sem complicações ou seqüelas.
As manifestações
hemorrágicas são causadas principalmente pelas lagartas taturana ou tatarana.
Estas quando em contato com a pele humana produzem queimaduras. Entre 2 e 72
horas após o acidente aparecem hematomas, equimoses, hematúria, gengivorragia,
cefaléia e palidez.
Acredita-se que o
veneno tenha ação fibrinolítica e ação semelhante à coagulação intravascular
disseminada. Ocorre o consumo de fatores de coagulação e a seguir aparece, como
complicação dos fenômenos hemorrágicos, a insuficiência renal aguda, que pode
ocorrer em até 5% dos casos, em pacientes acima de 45 anos e com sangramento
intenso.
As manifestações
osteoarticulares, as periartrites, normalmente falangeanas, ocorrem
principalmente nos seringueiros da região Amazônica que entram em contato com
as lagartas comumente chamadas de pararama. Pararamose, assim como é chamada
popularmente, é a doença considerada profissional, de natureza inflamatória,
causada pelo contato
acidental com as
cerdas destas lagartas. A reação cutânea inicial é semelhante ao das outras
espécies de lagartas (dor, prurido e eritema). A exposição subseqüente e
continuada acaba por levar o paciente a uma artrite crônica deformante.
Primeiros Socorros
para picadas de Insetos Não existe tratamento específico de primeiros socorros
que seja eficaz no caso de picadas de insetos.
Após observação do
estado geral de uma vítima de picada de inseto, com atenção para os sintomas
descritos acima, proceder da seguinte maneira:
· Mantenha a calma.
· Instituir
imediatamente o suporte básico à vida, observando os sinais e funções vitais.
· No caso de
múltiplas picadas de abelhas ou vespas, levar o acidentado rapidamente ao
hospital, juntamente com uma amostra dos insetos que provocaram o acidente.
· Abelhas deixam o
ferrão e o saco de veneno no local da picada. Se houver suspeita de picada de
abelha, retirar cuidadosamente o ferrão e o saco de veneno da pele. Não usar
pinça, pois provocam a compressão dos reservatórios de veneno, o que resulta na
inoculação do veneno ainda existente no ferrão. A melhor técnica é a raspagem
do local com uma lâmina limpa, até que o ferrão se solte sozinho. Após a
remoção o local deve ser lavado com água e sabão, para prevenir a ocorrência de
infecção secundária. Aplicar bolsa de gelo para controlar a dor.
· Nos acidentes com
lagartas recomenda-se a lavagem na região atingida com água fria, aplicação de
compressas frias, elevação do membro acometido e encaminhar para atendimento
médico os indivíduos que apresentam ardor intenso.
· Não dê bebidas alcoólicas
à vítima.
· Nos casos de dores
intensas, encaminhar a vítima para atendimento especializado.
· Remover com a maior
urgência para atendimento especializado, em caso de reação de
hipersensibilidade.
· Não pegue o animal
agressor com a mão.
· Se possível levar o
animal para identificação.
Finalizando, deve ser
salientado que os acidentes por animais peçonhentos constituem emergência
médica freqüente em nosso meio, requerendo tratamento adequado e imediato,
evitando com isso que muitos doentes evoluam para o óbito.
Prevenção contra
picadas de insetos
Existem alguns
procedimentos de orientação que devem ser observados na execução de trabalhos
de campo e que auxiliam na prevenção destes tipos de acidentes, são eles:
· Quando ocorrer
surtos de Hylesia (Mariposa-da-coceira) afastarse de luminárias, principalmente
com lâmpadas de mercúrio e fluorescentes. Nestas ocasiões a troca de roupas de
cama, antes de dormir, faz-se necessária, bem como a limpeza por meio de pano
úmido, retirandose, dessa forma, as inúmeras e microscópicas cerdas.
· A remoção das
colônias de abelhas e vespas,situadas em lugares públicos ou residências, deve
ser efetuada por profissionais capacitados e equipados.
· Evite aproximar-se
de colméias de abelhas africanizadas Apis mellifera sem estar com equipamento e
vestuário específico (macacão, luvas, máscara, botas, fumigador, etc.)
· Evitar a
aproximação dos ninhos quando as vespas estiverem em intensa atividade, cujo
pico é atingido geralmente entre 10 e 12 horas.
Evitar a aproximação
dos locais onde as vespas estejam coletando materiais, como hortas, onde estes
insetos buscam lagartas para alimentação de suas proles; jardins (coleta de
néctar); galhos, troncos e folhas (onde eles coletam fibras para construir
ninhos de celulose); locais onde haja água principalmente em dias quentes,
outras fontes de proteína animal e
carboidratos tais
como frutas caídas, caldo de cana, pedaços de carne e lixo doméstico. Evitar
aproximar o rosto de determinados ninhos de vespas, pois algumas esguicham o
veneno, podendo provocar sérias reações nos olhos.
· Evitar caminhar e
correr na rota de vôo percorrida pelas vespas e abelhas. Ter cuidado ao entrar
em local que possa abrigar colméia.
· Não usar perfume
fortes, desodorantes, sabonete, loção pós-barba e spray fixador para cabelo. O
próprio suor intenso do corpo desencadeiam o comportamento agressivo e
conseqüente o ataque de abelhas e vespas.
· Usar roupas claras,
pois as escuras (principalmente azul escuro e preto) atraem as abelhas
· Não gritar: as
abelhas são atraídas por ruídos, principalmente os agudos
· Evitar movimentos
bruscos e excessivos quando próximo a alguma colmeia.
· Examinar a área de
trabalho antes de montar acampamento ou de utilizar equipamentos motorizados.
· Prestar atenção ao
zumbido característico de um enxame.
· Observar se há
abelhas entrando ou saindo do mesmo lugar.
· Ficar alerta ao
executar as atividades de trabalho de campo.
· Na prevenção de
acidentes com Lonomia sp, deve-se verificar a presença de folhas roídas na copa
de ariticuns, cedros, ipês, pessegueiros, ameixeiras, abacateiros; verificar
casulos e fezes de lagartas no solo, parecidos com pimenta-do-reino. Observar
durante o dia os troncos de árvores, locais onde as larvas poderão estar
agrupadas. À noite, as taturanas dirigem-se para as copas das árvores para se
alimentarem das folhas.
· Utilizar luvas de
borracha, especialmente as pessoas que têm contato freqüente com as plantas.
Escorpiões
O envenenamento
escorpiônico, muito freqüente no Brasil, é o responsável por um significativo
número de mortes, especialmente entre crianças. Cerca de 80% dos acidentes
registrados são da região Sudeste e 15% da região Nordeste, com coeficiente de
incidência anual de 2,5 casos por 100.00 habitantes e com letalidade em torno
de 1%.
Tal como ocorre com
as serpentes, o maior número de acidentes surge nos meses de calor, diminuindo
muito no inverno; além disso, é interessante notar que o número de acidentes,
nos diversos períodos do dia e da noite, parece depender tão somente das
circunstâncias e não
de alguma
particularidade ecológica.
Os acidentes têm
ocorrência regional e sazonal, sendo a maioria em indivíduos de 15 a 50 anos,
com discreto predomínio no sexo masculino.
Os membros superiores
e inferiores são os locais mais acometidos (70%) dos casos). O gênero Tityus é
o que tem maior importância no Brasil. Estes tipos de escorpiões têm na maioria
de 6 a 7 cm de tamanho.
Freqüentemente
escondem-se em lugares sombrios e frescos, sob madeiras, pedras, cascas de
árvores, tijolos, folhas, telhas, etc, junto a domicílios. Picam ao serem
molestados.
O veneno do escorpião
exerce uma ação neurotóxica direta sobre os neurônios do córtex, cerebelo e
medula espinhal. Pode ocorrer a impregnação dos núcleos neurovegetativos do
bulbo, levando à morte por choque e apnéia.
Muitos escorpiões,
porém, produzem ferroadas inócuas, com os sinais comuns de vários graus de
edema, com dor e alteração de cor da pele.
Os sintomas sistêmicos dos acidentes
por escorpiões são apresentados no Quadro XXVIII.
Os sintomas
sistêmicos nos casos moderados e graves podem surgir após intervalo de minutos
até horas (2 a 3). A gravidade destes acidentes depende da espécie e tamanho do
escorpião (os acidentes com escorpiões amarelos têm maior gravidade), da
quantidade de veneno inoculado e da sensibilidade da vítima ao veneno.
Influirão na evolução do quadro a precocidade do diagnóstico, o tempo decorrido
desde a picada até o início do atendimento, o uso de soroterapia e a perfeita
manutenção das funções vitais.
Observar rapidamente
o estado geral da vítima para avaliar o grau de perigo existente no
envenenamento. Se for possível identificar o tipo de escorpião envolvido, pois
facilita a atuação das ações de primeiros socorros.
É boa conduta
conhecer a ocorrência de escorpiões na unidade de trabalho e saber reconhecer
os tipos mais comuns.
Primeiros Socorros
· Lavar a região
atingida com água.
· Colocar saco com
gelo ou compressa de água gelada sobre o local da ferroada para auxiliar no
alívio da dor.
· Toda atenção deverá
ser dada para o caso de desenvolvimento de reações sistêmicas, ou de ferroadas
por Tityus serrulatus.
· Pode ser necessário
a instituição de suporte básico à vida e prevenção do estado de choque.
· Remoção imediata
para atendimento médico.
· Não pegue o animal
agressor com a mão.
· Se possível levar o
animal para identificação
Prevenção
As principais medidas
para minorar a ocorrência dos acidentes por
escorpiões são:
· Manter limpos os
locais de trabalho, domicílios, quintais, jardins, sótãos e garagens.
· Evitar acúmulo de
lixo ou entulho próximo ao seu local de trabalho ou domicílio.
· Eliminar ou
empilhar adequadamente sobras de materiais de construção, jornais e outros.
proteger as mãos e pés ao manipular entulhos ou sobras de materiais.
· No trabalho de
campo, o uso de calçados e de luvas de raspas de couro pode evitar acidentes.
· Observar com
cuidado sapatos e roupas, principalmente os menos usados, sacudindo-os antes de
usa-los, pois escorpiões podem se esconder neles e picam ao serem comprimidos
contra o corpo.
· Não por as mãos em
buracos, sob pedras e troncos podres.
· Usar telas em ralos
de chão, pias ou tanques.
· Acondicionar
adequadamente o lixo, a fim de evitar a proliferação de insetos de que se
alimentam os escorpiões.
· Preservar os
predadores naturais, como aves de hábitos noturnos (coruja, João-bobo), sapos,
gansos, galinhas, pássaros e lagartos.
Aranhas
No Brasil existem
numerosas aranhas venenosas, distribuídas por todas as regiões. Os acidentes
envolvendo aranhas têm importância médica por sua freqüência de ocorrência e
potencial risco de complicações associadas.
Os aracnídeos têm
hábitos noturnos, alimentam-se de pequenos insetos, e por isso os acidentes
ocorrem, de um modo geral, no domicílio ou em regiões do peridomicílio. No
Brasil, mais de 95% dos casos notificados de araneísmo ocorrem nas regiões
Sudeste e Sul.
As partes do corpo
mais freqüentemente atingidas nestes acidentes são os membros superiores e
inferiores com 85% dos acidentes.
Gênero: Loxoceles
Nome Comum: Aranha
Marron
Características:
Tamanho do corpo: 1
cm.
Envergadura: 3 cm
Coloração: cor marrom
clara uniforme, dorso verde-oliva, pernas finas e longas, pêlos escassos.
Observações:
São responsáveis por
cerca de 20% do total de acidentes no Brasil.
São consideradas
aranhas mansas, picando quando espremidas contra o corpo. Têm hábitos noturnos
e constroem teias irregulares em fendas de barrancos e cascas de árvores.
Dentro de casa situam-se, geralmente, atrás de móveis, rodapés soltos, cantos
de parede, sótãos, garagens, pilhas de tijolos ou telhas. Este acidente, muitas
vezes é inicialmente negligenciado pela ausência de manifestações precoces, mas
pode evoluir e produzir quadros graves. É mais comum em mulheres adultas, com
picadas geralmente na coxa, tronco ou braços.
Sinais e sintomas:
Precoce:
Ausentes ou dor local
discreta.
Tardios (>12-24
horas):
Forma cutânea - (87%
a 98%) dor local (queimadura) de intensidade crescente; sinais locais
discretos, evoluindo com vesículas e flictênulas hemorrágicas, que necrosam e
ulceram (difícil cicatrização); hipertermia, náusea, mal estar, cefaléia,
exantema pruriginoso morbiliforme ou petequial.
Foram cutaneovisceral
- (hemolítica) 1% a 13%: icterícia, hemoglobinúria, insuficiência renal aguda,
anemia hemolítica (4%) e trombocitopenia.
Gênero: Phoneutria
Nome Comum: Aranha
Armadeira, Aranha da Banan, Aranha dos Mercados de Frutas
Características:
Tamanho do corpo: 4-5
cm.
Envergadura: 15 cm
Coloração: colorido
acinzentado ou marrom, corpo coberto de pêlos cinzentos e curtos..
Observações:
São responsáveis pela
maioria dos acidentes em quase todas as regiões brasileiras. De hábito noturno,
não fazem teia e ao serem molestadas apóiam-se nas patas traseiras e erguem as
dianteiras preparando-se para atacar. Abrigam-se em roupas, sapatos, madeiras,
materiais de construção acumulados, bananeiras, folhagens e cupunzeiros
inativos. Os acidentes acometem principalmente mãos e pés.
Sinais e sintomas:
Precoce:
Dor (ardência)
intensa com irradiação, associada ou não a sudorese e a edema e eritema locais,
câimbra, mialgias, hiperreflexia e náusea. Nos casos graves: choque neurogênico
com sudorese fria, agitação, salivação, broncorréia, priapismo, taquicardia e
arritmias respiratórias.
Gênero: Latrodectus
Nome Comum: Viúva Negra,
Aranha Ampulheta e Flamenguinha
Características:
Tamanho do corpo: 1,5
cm.
Envergadura: 3 cm
Coloração: abdômen
globoso, quase esférico, com
manchas vermelhas em
fundo negro; mancha vermelha em forma de
ampulheta no ventre.
Observações:
Há poucos casos
registrados no país, sendo relatados especialmente no Nordeste. São de hábito
diurno e teia irregular. Encontrada em casa da zona rural, plantações, praias,
arbustos, montes de lenha e cupinzeiros. As fêmeas são pequenas, de abdômen
globular,e picam quando espremidas contra o corpo. Os machos são muito menores
(3 mm) e não causam os acidentes.
Sinais e sintomas:
Precoce:
Dor intensa,
irradiada; hiperestesia, eritema e sudorese locais, contraturas musculares
generalizadas, rigidez muscular, mialgia, convulsões tetânicas, sialorréria,
priapismo, bradicardia, hipotensão, febre, hipertensão liquórica, arritmias e
psicoses. Em 5% dos acidentes: eritema facial, blefaroconjuntivite, queilite e
trismo dos masseteres.
Gênero: Lycosa
Nome Comum:
Tarântula, aranha da grama, aranha do campo e aranha de jardim.
Características:
Tamanho do corpo: 2-3
cm.
Envergadura: 5 cm
Coloração: ventre
negro e dorso do abdômen com desenho em forma de seta.
Observações:
São aranhas que não
constroem teias. Vivem em gramados, junto a piscinas e jardins e a materiais
empilhados. Não são agressivas, picando quando se sentem ameaçadas. Os
acidentes são, em geral, sem gravidade.
Sinais e sintomas:
Precoce:
Dor local, leve a
moderada, edema e eritema locais discretas.
Tardios (>12-24
horas):
Necrose superficial
(< 1% dos casos)
Gênero: Grammostola
Nome Comum:
Caranguejeira
Características:
Tamanho do corpo: 2-7
cm.
Envergadura: até 20
cm
Coloração: cor negra
ou castanho clara, corpo densamente coberto de pêlos.
Observações:
Há numerosas espécies
de caranguejeiras no Brasil. Impressionam muito por haver espécies de dimensões
avantajadas. São aranhas muito pilosas, encontradas em terrenos pedregosos e
seus arredores, importantes pela liberação de pêlos urticantes (nuvem de
pêlos). Os sintomas geralmente são passageiros. O veneno desta aranha apresenta
poucos efeitos no homem, com exceção do gênero Trechoma, que é neurotóxico.
Sinais e sintomas:
Precoce:
Prurido local
intenso; edema e pápulas locais, irritação de mucosas com tosse, às vezes,
intensa.
Primeiros Socorros
A pessoa que for
prestar os primeiros socorros precisa saber identificar o mais rapidamente
possível o tipo de picada que a vítima levou e providenciar imediatamente sua
remoção para onde haja pessoal capaz de aplicar o tratamento por soro.
Para amenizar a dor
da vítima, enquanto não ocorre o atendimento especializado, aplicar bolsa de
gelo ou compressa de água gelada. Se for possível, poderá ser feita a imersão
da parte atingida em água fria. Devese acalmar e tranqüilizar a vítima, não
demonstrando apreensão com seu estado, observar atentamente os sinais vitais,
estando pronto para prevenir choque e instituir o suporte básico à vida.
O tratamento depende
do diagnóstico acertado e da identificação do aracnídeo e, por vezes, inclui soroterapia.
A notificação dos casos é indispensável para garantir o fornecimento adequado
de soro pelo sistema de saúde, além de permitir um melhor conhecimento de sua
relevância epidemiológica.
Prevenção
Existem algumas
medidas que auxiliam na prevenção de acidentes com aracnídeos, são elas:
· Manter limpos os
ambientes de trabalho, domicílios, quintais, jardins, sótãos e garagens.
· Evitar acúmulo de
folhas secas, lixo, materiais de construção e entulho próximo a locais de
trabalho e domicílios.
· Evitar folhagens
densas (trepadeiras, plantas ornamentais, arbustos, bananeiras e outras) junto
a paredes e muros das edificações.
· Manter a grama
aparada.
· Limpar os terrenos
baldios, vizinhos, pelo menos, numa faixa de um a dois metros junto a
edificações.
· Eliminar ou
empilhar adequadamente sobras de materiais de construção, jornais e outros.
· Proteger mãos e pés
ao manipular entulhos ou sobras de materiais e podas de árvores.
· Observar com
cuidado sapatos e roupas, sacundindo-os antes do uso.
· Não pôr as mãos em
buracos, sob pedras e troncos podres.
· O uso de calçados e
de luvas de couro pode evitar acidentes.
· Evitar a
proliferação de insetos, para evitar o aparecimento das aranhas que deles se
alimentam.
· Preservar os
predadores naturais (sapo, galinha, pássaros e lagartos).
Cobras
Os acidentes por
cobras merecem atenção, visto que são importantes do ponto de vista da saúde
pública, por sua freqüência e potencial gravidade, sobretudo em países como o
Brasil, que apresenta características geográficas favoráveis à existência de
grande número de espécies de cobras venenosas. Estima-se que anualmente,
atinjam cerca de um milhão de acidentes com vítimas, com óbito estimado em 30 a
50 mil.
É
importante possuir noções para identificação do ofídio agressor (Quadro XXX),
caracterizando-o como peçonhento ou não, pois um grande número de acidentes
ofídicos ocorre por serpentes não peçonhentas, tendo fundamental importância no
tratamento e também na autoproteção. A identificação do gênero é importante nos
casos de serpentes peçonhentas, uma vez que a soroterapia específica é o
recurso terapêutico fundamental para a vítima. A identificação pode ser
realizada através de suas características anatômicas ou dos sintomas
apresentados pela vítima, já que as características das peçonhas se mantêm
relativamente constantes entre os ofídios do mesmo gênero.
A Figura abaixo serve
para distinguir as características externas das mordidas de serpentes venenosas
e não venenosas.
Figura 49 - Características
externas das mordidas de serpentes venenosas e não venenosas
As serpentes
venenosas são mais freqüentes nas áreas cultivadas, principalmente em
plantações, campos e pastos. Elas têm hábitos noturnos, ficando em esconderijos
durante o dia, como tocas de tatus, tocos de árvores, covas de raízes e montes
de lenha. Em geral, fogem dos lugares que recebem sol diretamente, a não ser
nas primeiras horas da manhã e nas últimas horas da tarde. A cascavel escolhe
lugares mais secos ou pedregosos e as Bothrops, os mais úmidos. As corais
preferem abrigo subterrâneo. As enchentes dos rios fazem com que as serpentes,
nessas ocasiões, procurem lugares mais elevados, aumentando sua concentração.
Os acidentes causados
por serpentes ocorrem principalmente nos meses quentes de novembro a abril,
sendo em número muito reduzido de maio a outubro. Quanto à hora do acidente,
praticamente fica condicionada apenas às circunstâncias, já que a estatística
os demonstra em todos os horários. As emas, seriemas, corujas e gaviões são
inimigos naturais das serpentes, Preservar a vida dessas aves e os locais onde
habitam representa grande proteção ao homem e ao equilíbrio ecológico.
No Brasil o maior
número de acidentes são provocados por serpentes venenosas do gênero Bothrops
(90,8%), seguindo-se por Crotalus (8,4%) e corais venenosas (0,8%). De modo
geral, gravidade e letalidade são maiores para os acidentes por ofídios do
gênero Crotalus, seguindo-se a ele os acidentes pelos gêneros Lachesis,
Micrurus e Bothrops.
Entre as serpentes
não venenosas foram constatadas 32 espécies causadoras de acidentes sem
gravidade; as mais freqüentes pertenciam aos gêneros Helicops (7,2%),
Philodrias (3,9%), Thamnodynastes (33%) e corais não venenosas (1,4%).
As serpentes
venenosas em geral não se movimentam muito nem se locomovem rapidamente; as não
venenosas são mais rápidas, fugindo ou perseguindo com ligeireza. Atacam quando
alguém delas se aproxima ou quando são tocadas ou pisadas. Mesmo depois de se
alimentarem ou de picarem, ainda conservam veneno suficiente para outra
agressão. Não são conhecidos
produtos químicos ou agentes vegetais que repilam as serpentes.
As partes do corpo
mais freqüentemente atingidas são as pernas, seguidas dos braços, mais da
metade dos acidentes acontecendo em áreas abaixo dos joelhos. O acidente nas
mãos e antebraço ocorre, geralmente, no momento em que o indivíduo manipula o
animal em atividades laboratorial ou em trabalho de campo. Não só as cobras
venenosas são perigosas
para o homem. As
cobras não venenosas gigantes, com a sucuri e a jibóia, que chegam a medir até
trinta metros de comprimento, podem matar um animal do porte de uma vaca,
enrodilhando-se em torno do corpo de animal e esmagando-o com sua força.
Vale ressaltar ainda
que as venenosas, quando perseguidas, se preparam para dar o bote,
enrodilhando-se; possuem movimentos vagarosos e cauda curta, que se afina
bruscamente. As cobras não venenosas possuem movimentos rápidos, fogem quando
perseguidas e a cauda é longa e se afina gradativamente.
A cobra venenosa
ataca dando o "bote" podendo distender até 50% do seu comprimento.
Ela mira e escolhe o alvo através da associação de estímulos visuais e térmicos
que ela é capaz de captar.
A picada tem dois
orifícios como marca, e o tipo de perigo da picada depende de fatores, como o
tipo de bote que foi dado, a maneira como as presas se prendem no local e das
condições de alimentação do ofídio: se a alimentação anterior foi recente, o
teor de veneno na glândula é menor.
A jararaca é de cor
amarelada, cinza ou verde-escura, desenhos escuros e lateralmente,
triangulares. Mede de 1 a 1,5 m. É relativamente fina e habita
preferencialmente os campos e os lugares mais ou menos planos.
A urutu é de cor
castanho-escura, com desenhos escuros, contornados de branco, que têm a forma
de ferrara, com abertura voltada para o lado do ventre. Habita de preferência
margem dos rios e córregos.
A cascavel é de cor
pardo-escura, tendo no dorso uma série de losangos, que se alternam com outros
laterais. É, em geral, muito lerda e, quando fustigada, ataca. Na cauda
encontra-se um chocalho ou guizo formado de anéis. Uma picada de cascavel é
considerada uma emergência médica. Vive nos
campos e nas regiões secas. A surucucu é uma cobra muito agressiva, que habita
matas e florestas. No dorso notam-se desenhos rombóides escuros, que se destacam
num fundo róseo.
As cobras do tipo
coral verdadeira são pouco agressivas, finas, em geral pequenas, vistosas,
ornadas de anéis de cor vermelho-coral, preta e amarela, os quais se alternam
diversamente, conforme as espécies. Convém não confundí-las com as "falsas
corais", que são mansas, nofensivas e não tentam picar. A coral verdadeira
apresenta algumas características de cobras não venenosas que podem dificultar
sua identificação.
Sintomas
Dor local.
Rápido
enfraquecimento.
Perturbações visuais.
Náuseas e vômitos.
Pulso fraco.
Respiração rápida.
Extremidades frias.
Perda de consciência.
Rigidez na nuca.
Coma e morte.
Jararaca (Bothrops)
O veneno das cobras
do gênero Bothrops possui enzimas proteolíticas, que alteram os mecanismos
naturais da coagulação sanguínea.
A atuação do veneno
caracteriza-se por hemorragias em mucosas (nariz e boca). Pode ocorrer a grave
síndrome de coagulação intravascular disseminada.
Estas enzimas levam
também à destruição dos tecidos periféricos à picada, podendo necrosar o membro
afetado, determinando eventualmente a amputação.
Cascavel (Crotalus)
O seu veneno é
hemolítico (destrói os glóbulos vermelhos) e atua como tóxico no sistema
nervoso. Este efeito neurotóxico leva a rigidez de nuca, perturbações visuais
(nistagmo, visão dupla, estrabismo), lacrimejamento e salivação, parestesia na
região afetada e paralisia de diafragma (parada respiratória).
Coral (Micrurus)
O seu veneno é
neurotóxico.
Para cada um dos
gêneros há um soro específico: antibotrópico, anticrotálico, antilaquésico e
antielapídico (para o gênero Micrurus). O soro antiofídico (soro universal) é
composto por soro antibotrópico e anticrotálico.
Primeiros Socorros em Picadas de Cobras
· Acalmar e confortar
a vítima que, quase sempre, estará excitada ou agitada. Ela deve ser mantida em
decúbito dorsal, em repouso, evitando deambular ou correr, caso contrário, a
absorção do veneno pode disseminar-se.
· Lavar o local da
picada apenas com água ou com água e sabão, fazendo a antissepsia local, se
possível (a ferida também é contaminada por bactérias).
· Não perfurar ou cortar
o local da picada.
· Não colocar folhas,
pó de café ou outros contaminantes.
· Não se deve fazer o
garroteamento do membro afetado, pois isto agravará as lesões locais.
· O membro afetado
deve ser mantido elevado.
· Manter a vítima
hidratada.
· Evitar o uso de
drogas depressoras do Sistema Nervoso (álcool por exemplo).
· Controlar os sinais
vitais e o volume urinário do acidentado.
· Dar o apoio
respiratório que o caso exigir.
· Transportar a
vítima com urgência para o atendimento especializado de emergência.
· Em nenhuma
circunstância a extremidade deve ser envolvida com gelo.
· Se já passaram mais
de 30 minutos desde o momento da picada, não adianta qualquer medida local de
primeiros socorros. Deve-se manter os cuidados gerais de repouso e apoio psicológico:
verificação dos sinais vitais e prevenção de estado de choque e transportar a
vítima o mais rápido possível ao serviço de emergência médica.
Sempre que for
possível, deve-se localizar a cobra que mordeu a vítima e levá-la, com
segurança, para reconhecimento e para que seja ministrado o soro específico. O
soro universal não é tão eficiente quanto o soro específico.
Captura-se uma cobra
viva levantando-a do chão com uma haste qualquer pelo meio do corpo, sem se
arriscar e, em seguida, coloca-se o animal em uma caixa bem fechada; assim ela
não consegue reagir nem dar o bote. Se não for possível levá-la viva, não
devemos hesitar em matar o animal e recolher o exemplar.
No Brasil existem
três importantes centros que fabricam o soro antiveneno, o único tratamento
eficaz contra mordida de cobra; o Instituto Butantã, em São Paulo; o Instituto
Vital Brazil, em Niterói e a Fundação Ezequiel Dias, em Belo Horizonte.
Prevenção
Em relação às medidas
preventivas relativas ao acidente ofídico, importam o conhecimento de fatores
relacionados às serpentes, bem como da atividade humana. Isto torna a
profilaxia do ofidismo um objetivo difícil de ser alcançado pela complexidade
das possibilidades de interação ofídiohomem.
Entretanto, algumas
medidas gerais são factíveis na diminuição do risco de envenenamento ofídico, a
saber:
· Evitar andar
descalço, pois as porções inferiores do corpo (pés e pernas) são os locais mais
atingidos nas picadas; o uso de botas é aconselhado nos locais de ocorrência de
ofídios.
· Observação
cuidadosa ao caminhar em locais de mata e capinzais, área na qual podem ser
encontradas serpentes.
· Uso de luvas
resistentes (raspas de couro) para determinadas atividades laboratoriais e de
trabalho de campo. Cobras gostam de abrigarse em locais quentes, escuros e
úmidos, cuidado ao revirar montes de lenhas ou inspecionar buracos na terra com
as mãos desprotegidas.
· Cuidado ao subir em
árvores, pois descritos acidentes na cabeça, ombros e braços.
· Onde há rato, há
cobra. Manter limpo terrenos, evitando acúmulo de madeira, tijolos, pedras,
entulhos de construção civil, lixos, etc, além de se evitar trepadeiras que
encostem nas paredes ou alcancem telhados e forros.
· A criação de
determinadas aves afiófagas (como gansos, emas, dentre outras) ajuda a afugentar
as serpentes.
· Evitar caminhadas
desnecessárias noturnas em locais de mata e capinzais, dados os hábitos
noturnos (saída para alimentação) de boa parte das serpentes peçonhentas.
CAPÍTULO
V
OUTRAS
OCORRÊNCIAS
Introdução
No ambiente de
trabalho poderemos encontrar aparelhos e equipamentos cujo funcionamento se
baseiam em radioatividade.
Acidentes radioativos
são raros.
São importantes para
nós as definições e conceitos envolvendo radiação atômica e os procedimentos a
serem adotados em emergências envolvendo fontes radioativas. As definições,
conceitos e procedimentos apresentados a seguir são adotados universalmente
pela Cruz Vermelha Internacional.
Radiação
A radiação é uma
forma de transmissão de energia. Qualquer corpo que bloqueie a radiação absorve
a energia do feixe. A absorção de energia pelos tecidos pode causar lesão.
Existem várias formas de radiação, entre elas, o som e a radioatividade. Todas
podem ser perigosas em níveis altos.
A forma mais perigosa
de energia de radiação não pode ser percebida pela audição, visão ou
sensibilidade. É a radiação ionizante, que possui a propriedade específica de
ser capaz de desagregar átomos e, desta forma, lesar células e os tecidos
corporais.
Os átomos são
partículas de matéria estável até que suas estruturas atômicas sejam alteradas.
A radiação ionizante possui este efeito de alterar a estrutura atômica.
Existem três tipos
principais de radiação ionizante: partículas alfa, partículas beta e raios
gama.
A radiação alfa
penetrará apenas em materiais finos; pode ser absorvida por um jornal. A
radiação beta penetrará materiais um pouco mais espessos; pode ser absorvida
por camadas de roupas. A radiação gama penetrará totalmente, exceto nos
materiais mais densos; seus raios só podem ser retidos por uma cobertura de
chumbo, uma parede de pedra ou de terra de vários centímetros de espessura, ou
o equivalente a estes materiais.
Alterações no Organismo
Devido ao fato de a
vida depender de bilhões de células individuais, a morte de um grande número destas,
pela destruição de seus átomos, resulta em doença por radiação e algumas vezes
em morte. Esta perda de células ocorre com a exposição a uma grande dose de
radiação.
O grau de doença
causada pela radiação depende da dose total, do tipo de radiação emitida e se
foi parte do corpo ou todo ele exposto. Por exemplo: doses grandes de radiação
em um braço podem levar à perda deste, porém apresentam apenas um efeito
limitado sobre o resto do corpo.
O mais importante é a
quantidade de radiação recebida por todo o corpo ou por seus órgãos principais.
Deve-se acentuar que
toda radiação ionizante possui efeito sobre as células do organismo. Doses
controladas por período de tempo limitado são bem toleradas, porém não devemos
nos esquecer de que a radiação sempre causa algumas alterações celulares.
A radiação pode ser
transmitida diretamente através do ar, ou indiretamente, em partículas de
poeira ou fumaça. Os depósitos de material radioativo que penetram no corpo por
inalação ou deglutição podem ser extremamente perigosos, porque continuarão a
expor as estruturas celulares à radiação
até que as partículas sejam eliminadas do organismo ou diminua sua
radioatividade.
Acidentes com Fontes Radioativas
Provavelmente, o
único risco real da lesão por radiação em acidente de transporte ocorreria se
uma fonte de radiação poderosa, como um material que produzisse radiação gama,
se tornasse desprotegida, com as pessoas desavisadas do perigo permanecendo no
campo de radiação.
Sempre que os
acidentes envolverem fontes de radiação gama, coberturas de chumbo ou outro
material de grande massa (paredes de concreto ou metal, bancos de terra, mesmo
veículos ou equipamento pesado) fornecem proteção suficiente para as pessoas
nas proximidades.
Em uma explosão ou
incêndio, o material radioativo pode ser carreado em partículas de poeira ou de
fumaça; deve-se tomar o máximo de precaução para evitar o problema de
contaminação por esta forma. A melhor proteção contra a contaminação a partir
de poeira é o uso de roupas de proteção.
Várias camadas de roupa, incluindo chapéu, luvas e máscaras, protegerão contra
a maior parte da poeira radioativa. Quanto mais fechado for o tecido, maior
será a proteção contra as partículas radioativas. Deve-se colocar esparadrapo
nas mangas e nas aberturas dos botões, fechando-se, assim, estas passagens a
partículas de poeira e de outros materiais.
Se houver suspeita de
presença de material radioativo nas roupas ou sapatos do acidentado ou de quem
a está socorrendo, deve-se parar nos limites da área exposta e remover o máximo
possível da roupa contaminada. A pessoa que está prestando os primeiros
socorros deve se lavar e à vítima, se
estiverem muitos contaminados. Com apenas isto, diminuirá em grande parte o
risco de todas as pessoas envolvidas. A radiação pode ser
significativamente reduzida e, com um pequeno cuidado, a contaminação não será
levada à outra parte. A água que se utilizou para a lavagem torna-se
contaminada, devendo ser guardada em um recipiente coberto, para ser eliminada
de forma apropriada. O recipiente deve ser identificado como contendo água
contaminada por radioatividade.
Não permitir que
espectadores entrem em uma área com suspeita de conter material radioativo.
Acima de tudo, não permitir que nada seja pego, manipulado ou removido do local
do acidente. Não empilhar roupas e materiais encontrados sobre o chão. Não
queimar materiais, pois isto apenas colocará partículas contaminadas no ar, sob
a forma de fumaça e
cinzas radioativas.
Os três fatores mais importantes que determinam quanto de radiação uma pessoa
receberá, são:
1) Tempo de exposição
2) Distância da fonte
de radiação
3) Quantidade de
proteção contra a fonte de radiação
Uma vez retirada o
acidentado, notificar a existência de paciente exposto à radiação, ao
NUST/DIREH, iniciar as medidas de tratamento de emergência imediatamente e a
seguir encaminhar o acidentado para atendimento especializado. Um acidentado
exposto à radiação que teve suas roupas removidas e foi lavada apresenta
pequeno risco para os que a transportam. Uma
pessoa não é radioativa se receber radiação alfa, beta ou gama. Este fato é
óbvio quando se considera que a radiografia de tórax, como por exemplo: não
causa radiatividade no indivíduo exposto.
Entretanto, se a
fonte de radiação permanecer sobre as roupas ou pele do acidentado, ainda
haverá perigo de exposição.
Descontaminação
A descontaminação do
acidentado e de quem a socorreu inclui a remoção de toda a roupa e lavagem, com
atenção particular para os cabelos e partes do corpo que possuem superfícies
sobrepostas, isto é, em contato.
Estas áreas são as
nádegas, região superior das coxas, os braços e o tórax, e entre os dedos das
mãos e dos pés. O banho de imersão não é tão eficaz quanto o de chuveiro, pois
não remove as partículas com tanta eficiência.
Figura 50 - Símbolo
de radiação
O sinal apresentado
na Figura 50 é o símbolo universal de radiação, uma hélice preta sobre um fundo
amarelo. É usado para indicar fontes radioativas, embalagens com material
radioativo, e áreas onde é armazenado ou utilizado material radioativo. Deve-se
ter precaução sempre que este símbolo for
encontrado.
É importante ter
sempre à disposição informações para contato com o plantão da Comissão Nacional
de Energia Nuclear.
Radiodermites
Introdução
São alterações
cutâneas causadas pela ação da energia radiante, seja por exposição acidental
ou profissional.
Depende da
intensidade da dose e do tempo de exposição e caracteriza-se inicialmente por
eritema, após o qual pode permanecer uma hiperpigmentação. Pode evoluir do
eritema (vermelhidão) para um edema (duro e doloroso) ou para dermatite ampolar
(vesículas cheias de líquido); pode evoluir ainda, em alguns casos, para
úlceras muito dolorosas e rebeldes a qualquer tratamento.
A pele dos indivíduos
expostos ocupacionalmente aos raios X, com o passar do tempo, torna-se áspera,
brilhante e atrófica, pela desintegração do complexo de Golgi, que preside aos
processos de secreção celular.
Outros casos podem
apresentar ainda teleangietasias e áreas de hiperceratose, representadas por
descamação mais ou menos acentuada.
A alteração mais
grave, porém, é representada pelo câncer de pele, de maior incidência nos
radiologistas, do que na população em geral.
Primeiros Socorros
A radiodermite não se
constitui num quadro de urgência, devendo o acidentado ser encaminhado a um
serviço especializado em radiopatologia, depois de serem tomadas as
providências anteriormente descritas para estes acidentes. Nos casos em que o
acidente envolver, além de exposição e/ou contaminação por radiação ionizante,
outras lesões de caráter emergencial como as constantes neste manual, estas,
deverão ser atendidas prioritariamente.
Parto de Emergência
Parto é um fato
natural. Chame a assistência médica especializada.
Providencie
transporte para um hospital.
No final da gestação,
a parturiente começa a apresentar sinais e sintomas que são indicativos do
início do trabalho de parto.
Identificação do
parto iminente ou período expulsivo
· contrações
regulares a cada dois minutos
· visualização da
cabeça do bebê no canal de nascimento
· ruptura da bolsa
· gestante multípara,
com vários partos normais.
Primeiros Socorros
Existem alguns pontos
que devem ser lembrados, caso uma pessoa se encontre diante da emergência de um
parto e tenha que prestar auxílios à parturiente, por falta de recursos médicos
imediatos ou de condições de transportá-la imediatamente a um hospital.
· Deixe a natureza
agir. Seja paciente. Espere até que a criança nasça.
· Afaste os curiosos.
Procurar ser o mais discreto possível e manter ao máximo a privacidade da
gestante.
· Mantenha a calma.
· Não permitir que a
parturiente vá ao banheiro se são constatados os sinais de parto iminente.
· Colocar a
parturiente deitada de costas, com os joelhos elevados e as pernas afastadas
uma da outra e pedir-lhe para conter a respiração, fazendo força de expulsão
cada vez que sentir uma contração uterina.
· Lave bem as mãos.
Conserve limpo tudo o que cerca a parturiente.
· À medida que o
parto progride, ver-se-á cada vez mais a cabeça do feto em cada contração.
Deve-se ter paciência e esperar que a natureza prossiga o parto; nunca se deve
tentar puxar a cabeça da criança para apressar o parto.
· Somente ampare com
as mãos a cabeça da criança que nasce, sem imprimir nenhum movimento, que não o
de sustentação.
· Depois de sair totalmente,
a cabeça fará um pequeno movimento de giro e, então, sairão rapidamente os
ombros e o resto do corpo.
Sustentá-lo com
cuidado. Nunca puxar a criança, nem o cordão umbilical, deixar que a mãe
expulse naturalmente o bebê e a placenta.
· Proteja a criança,
evitando contato com locais sujos ou chão frio e úmido. Mantenha-a com a cabeça
ligeiramente abaixada.
· Limpar o muco do
nariz e da boca e assegure-se de que o bebê esteja respirando. Se a criança não
chorar ou respirar, segurá-la de cabeça para baixo, pelas pernas, com cuidado
para que não escorregue, e dar alguns tapinhas nas costas para estimular a
respiração. Desta forma, todo o líquido que estiver impedindo a respiração
sairá.
· Se o bebê não
estiver respirando, aplicar a respiração artificial delicadamente, insuflando
apenas o volume suficiente para elevar o tórax da criança, como ocorre em um
movimento respiratório normal. Aja com delicadeza.
· O cordão umbilical
sairá com a placenta, cerca de 20 minutos após o nascimento.
· Não há necessidade
de cortar o cordão umbilical, se o transporte para o hospital demorar menos de
30 minutos. Porém, se o tempo de transporte for superior a 30 minutos, deitar a
criança de costas e, com um fio previamente fervido, fazer nós no cordão
umbilical: o primeiro a aproximadamente quatro dedos da criança (10 cm) e o
segundo nó distante a 5 cm do primeiro. Cortar entre os dois nós com uma
tesoura, lâmina ou outro objeto limpo. As extremidades do cordão não devem
sangrar.
· Após a saída da
placenta, deve-se fazer massagem suave sobre o abdômen da parturiente para
provocar a contração do útero e diminuir a hemorragia que é normal após o
parto.
· Colocar o bebê em
contato com a mãe, em seu colo, assim que liberar a placenta (após cortar o
cordão umbilical).
· Mantenha a mãe e o
filho agasalhados.
· Transportar os dois
ao hospital para atendimento médico. Deve-se também transportar a placenta para
o médico avaliar se ela saiu completamente.
































































